O caos de Trump não é loucura, é estratégia e dá lucro
'Donald Trump atende ao capital financeiro, porque o medo da desdolarização move decisões-chave e o caos se converte em lucro concentrado nas mãos de poucos'
Por trás dos ataques à OTAN, ao BRICS e da escalada global de tensões, há uma lógica clara de poder e dinheiro: produzir instabilidade, controlar fluxos e transformar risco geopolítico em rentabilidade para os grandes fundos e as elites financeiras.
O que parece loucura é cálculo. Nesta análise estratégica, mostramos como as políticas de Donald Trump dialogam diretamente com os interesses do capital financeiro global, porque o medo da desdolarização move decisões-chave e como o caos internacional se converte em lucro concentrado nas mãos de poucos.
O erro de chamar caos de loucura
A explicação mais difundida para a ofensiva global de Donald Trump é também a mais cômoda. Diz-se que ele age por impulso, que governa pelo conflito, que perdeu qualquer senso de racionalidade estratégica. Essa leitura tranquiliza porque reduz o problema à psicologia de um indivíduo. E, ao fazer isso, impede que se enxergue o que realmente está em operação. Quando o caos é tratado como loucura, desaparecem o método, os incentivos e os beneficiários.
Os ataques recorrentes a aliados históricos, a pressão sobre organismos multilaterais, o uso político de tarifas e sanções, a hostilidade aberta a blocos como o BRICS e a disposição permanente para criar crises diplomáticas não são eventos isolados nem erros sucessivos. Eles formam um padrão. Não um padrão de desorganização, mas de indução sistemática de instabilidade em um sistema internacional altamente integrado e financeirizado.
Em sistemas complexos, desordem não significa ausência de regra. Significa operar fora do equilíbrio. Pequenas perturbações produzem efeitos amplificados porque a estrutura do sistema permite essa propagação. A política externa de Trump atua exatamente nesse registro. Ela introduz choques contínuos, desloca expectativas e força Estados, mercados e alianças a reagirem em vez de planejarem. O caos, nesse contexto, não é falha de governo. É ferramenta.
Essa ferramenta produz efeitos assimétricos. Para sociedades e Estados, a instabilidade se traduz em perda de previsibilidade, aumento de custos e redução da capacidade de decisão soberana. Para determinados atores econômicos, especialmente no campo financeiro, o mesmo ambiente cria oportunidades de arbitragem, proteção e reposicionamento. A incerteza que paralisa uns se converte em vantagem para outros.
A pergunta central, portanto, não é se Trump governa de forma errática. A pergunta relevante é quem ganha quando a previsibilidade desaparece e quando alianças, fluxos e regras passam a operar sob tensão permanente. Este texto parte dessa chave para demonstrar que o caos contemporâneo não é um acidente da política internacional, mas um método funcional a interesses concretos, com impactos profundos sobre a reorganização do poder global.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



