O mago Lula e os desdobramentos das eleições em São Paulo
O passo mais importante para o mago será convencer Geraldo Alckmin a aceitar a disputa pelo governo de São Paulo
Certa vez comentei com um grande amigo que o presidente Lula era o brasileiro que, aparentemente, fez a melhor leitura do livro “O príncipe”, de Nicolau Maquiavel, obra fundamental na ciência política para se compreender a autonomia da governabilidade e a arte da política. Na ocasião, confidenciei a esse amigo o sonho de escrever o “Maquiavel de Lula”, projeto que pretendo realizar assim que o presidente se aposentar, pois tenho anotadas e registradas as muitas articulações que ele tem feito, desde a sua primeira posse na Presidência da República Federativa do Brasil até os dias de hoje, sempre pautadas pela ética.
A virtude de um governante como o presidente Lula consiste em sua atuação firme, com eficiência, astúcia e prudência, a fim de se manter à frente do seu projeto político (que vem desde o início dos anos de 1980, de forma vencedora), direcionado para a construção de um país que venha a ser efetivamente soberano e desenvolvido, em que a riqueza seja distribuída entre todos os brasileiros.
No dia 13 de dezembro de 2025 compareci à festa de final de ano do Grupo Prerrogativas, em São Paulo, onde estiveram também o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Hadad e Simone Tebet, além de muitas outras personalidades.
Naquela oportunidade, o Grupo Prerrogativas prestou homenagem ao vice-presidente Geraldo Alckmin e aos ministros Fernando Hadad e Simone Tebet, que fizeram uso da palavra em agradecimento, sob o olhar atento do presidente Lula, que estava a certa distância do palco, numa parte reservada no nível superior.
Ao recordar agora aquele momento, considero plausível que o mago Luís Inácio Lula da Silva estivesse pensando em como agir para superar o fascismo instalado no Governo do Palácio dos Bandeirantes e, também, de que modo seria possível construir uma candidatura ao governo do estado e para o senado que pudesse representar uma grande frente ampla, envolvendo até mesmo o PSD de Gilberto Kassab.
Ao longo de todos esses anos, o presidente Lula tem demonstrado ser capaz de façanhas que nenhum outro político brasileiro conseguiu. Dito isto, imaginem uma chapa formada por Lula para Presidente, Geraldo Alckmin para governador e Gilberto Kassab para vice-governador, com Simone Tebet ou Fernando Haddad ou Erika Hilton ou Marina Silva para o senado.
Acredito que há grandes possibilidades de que esta aliança pragmática contra o fascismo bolsonarista seja consagrada. Porém, para implementá-la será necessário que o presidente Lula convença o seu partido, o PT, de abrir mão de um espaço próprio nesta formação, mas concentrando todos os esforços para eleger o maior número possível de deputados representantes das forças progressistas.
Porém, o passo mais importante é que o mago também vai precisar convencer Alckmin, por sua importância histórica nesta fase de superação política do fascismo, a aceitar a disputa pelo governo do Estado de São Paulo. Até aqui, para Lula nada tem se revelado impossível.
Com Maquiavel aprendemos que “o que importa é o êxito, bom ou mau. Procure, pois um príncipe, vencer e conservar o Estado. Os meios que empregar serão sempre julgados e louvados por todos.” No caso, se conseguir estabelecer a união de todas essas forças em torno de sua candidatura, em São Paulo, o presidente Lula estará construindo um caminho virtuoso para afastar os fascistas do Palácio dos Bandeirantes e, ao mesmo tempo, fortalecer as possibilidades de sua reeleição para um quarto mandato. Sempre pautado pelo desejo de concretizar seu projeto de toda uma vida, que consiste na construção de um país soberano e desenvolvido, que distribua a riqueza de forma justa entre os cidadãos, para que todos possam viver com dignidade, segurança e esperança.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



