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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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O jornalista, o político e meus 73 anos

Depois de acompanhar os acontecimentos políticos que marcaram minha geração, vejo-me, pela sexta vez, diante de uma eleição em que Lula é protagonista

O jornalista, o político e meus 73 anos (Foto: Arquivo pessoal)

No Boa Noite 247 de terça-feira (31), o companheiro Jeferson Miola trouxe à reflexão o tema do envelhecimento do Partido dos Trabalhadores. Segundo ele, a falta de renovação de quadros fez com que o partido passasse a ter a bancada mais “sênior” da Câmara Federal, com média de idade de 55,7 anos na posse dos parlamentares em 2023. Entre os chamados “grandes partidos”, o União Brasil apresenta a bancada mais jovem, com média de 47,6 anos.

Na eleição presidencial deste ano, quatro candidatos têm mais de 70 anos. PT e PSB disputam com uma chapa formada por “velhinhos puro-sangue”: Lula, com 80 anos, e Geraldo Alckmin, que completa 74 em setembro. Também aparecem na disputa, ainda que com menor protagonismo, outros nomes mais velhos, como Ronaldo Caiado (PSD), Aldo Rebelo (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO).

Se hoje há mais pessoas idosas ocupando posições de destaque na sociedade, isso não deve ser visto como demérito. Ao contrário, pode indicar que, finalmente, o conhecimento e a experiência começam a ser reconhecidos e valorizados. Vale lembrar que, em diversas culturas, a sabedoria dos mais velhos ocupa lugar central: em comunidades indígenas, por exemplo, o pajé é visto como guardião do conhecimento ancestral, exercendo funções de liderança espiritual, aconselhamento e cura. De modo semelhante, na China, a valorização dos mais velhos está profundamente enraizada na tradição confucionista, que associa idade à sabedoria.

Recentemente, estive no show de Gilberto Gil, em um estádio de futebol lotado. Com o balanço e o vigor de um jovem, Gil fez a plateia cantar, dançar e se emocionar por mais de três horas. O mesmo pode ser dito de Fernanda Montenegro, que, aos 96 anos, segue encantando o público com seu talento no teatro, no cinema e na televisão.

Amanheço neste 1º de abril, dia do meu aniversário de 73 anos, encantado com as cores do dia que abre o mês e, de certo modo, também o mundo em flor.

Sigo em frente no meu trabalho incansável de jornalista, em uma empresa de comunicação, o Brasil 247, que valoriza a experiência, o saber e o conhecimento. Minha trajetória em dezenas de empresas de comunicação me deu a oportunidade de narrar alguns dos fatos mais importantes da minha geração, como a campanha das Diretas Já e a cobertura da primeira eleição direta para presidente, em 1989.

Pela sexta vez, acompanho uma eleição presidencial que tem Lula como protagonista.

Chego à conclusão de que talvez o desafio do nosso tempo não seja escolher entre juventude e experiência, mas fazer com que ambas caminhem juntas. Porque é no encontro entre o ímpeto do novo e a densidade do vivido que a história ganha sentido, e o futuro, uma luz a seguir.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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