'Netanyahu não representa o pensamento judaico', diz Jaques Wagner
Judeu e líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner diz que política externa de Benjamin Netanyahu é “desastrosa”
247 - O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, criticou a ofensiva militar conduzida pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e afirmou que a atuação do premiê não representa o pensamento judaico. Ao abordar o tema, o parlamentar destacou a necessidade de separar identidade religiosa e posicionamentos políticos, além de condenar a guerra e defender soluções diplomáticas, segundo Paulo Cappelli, do Metrópoles.
A declaração foi feita em meio ao debate sobre o conflito no Oriente Médio. Wagner ressaltou sua própria identidade religiosa para reforçar o argumento de que há diversidade de opiniões dentro da comunidade judaica. “Sou judeu, mas vamos separar: a figura do primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] não representa necessariamente o pensamento judaico, que é altamente humanista e solidário”, afirmou.
O senador também mencionou sua vivência pessoal ao tratar do assunto, destacando que sua posição não se confunde com a política externa do atual governo israelense. “Sou judeu, minha esposa é cristã, católica, mas adora ir para Israel, porque, na verdade, Cristo pregou lá. Agora, não vou misturar o meu judaísmo, a minha filosofia de vida e o meu humanismo com a política externa do atual primeiro-ministro de Israel, que eu acho desastrosa”, declarou.
Wagner reforçou a crítica à condução da guerra e defendeu a busca por soluções por meio do diálogo. “Eu acho que toda guerra é um sinal de insanidade. Eu acho que nós temos diplomacia, cabeça para pensar e boca para falar para a gente negociar e chegar a uma solução. Eu condeno essa guerra”, disse.
Ao comentar o cenário político interno de Israel, o parlamentar afirmou que Netanyahu não representa unanimidade entre os israelenses e citou divergências dentro do próprio país. “Metade do povo judeu que mora em Israel também condena a política externa do Netanyahu. Ele não é unanimidade. Nós já tivemos figuras como Itzhak Rabin [israelense que defendia a pacificação com a Palestina], que ganhou Prêmio Nobel da Paz e acabou assassinado por um [judeu] fanático”, afirmou.
Por fim, Wagner alertou para o risco de que críticas ao governo israelense sejam confundidas com manifestações discriminatórias. “O que eu acho errado é que muita gente que condena o Netanyahu resvala num antissemitismo, que também acho equivocado. Assim como sou judeu e não sou obrigado a concordar com o Netanyahu, quem discorda dele tem que tomar o cuidado de, ao fazer a crítica de um governo, não estimule o antissemitismo”, declarou.


