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Boaventura de Sousa Santos

Sociólogo português

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O fascismo do século XXI e o Anticristo

O novo fascismo combina religião, tecnologia e poder para corroer a democracia por dentro e transformar o conflito político em guerra existencial

O fascismo do século XXI e o Anticristo (Foto: Gerada por IA)

Uma das interpretações mais influentes do fascismo do século XX é a de o fascismo ser uma rebelião contra o secularismo da época moderna, que propunha uma sociedade transcendente tanto no plano prático (o progresso) como no plano teórico (a possibilidade de ultrapassar todos os limites). Essa rebelião fez com que a religião política (a religião como forma de poder temporal) regressasse sob diferentes formas como fator político. Esta interpretação tem sido imensamente debatida e não é meu propósito analisar esse debate. Interessa-me apenas tratar da questão das relações entre fascismo e religião. Falar de fascismo do passado e de fascismo do futuro pode conter a armadilha de pensar que não há fascismo no presente. Também pode levar a pensar que o fascismo é uma entidade monolítica e que, portanto, só há um tipo de fascismo. Usualmente, as definições de fascismo referem-se todas ao fascismo como regime político. Eu, pelo contrário, distingo entre fascismo político e fascismo social: o primeiro ocorre nas relações propriamente políticas e o segundo, nas relações sociais.

O fascismo e a religião no século XX

A relação do fascismo político da primeira metade do século XX com a religião é complexa. O secularismo da sociedade moderna (a separação entre a Igreja e o Estado) nunca foi completo e só operou nas metrópoles, não nas colônias. Como tanto a religião como o Estado laico continuaram a disputar o seu lugar na sociedade, as contradições e disputas entre uma e outro coexistiram com convergências, cumplicidades e utilizações recíprocas. No caso do fascismo italiano, podemos dizer que a sacralização da política (a veneração do Estado fascista, os rituais e os símbolos fascistas) significou a emergência de uma religião política, secular, laica, que passou a existir em paralelo com a religião tradicional (o reconhecimento privilegiado do catolicismo). Em 1932, Mussolini afirmava que, em contraposição com Robespierre, o Estado fascista não tinha uma teologia própria, mas sim uma moralidade própria.

A religião tradicional foi pragmaticamente utilizada para reforçar a sujeição das massas aos desígnios políticos do fascismo. Os conflitos existiram e foram fortes entre a religião laica e o catolicismo no domínio da educação, uma vez que o fascismo não queria abrir mão do monopólio na formação das novas gerações. Mas o objetivo foi sempre o de abolir as fronteiras entre a esfera política e a esfera religiosa. Nada disto era completamente novo.

Desde o século XV tinham surgido movimentos para a criação de religiões cívicas, desde as sociedades secretas (Maçonaria, Illuminati, Opus Dei) ao jacobinismo e ao positivismo. A fé na nação e no nacionalismo era uma forma de combater o socialismo e de conter o catolicismo. O socialismo revolucionário do primeiro Mussolini pretendia ser mais uma crença do que uma ciência. Como ele repetia: “a humanidade precisa de uma crença”. Tratava-se de apelar a uma experiência de fé na religião da Nação. A religião patriótica. Giovanni Gentile defendia que o fascismo tinha um caráter religioso, “na medida em que leva a vida a sério”, e “como movimento surgiu de toda a alma da nação”. Visava criar um Estado ético.

A sacralização da política sempre envolveu a sacralização da guerra, a violência purificadora: o sacrifício máximo do corpo e da alma por uma causa sublime. A morte e a ressurreição aparecem transfiguradas no culto dos mártires e dos heróis. A relação da guerra com o despertar do sentimento religioso é tão evidente em D’Annunzio como em Marinetti. Em Il Fascio, de 1921, escrevia-se: “Somos os depositários de uma geração que, há muito tempo, ultrapassou os limites da sua própria realidade histórica e avança imparável em direção ao futuro... Somos o mais alto dos altos... A Santa Comunhão da guerra moldou-nos a todos com o mesmo espírito de generoso sacrifício”. A crença fascista transcendia o natural apego à vida na terra.

