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Chico Teixeira

Historiador e professor titular da UFRJ

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O peso da história

Rússia e China reagem à postura do Japão e reafirmam que a memória histórica e as reparações são condições para encerrar formalmente a guerra

Sanae Takaichi (Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon)

A Federação Russa, como Estado sucessor da URSS, declarou-se, esta semana, contrária à assinatura de um Tratado de Paz com o Império do Japão, o que daria um fim técnico e legal à Segunda Guerra Mundial.

O Tratado de Paz com as duas Alemanhas foi assinado em 12 de outubro de 1990, em Moscou, sendo denominado Tratado ou "Acordo Final" 2+4+1 (as duas Alemanhas + os quatro aliados vencedores + a Polônia). Tal tratado foi ignorado pelos EUA desde 1991, que avançaram as forças da OTAN até as fronteiras russas e ocuparam as bases do ex-Pacto de Varsóvia (na Polônia, Romênia e Lituânia) e remilitarizaram a antiga Alemanha Oriental/DDR.

No caso do Império do Japão, tanto a China Popular quanto Filipinas e Coreias exigem desculpas formais e indenizações de Tóquio. Já Moscou se nega a rever os resultados territoriais da guerra e a discutir o status quo do Arquipélago das Kurilas e da Ilha Sacalina.

O atual governo japonês, da primeira-ministra Sanae Takaichi, se nega a aceitar as responsabilidades japonesas pela guerra e o genocídio praticado na China, o terror das experiências médicas em prisioneiros, além da escravização e da prostituição estatal em massa de mulheres filipinas, coreanas e chinesas. Além disso, avança na militarização do Japão e na intromissão nos assuntos chineses, incluindo a autodeclaração de "proteção de Taiwan".

Moscou e Pequim declararam a política externa de Tóquio como "torpe" e uma ameaça contra a paz. Em tais condições, ambas as potências se recusam a discutir um tratado que finalmente encerre, de jure, a Segunda Guerra Mundial.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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