Ou Toffoli tem cota no Resort ou é dono
Jornalista Eduardo Guimarães, a mídia usa ataques a Toffoli e ao STF como cortina de fumaça para blindar bolsonaristas envolvidos no escândalo do Banco Master
A volúpia do “noticiário” de guerra contra Toffoli é tanta que Folhas, Estadões e Metrópoles produziram prova contra si mesmos. Tudo feito com amor e carinho para blindar os governadores “bolsomasters”.
Como Toffoli pode ser dono do Resort se a própria mídia informa, entrelinhas, que ele comprou mera cota de uma das casas no empreendimento, via sistema multipropriedade, por 750 mil reais?
Uma cota, para quem não conhece esse modelo de empreendimento, dá direito àquele que a compra de usar o imóvel por apenas algumas semanas por ano.
Enquanto governadores bolsonaristas de São Paulo, Rio e DF metem BILHÕES do erário no Banco Master, quase não se fala deles nesse noticiário da mídia conservadora que usa Toffoli, Moraes e o STF como cortina de fumaça.
Ele é usado em posts e reels para destacar como Tarcísio de Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF) – todos eleitos na onda bolsonarista de 2022 – estão no centro do escândalo, com investimentos públicos em títulos podres sem cobertura do FGC.
A delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, agravou a situação ao implicar diretamente Ibaneis Rocha. Vorcaro contou à PF que conversou múltiplas vezes com o governador do DF, inclusive em sua casa, sobre a venda do banco ao BRB, controlado pelo governo do DF
Detalhe: Ibaneis meteu 16,7 bilhões de reais no banco golpista. Na mídia, a repercussão é quase inaudível e expira mais rápido que um cacho de bananas maduras.
No Rio, Cláudio Castro foi atingido pela Operação Barco de Papel da PF, que investigou aplicações de até R$ 2,6 bilhões do Rio previdência em títulos do Master.
Castro exonerou o presidente do fundo no dia da operação, mas as suspeitas de irregularidades persistem, arrastando o governador para o epicentro da crise invisível.
Tarcísio de Freitas aparece em conexões indiretas, como doações de campanha de R$ 5 milhões do cunhado de Vorcaro para sua eleição e a de Bolsonaro.
Apesar de menos diretas, essas ligações reforçam a predominância bolsonarista no escândalo, com redes políticas da direita impulsionando o banco falido.
Investigações mostram que o caso atinge principalmente a direita e o Centrão, sem governadores de esquerda envolvidos.
Figuras como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski tomam o lugar dos bolsomasters por terem supostas ligações com o banco - nada que se compare ao envolvimento dos governadores "bolsomasters".
A mídia desvia o assunto para Toffoli para proteger o “bolsonarista moderado” fluminense-paulista, que teve o cunhado de Daniel Vorcaro como o maior doador de sua campanha. E uma pecuarista metida até o pescoço com o PCC como segunda maior doadora.
A hipocrisia desses meios de comunicação se escancara ainda mais ao compararmos a suposta cota de Toffoli no Resort com a suntuosa mansão que Flávio Bolsonaro comprou em Brasília sem ter recursos declarados para comprá-la.
O ex-governador João Doria acusou o filho 01 de Jair Bolsonaro de mentir sobre o valor da mansão. Disse que a propriedade nababesca vale, na verdade,14 milhões de reais – mais de 18 vezes o custo da suposta cota de Toffoli.
Flavio Bolsonaro ameaçou processar Doria por tal acusação, mas jamais levou a ameaça adiante porque, se o fizesse, teria que haver uma avaliação profunda do valor da cinematográfica mansão.
A mídia pouco fala sobre casos muito mais relevantes relativos ao golpe do banco Master. Enquanto isso, ataca incansavelmente ministros do STF. Eis um filme B que já vimos incontáveis vezes.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


