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Julimar Roberto

Comerciário e presidente da Contracs-CUT

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O que seria do Brasil sem elas?

"Segundo o IBGE, cerca de 51% da população é composta por mulheres"

Protesto lembra mulheres vítimas de feminicídio, em Copacabana, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Para começo de conversa, vale reforçar a informação de que as mulheres são maioria no Brasil. Segundo o IBGE, cerca de 51% da população é composta por mulheres. E o restante, inevitavelmente, é filho de uma mulher. Isso mostra o tamanho da presença e da importância das mulheres na sociedade brasileira. Mesmo assim, a presença da mulher no mercado de trabalho ainda é menor que a dos homens.

A taxa de participação feminina no mercado de trabalho gira em torno de 53,3%, enquanto entre os homens chega a 73,2%. Ou seja, milhões de mulheres enfrentam enormes dificuldades para conseguir um emprego.

Mesmo quando conseguem trabalhar, as desigualdades persistem. Um dos exemplos mais evidentes é o salário. Dados recentes mostram que as mulheres recebem, em média, cerca de 20% a menos que os homens no Brasil. Em números concretos, enquanto os homens recebem em média R$ 4.745, as mulheres recebem aproximadamente R$ 3.755.

Essa desigualdade se torna ainda mais grave quando se olha para o recorte racial. Mulheres negras chegam a ganhar mais de 50% a menos que homens não negros, mostrando que gênero e raça se combinam para ampliar as injustiças sociais.

Outro problema estrutural é a divisão desigual do trabalho doméstico. Mesmo trabalhando fora, as mulheres continuam dedicando muito mais tempo às tarefas de cuidado e da casa. Em média, elas trabalham mais de duas horas a mais por dia do que os homens, quando se soma o trabalho remunerado e o doméstico.

Essa dupla jornada limita oportunidades, dificulta a ascensão profissional e aprofunda desigualdades.

Ainda assim, os avanços são inegáveis. Nas últimas décadas, o número de mulheres ocupadas cresceu significativamente. Entre 2016 e 2025, por exemplo, o total de mulheres trabalhando passou de 37,9 milhões para 44,6 milhões. Esse crescimento mostra a força e a capacidade das mulheres de transformar a sociedade quando têm oportunidades.

Mas os números também deixam claro que a igualdade ainda está distante. As mulheres são maioria nas estatísticas de desemprego, ganham menos, ocupam menos cargos de liderança e enfrentam mais precariedade no trabalho.

Por isso, falar do crescimento da mulher no mercado de trabalho não é apenas celebrar conquistas. É lembrar que cada avanço foi fruto de mobilização social, de organização coletiva e da luta por direitos.

Licença-maternidade, leis contra a discriminação, políticas de igualdade salarial e maior presença feminina em sindicatos e espaços de decisão não surgiram por acaso. Foram conquistas arrancadas pela pressão das mulheres organizadas. O desafio agora é avançar ainda mais. Isso significa defender igualdade salarial real, ampliar políticas de cuidado, combater a discriminação no trabalho e garantir mais mulheres em cargos de liderança.

Uma sociedade mais justa depende da igualdade entre homens e mulheres. E essa igualdade não virá espontaneamente. Ela continuará sendo construída pela mobilização, pela organização e pela luta.

O caminho está sendo percorrido. Mas ainda há muito chão pela frente. E as mulheres brasileiras já provaram muitas vezes que sabem como caminhar juntas para transformá-lo.

Que esse caminho continue sendo ampliado. Que mais mulheres ocupem espaços, liderem, decidam e transformem a sociedade.

Viva as mulheres! O que seria do Brasil sem elas?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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