União Europeia convoca reunião de emergência após ameaça de Trump à Groenlândia
Declarações do presidente dos Estados Unidos sobre anexação da ilha geram reação imediata do bloco
247 - A União Europeia decidiu convocar uma reunião de emergência com os embaixadores dos 27 países do bloco após novas pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas à Groenlândia. O encontro está marcado para este domingo (18), às 17h no horário local (12h em Brasília), no Chipre, país que ocupa a presidência temporária do bloco. As informações são do G1.
A iniciativa ocorre em meio a um aumento das tensões diplomáticas depois que Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos e passou a usar ameaças tarifárias como instrumento de pressão política sobre aliados europeus.
Reação imediata do bloco europeu
Desde o início de seu segundo mandato, há cerca de um ano, Donald Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para os interesses de segurança do país. Segundo o republicano, o território é “vital” para o Domo de Ouro, um escudo antimísseis que ele pretende construir.
As declarações provocaram reação imediata em Bruxelas. Em publicação conjunta na rede social X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertaram para os riscos de agravamento das relações entre Europa e Estados Unidos. “Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, afirmaram.
Tarifas e risco de escalada transatlântica
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também criticou duramente as ameaças do governo norte-americano. Para ela, eventuais tarifas trariam prejuízos econômicos significativos para ambos os lados do Atlântico e desviariam a atenção do bloco de prioridades estratégicas.
“A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados”, disse Kallas. Em seguida, acrescentou: “As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN”.
Importância estratégica da Groenlândia
Situada entre os Estados Unidos e a Rússia, a Groenlândia é considerada há décadas uma área de grande importância geopolítica, especialmente no contexto da segurança do Ártico. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no território, embora tenham reduzido de forma significativa sua presença nos últimos anos.
Diante das recentes declarações de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas militares à Groenlândia na última quinta-feira (15). Segundo o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca, responsável pela custódia do território, com o objetivo de avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Críticas diretas do presidente dos EUA
No início da semana, Donald Trump voltou a adotar um tom provocativo ao comentar as capacidades defensivas da ilha. “Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro”, afirmou.
O presidente dos Estados Unidos também ironizou a defesa local. “A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros”, disse.
As declarações ampliaram o mal-estar diplomático e levaram a União Europeia a acelerar articulações internas em busca de uma resposta coordenada à postura do governo estadunidense sobre o território estratégico do Ártico.


