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Irmãos do ministro Dias Toffoli formaram sociedade em novo resort

O empreendimento, batizado de Tayayá Porto Rico, foi projetado para ter 240 apartamentos e cerca de 300 casas, algumas delas com área superior a 300 m²

Ilustração do Tayayá Resort (Foto: Tayayá Resort/Divulgação)

247 - Dois irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli integraram o quadro societário de um segundo resort da rede Tayayá, localizado no município de São Pedro, na divisa entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo e envolvem o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli e o padre José Carlos Dias Toffoli.

Segundo a reportagem, o empreendimento, batizado de Tayayá Porto Rico, foi projetado para ter 240 apartamentos e cerca de 300 casas, algumas delas com área superior a 300 metros quadrados (m²). Apesar de as obras não terem sido concluídas, o resort é descrito como mais sofisticado do que o primeiro empreendimento da rede, localizado em Ribeirão Claro (PR), do qual os irmãos também foram sócios.

O Tayayá Porto Rico ganhou visibilidade pública durante eventos realizados ao longo de sua implantação. Em uma das festas de inauguração de uma etapa das obras, o local recebeu mais de 1,5 mil convidados em um evento que contou com show do cantor Seu Jorge.

Estrutura societária e venda da participação

Embora o empreendimento seja apresentado publicamente como uma parceria entre o empresário do setor imobiliário Patrick Ferro e o apresentador do SBT Carlos Roberto Massa, o Ratinho, documentos societários indicam que os irmãos do ministro Toffoli detiveram, formalmente, 18% de participação no resort entre os anos de 2021 e 2025. Em fevereiro do ano passado, ambos venderam suas cotas no negócio.

Ratinho não se manifestou até a publicação da reportagem. Já José Eugênio Dias Toffoli afirmou que “todas as informações se encontram devidamente declaradas pela empresa Maridt em suas declarações anuais para a Receita Federal do Brasil”. José Carlos Dias Toffoli também comentou o caso de forma breve, dizendo: “Até logo, passar bem. Vocês estão extrapolando”.

Operação Compliance Zero

A participação dos irmãos Toffoli no setor hoteleiro aparece no contexto de apurações mais amplas relacionadas à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. De acordo com as investigações, metade da fatia dos irmãos no resort de Ribeirão Claro, avaliada em R$ 6,6 milhões, foi vendida a fundos controlados pelo pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

As movimentações financeiras de Vorcaro são analisadas paralelamente às investigações centrais da operação. Segundo a Polícia Federal, as supostas fraudes atribuídas ao Banco Master podem ter alcançado R$ 17 bilhões, envolvendo a emissão e negociação de títulos de crédito considerados falsos pelas autoridades.

No âmbito das apurações, o ministro Dias Toffoli autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas físicas e jurídicas investigadas. A decisão também determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens pertencentes a 38 alvos da investigação.

As investigações seguem em curso, com análise detalhada das relações societárias, das transações financeiras e de eventuais vínculos entre os empreendimentos privados e os recursos sob suspeita no caso do Banco Master.

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