“O branco tá roubando a nossa madeira”
Deputados tentam diminuir terra dos Kuikuro
Não é verdade que as tribos do Parque do Xingu estão protegidas dos invasores brancos, como se imagina. Em entrevista exclusiva ao programa “Cessar-Fogo”, Yamalui Kuikuro, da tribo Kuikuro conta o que está acontecendo no Mato Grosso:
“Pois é, todo mundo fala que somos protegidos, mas muitas coisas acontecem, né? Dois anos atrás recebemos uma proposta de projeto do deputado do estado de Mato Grosso, que elaborou um projeto para diminuir a nossa terra, e não aceitamos nada, não aceitamos nada.”
Escritor e pesquisador, Yamalui preserva a memória de seu avô, Narro, o primeiro indígena do Xingu que aprendeu português, no livro “O dono das palavras” e no dia a dia:
“A luta do meu avô junto com a liderança de outras etnias, dezesseis etnias, com o nome deles a gente defendeu muito, não queremos deixar.”
Os bandeirantes foram os maiores assassinos dos Kuikuro:
"Quem chegou a atacar o nosso povo aqui é os Bandeirantes, em 1888. Matou muito, massacrou muito o nosso povo. Desde naquele tempo, na época de Bandeirantes, a gente teve esse ataque, mas depois não aconteceu. Mas agora, agora, agora mesmo, já faz acho que dez, vinte anos, já começou. O branco está invadindo a nossa área. Estão roubando a madeira. Estão roubando a madeira. Os pescadores entrando. Desde muito tempo, depois da criação do Xingu, os pescadores entram. Mas a venda de madeira é ilegal, já tá acontecendo aqui isso muito preocupante para nós porque o branco tá roubando muito a nossa a nossa madeira aqui, então é isso, tá, mas mesmo assim você como você falou protegido a gente continua lutando aqui e a gente fica atento do projeto dos parlamentares, principalmente os nossos inimigos, que estão em Brasília. Eles que estão atacando politicamente a nossa cultura. Não devia ter, né? Atacar ali a casa, o Palácio do Planalto. Para mim, seria uma casa das pessoas educadas, não como outros, né? Outros só falam besteira lá, muitos deputados lá só falam besteira. Não sabem onde estão, não sabem qual cadeira estão ocupando. Se fosse indígena, a gente, indígena, quando vira cacique, a gente respeita as pessoas, a gente sabe falar indígena, a gente sabe falar dos outros. A gente não vai falar de qualquer jeito as coisas de conflitos, as críticas fortes, como está acontecendo lá. Ali só tem os doentes que eu vejo lá. Mas por isso que sempre acontece... Acampamento Terra Livre, em Brasília, no mês de abril.”
A entrevista completa de Yamalui Kuikuro irá ao ar dia 15 de maio, às 21:oo, na TV 247.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