Em 1932, o jornal da juventude fascista afirmava que “um bom fascista é religioso”. E os jovens universitários de Milão criaram, em 1930, uma escola de misticismo fascista à volta do Duce como mito vivo. Um certo sincretismo com o catolicismo era evidente, e os possíveis conflitos de interpretação eram resolvidos pela devoção ao partido. A leva fascista era um ritual de iniciação dos jovens semelhante à “confirmação” na Igreja Católica, por via da qual os jovens eram “consagrados fascistas”. As cerimónias eram realizadas em público em todas as cidades e incluíam, além das cerimónias de consagração, cerimónias de juramento e de veneração das bandeiras e o culto dos mártires mortos. A celebração do nascimento de Roma, o dia de Roma, a romanità, o “espírito latino” foram transformados em modelos arquetípicos da grandeza da pátria e da “civilização de Itália”.

Os diferentes componentes religiosos convergiam na luta contra “a besta triunfante do bolchevismo”. A bênção do gagliardetto, a bandeira das “Esquadras” fascistas, foi inicialmente usada como cerimónia de redenção de uma comunidade que antes fora governada pelos socialistas. Se o fascismo era uma religião, os dissidentes eram “traidores à fé”. A vontade de Deus e a vontade do Estado fundiam-se. Os traidores eram excomungados, banidos da vida pública. Augusto Turati, secretário do partido de 1926 a 1930, pregava à juventude “a necessidade de acreditar cegamente; de acreditar no fascismo, no Duce, na Revolução, tal como se acredita em Deus... aceitamos a Revolução com orgulho, tal como aceitamos estes princípios – mesmo que nos apercebamos de que estão errados, e aceitamo-los sem discussão”. Em suma, o supremo mandamento: “crê, obedece e luta”.

A fé fora convertida em suprema virtude e as sedes do Partido Nacional Fascista eram consideradas os “altares da religião da Pátria”. A rejeição do racionalismo e a adoção do pensamento mítico está bem patente neste passo de um livro fascista: “As massas não conseguem distinguir nuances; precisam de espiritualidade, piedade, princípios religiosos e rituais”. O programa político era bem menos importante que o sistema de crenças, os rituais e os símbolos. Só assim se garantia o apoio massivo, intenso e de longa duração. A sacralização da violência estava relacionada com a estetização da política, como bem notou Walter Benjamin: a política como rutura das restrições civilizacionais. Foi essa rutura que levou Ezra Pound a sentir-se atraído pelo fascismo. A irracionalidade fascista é esteticamente reconfigurada como espontaneidade, intensidade e autenticidade. O extremo anticonformismo em relação ao mundo é o outro lado da obediência cega ao líder fascista. Daí, também, em última instância, a miséria da estetização da violência, sobretudo quando os corpos começaram a ser lançados nos crematórios.

O fascismo gota a gota nas entranhas da democracia

No período pós-1945 proliferaram as análises e interpretações do fenómeno fascista. Uma importante corrente considerava que o fascismo fora uma rutura na continuidade histórica da cultura europeia e alguns concebiam-no como uma patologia social ou como uma imposição por parte de minorias manipuladoras sem uma doutrina ou um pensamento coerente. Ou seja, o fascismo, sendo fruto de manipulação política, não tivera uma base social genuína. Interesses egoístas ou práticas de intimidação tinham criado o corpo dos seguidores do fascismo. A corrente oposta via no fascismo uma continuidade com a belle époque francesa e considerava que o fascismo tinha um sistema de pensamento bem coerente.

