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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato

PowerPoint exibido na GloboNews insinua vínculo político entre Vorcaro e Lula e reaviva práticas associadas à Lava Jato em ano eleitoral

O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato (Foto: Reprodução/GloboNews)

O PowerPoint apresentado na sexta-feira (6) na GloboNews, mostrando as conexões de Daniel Vorcaro com representantes de lideranças políticas, empresariais e judiciais, nos remete diretamente ao dia 16 de setembro de 2016. Naquela ocasião, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol apresentou à imprensa um PowerPoint acusando o então ex-presidente Lula de ser o chefe de um esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

Trata-se, essencialmente, do mesmo modus operandi: criar a falsa impressão de que Lula estaria envolvido com Daniel Vorcaro. A sequência de fotos dos personagens inseridos nessa teia atribuída ao banqueiro parece ter um único objetivo: trazer para dentro do escândalo o chefe da Nação. A própria disposição das imagens revela isso, já que a fotografia do presidente Lula aparece em primeiro lugar. Além disso, a imagem escolhida pelo criador do PowerPoint reforça essa intenção da narrativa oferecida ao telespectador.

Lula aparece sorrindo, com a faixa presidencial ao peito, o que quer "comunicar" o uso do cargo em benefício próprio. Ou seja, é toda uma engenharia visual buscando desconstruir a imagem do presidente da República em ano eleitoral.

O neo-PowerPoint da Globo não explica, porém, o papel de cada um dos personagens ali representados. Nenhum esclarecimento foi feito de que o presidente só esteve uma única vez com o banqueiro do Master. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, a pedido de Vorcaro, que na época ainda não era alvo de qualquer investigação.

Da reunião participaram os ministros Rui Costa, da Casa Civil; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; e Gabriel Galípolo, que à época ainda não presidia o Banco Central. Segundo os participantes, Vorcaro pretendia convencer o governo a apoiar a venda do Master para o Banco de Brasília, algo que o Banco Central, já sob a gestão de Galípolo, não apenas deixou de autorizar como tomou uma medida que Campos Neto não havia tomado: pedir a liquidação do Banco Master.

O fato de Vorcaro ter dito, em troca de mensagens com a namorada, que o encontro teria sido muito bom não constitui prova de que o presidente o ajudou. Ao contrário: Lula não se envolveu no assunto e deixou, de forma republicana, as decisões sobre o Master nas mãos da diretoria do Banco Central.

Os vazamentos que voltam a todo vapor em mais um ano eleitoral nos remetem, inevitavelmente, à Lava Jato. Os jornalistas que recebem as informações privilegiadas são os mesmos. Seus “furos” de reportagem continuam produzindo narrativas com impacto direto no ambiente político e eleitoral. Pelo visto, os investigadores que alimentam esses vazamentos também podem ser os mesmos.

Na realidade, todos nós fomos, de alguma forma, lenientes com os abusos da Lava Jato. É espantoso ver Deltan Dallagnol e Sergio Moro ainda presentes na vida política, disputando espaços de poder ao lado daqueles que foram diretamente beneficiados pelas armações promovidas pela chamada “força-tarefa”.

O neo-PowerPoint não é apenas um recurso gráfico de televisão; é um símbolo da persistência de um método: insinuar, sugerir e induzir conclusões antes mesmo que os fatos sejam comprovados. O Brasil já viu esse filme antes e sabe muito bem quais foram os danos institucionais, políticos e democráticos provocados por esse tipo de espetáculo travestido de jornalismo. A cadela do lavajatismo, tal qual a do fascismo, segue no cio.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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