Estas interpretações tinham duas características em comum. Por um lado, concebiam o fascismo como um fenómeno do passado e de um passado irreversivelmente superado. Por outro lado, constituíam uma visão externa do fascismo. Não analisavam a vivência interna do fascismo, o modo como foi vivido pelas populações onde ele vigorou como sistema político, como foi passivamente aceite ou entusiasticamente celebrado pelas populações. Muito menos se interessaram por facetas da personalidade ou pulsões psíquicas que fizeram da vida fascista um modo “natural” ou “normal” de viver para as grandes maiorias que ativa ou passivamente viveram sob o fascismo. Como fora possível que Nietzsche ou Heidegger fossem proto-nazis e que a combinação entre teoria da evolução, ciclos civilizacionais e biologia racista conduzisse a fusões entre Charles Darwin e Oswald Spengler?

Mais recentemente, o campo analítico diversificou-se. Surgiram interpretações internas sobre o modo de vida fascista, assentes na ideia de que, se o fascismo pretendia ser religioso e apelava ao irracional ou mítico, as razões pragmáticas do interesse próprio ou da intimidação não eram suficientes para explicar a adesão ao fascismo. Por outro lado, foi dado novo relevo a leituras psicanalíticas anteriormente veiculadas pela Escola de Frankfurt, que concebem o fascismo como uma potencialidade permanente da vida em comum, não fazendo, por isso, sentido falar do fascismo como algo historicamente ultrapassado. Não se trata de teorizar o regresso do fascismo, trata-se antes de teorizar a presença continuada do fascismo sob diferentes formas e potencialidades. Em livro recente, Vladimir Safatle defende eloquentemente esta teoria num livro intitulado A Ameaça Interna: Psicanálise dos Novos Fascismos Globais.

Esta viragem analítica tem uma razão sociopolítica bem evidente: o crescimento global das forças políticas de extrema-direita que advogam o fascismo político e que, quando no poder, procuram efetivamente implantá-lo. Talvez o que caracteriza melhor o tempo presente é o fato de a democracia liberal estar a ser utilizada cada vez mais frequentemente para que antidemocratas fascistas cheguem ao poder. Trata-se de políticos que são eleitos democraticamente, mas que, uma vez eleitos, não exercem o poder democraticamente. É o fascismo gota a gota nas entranhas da democracia. O fato não é novo. Aconteceu com Hitler depois das eleições de 1932. Mas a intensidade com que está a ocorrer faz com que a quantidade se transforme em nova qualidade. A maior intensidade do fascismo político gota a gota alimenta-se do crescimento intersticial de um outro tipo de fascismo, o fascismo social.

Fascismo social é todo o sistema de relações sociais de extrema desigualdade de poder em que a parte mais forte tem o direito de veto sobre as oportunidades de vida e de sobrevivência da parte mais fraca. Consiste em situações em que pessoas ou grupos estão à mercê de poderes unilaterais, sem direitos nem defesa legal, mesmo se viverem formalmente em democracia. É a exclusão social extrema, a exclusão abissal, onde a vida humana é desvalorizada pela lógica do mercado e do poder. Ao contrário do fascismo político, o fascismo social é pluralista. Distingo cinco formas de fascismo social:

  1. fascismo contratual, em que a parte mais fraca não pode deixar de aceitar as condições impostas pela parte mais forte, por mais injustas que sejam, sob pena de não sobreviver;
  2. fascismo de apartheid social, em que as populações excluídas vivem em guetos, zonas urbanas mas não urbanizadas e à mercê de todo o tipo de violência;
  3. fascismo paraestatal, em que a violência do Estado é subcontratada a grupos paramilitares, crime organizado, milícias que exercem impunemente a maior violência sobre as populações;
  4. fascismo financeiro, em que setores poderosos do capital financeiro manipulam o Estado para, através de juros usurários, extrair uma parte significativa dos salários dos trabalhadores e para engendrar crises permanentes que justifiquem o roubo das poupanças das classes médias ou a expropriação de bens dados em garantia de dívidas;
  5. fascismo da insegurança, que consiste na ocorrência de situações de extrema insegurança – acidentes, acontecimentos meteorológicos extremos etc. – para as quais não existem ou não são acessíveis apólices de seguros e em que a intervenção protetora do Estado está ausente.

A intensificação destas diferentes formas de fascismo social deve-se em grande medida ao neoliberalismo como forma dominante do capitalismo global. A intensificação do fascismo gota a gota tem por objetivo criar as condições para uma nova fase de fascismo político. Não há qualquer determinismo nisto. Há apenas um objetivo, e compete aos democratas não permitir que ele se concretize.

O fascismo do século XXI e o Anticristo

O fascismo emergente é mais extremista na sua identidade religiosa do que o fascismo do passado. Tal como este, assenta na sacralização da violência e na santificação das elites, mas alimenta-se de uma visão distópica do futuro que condensa no conceito de Anticristo. Está sobretudo presente nos EUA, mas a sua capacidade de disseminação é enorme. Através da ideia do Anticristo, o neofascismo (ou neonazismo) exacerba a sua identidade cristã e concebe a sociedade presente como uma luta de morte entre o Bem e o Mal, onde não cabem negociações nem cessar-fogos, mas apenas rendição e extermínio de quem perder. A sociedade está em permanente guerra civil e o seu futuro é o apocalipse, se não for salvo por Estados racial e religiosamente supremacistas servidos pelas tecnologias de ponta para o controlo das populações.

No plano religioso, há diferenças significativas entre o fascismo do século XX e o fascismo do século XXI. O fascismo do século XX criou uma religião laica, mas manteve com a religião tradicional uma relação de cooperação-tensão que pressupunha a relativa autonomia desta última. O fascismo do século XXI leva o seu identitarismo cristão ao extremo de procurar absorver a religião tradicional que lhe esteja mais próxima, as correntes evangélicas pentecostais. A fusão entre a esfera política e a esfera religiosa é agora muito mais intensa, se não mesmo total.

O fascismo do século XX tinha na sua base a ideia de uma sociedade futura melhor, e tanto assim que originalmente o socialismo estivera presente tanto nas convicções de Mussolini como nas de Hitler. Ao contrário, o fascismo do século XXI é distópico, apocalíptico e, por isso, o Anticristo não é apenas o comunismo e o socialismo; é também a própria democracia e o tipo de convivência que ela promove, ao conduzir à estagnação do progresso tecnológico, que é a única via de redenção. A política do ódio que sustenta a guerra civil não conhece adversários políticos, apenas conhece inimigos a abater.

Devido ao seu caráter apocalíptico, não admira que o fascismo do século XXI, ao contrário do fascismo do século XX, seja promovido por setores das elites, em geral os mais ricos, os bilionários, de que é exemplo paradigmático Peter Thiel. Enquanto para o fascismo do século XX a democracia era apenas um regime decadente, para o fascismo do século XXI a democracia, tal como os direitos humanos, são a encarnação do Mal. Tal como o é a luta ecológica ou qualquer reivindicação que coloque entraves à acumulação infinita da riqueza e da tecnologia de que ela depende.

A relação entre o fascismo do século XXI e o sionismo merece uma reflexão especial. O fascismo do século XX foi antissemita, entendendo-se por tal uma política racista radical contra o povo judeu, cujo extermínio proclamava e ativamente procurou. O sionismo, entendido como pretensão de criar um Estado judeu, era nessa altura muito minoritário entre os judeus. A sua recetividade era maior entre os judeus russos e da Europa Oriental (países bálticos, Bielorrússia, Ucrânia, Polónia). As organizações sionistas da altura procuraram e tiveram formas de entendimento com o nazismo, nomeadamente no que respeita à deslocação de judeus para a Palestina e à constituição do Estado de Israel (entendimentos que, aliás, tiveram pouco êxito entre o povo judeu).

Logo após a Segunda Guerra Mundial, muitos intelectuais judeus chamaram a atenção para o perigo do sionismo e para as afinidades dos métodos sionistas com os do fascismo e do nazismo. Em 1948, Albert Einstein e Hannah Arendt assinaram a famosa carta ao New York Times, mostrando tais afinidades no caso do partido de Menachem Begin, hoje Likud.

Os sionistas extremistas, atualmente dominantes no governo de Israel, têm em comum com os cristãos evangélicos fundamentalistas a ideia do apocalipse baseada nas mesmas leituras bíblicas, sobretudo do Livro de Daniel (Dan 7-12) e do Apocalipse de João no Novo Testamento. Daí a emergência do sionismo cristão, que tem vindo a fortalecer enormemente o movimento fascista global deste século.

O Anticristo é, como afirma Robert Fuller, uma obsessão norte-americana. A luta contra o Anticristo está hoje personalizada na figura do bilionário Peter Thiel, fundador do PayPal e da Palantir, cuja inteligência artificial foi aparentemente responsável pela morte dos aiatolás iranianos e das 208 crianças, alunas do ensino básico da Escola Shadjareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no Irão.

Peter Thiel, sem qualquer preparação teológica, circula pelo mundo exorcizando, como manifestações do Anticristo conducentes ao apocalipse final, todas aquelas conquistas políticas por que lutámos nos últimos duzentos anos para devolver um pouco de dignidade às classes e aos grupos sociais excluídos pelo capitalismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado: um Estado minimamente redistributivo, por via das políticas sociais (saúde, habitação e educação públicas); a democracia como um sistema de convivência pacífica e um modo de conter os “excessos” do capitalismo; direitos humanos como luta pela dignidade humana em sociedades onde a prosperidade de alguns é obtida à custa da desumanização de muitos; lutas ecológicas para construir um novo metabolismo com a natureza que permita reconstruir os ciclos naturais de regeneração vital. Tudo isto é anátema que impede a salvação que só a tecnologia inteligente da IA pode trazer. As ameaças existenciais não são a mudança climática, a ameaça atómica, a ameaça nuclear ou a ameaça da IA. As ameaças existenciais vêm das resistências ao pleno desenvolvimento desses “progressos”. Tudo isso são manifestações de um anti-Messias, a besta triunfal do fim dos tempos.

A nova terra prometida é o Vale do Silício, teorizada com recurso a Carl Schmitt e, de modo distorcido e perverso, a René Girard (a teoria do bode expiatório e a imitação como o outro lado da rivalidade). O novo Anticristo é toda a acumulação histórica de conhecimento, de organização e de luta que tem vindo a alertar para os riscos existenciais que a humanidade e o planeta Terra correm, se nada for feito para travar a injustiça social, histórica, ambiental, racial e sexual, se a democracia não se souber defender dos antidemocratas, se a vontade imperial se substituir ao direito internacional, se a guerra, o genocídio e a pilhagem de recursos forem os únicos meios de “resolver” conflitos. Para os fascistas do Anticristo, todo este acumulado histórico dos últimos duzentos anos é um campo de manobras de estagnação que impede a única redenção possível, a redenção tecnológica.

O fascismo do Anticristo e o identitarismo extremista, tanto cristão como sionista, em que se funda, não deixam de ser manifestações do pensamento eurocêntrico, o que não nos deve surpreender, já que cada civilização contém a “sua” barbárie. E, bem à maneira europeia, as experiências “laboratoriais” desse fascismo começam fora das metrópoles eurocêntricas, na Ásia Ocidental (Iraque, Palestina, Síria, Irão e Líbano), mas nunca se sabe onde terminam. Afinal, não foi o genocídio dos povos Herero e Namaqua da Namíbia, levado a cabo pelos alemães entre 1904 e 1908, o ensaio para o Holocausto dos judeus na Europa?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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