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Jatinho que levou Toffoli à final da Libertadores também pousou perto de resort associado à família do ministro

Registros de voo indicam coincidência entre viagens da aeronave e diárias de seguranças do Judiciário em cidade próxima ao empreendimento

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - A aeronave utilizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para viajar à final da Libertadores de 2025, em Lima, no Peru, também realizou deslocamentos para uma região próxima ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, empreendimento que teve participação de familiares do magistrado. Os dados de voos indicam que essas viagens coincidiram com períodos em que seguranças a serviço do Judiciário receberam diárias para atuar na mesma localidade, segundo levantamento de registros oficiais consultados pelo jornal O Globo.

A análise dos registros mostra que a aeronave, registrada em nome de uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore, fez ao menos dois trechos entre Ourinhos, no interior de São Paulo, e Brasília, nos meses de março e agosto do ano passado. Nas mesmas datas, constam pagamentos de diárias pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com sede em São Paulo, para seguranças que acompanharam um ministro do STF em Ribeirão Claro, município localizado a cerca de 40 quilômetros de Ourinhos, que abriga o aeroporto mais próximo da região.

Situado às margens de uma represa e classificado como um destino de alto padrão, o resort Tayayá passou a ocupar o centro de uma crise institucional envolvendo a atuação de Toffoli em investigações relacionadas ao Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. O ministro é relator do processo que atinge diretamente Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.

Reportagens publicadas anteriormente pela Folha de São Paulo e pelo Estado de São Paulo apontaram que Fabiano Zettel, pastor e empresário e cunhado de Vorcaro, está ligado a uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora Reag, investigada por suspeitas de fraudes no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo essas publicações, por meio de um desses fundos, Zettel adquiriu, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, operação avaliada à época em R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos do ministro, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio, e um dos familiares de Toffoli exercia a administração do resort naquele período.

Dados de diárias pagas a servidores do Judiciário indicam que seguranças estiveram em Ribeirão Claro durante 128 dias desde 2022. O Globo informou ter procurado tanto Luiz Osvaldo Pastore quanto o ministro Dias Toffoli para esclarecimentos sobre os deslocamentos e as coincidências apontadas nos registros.

Em dezembro, o colunista Lauro Jardim, do O Globo, revelou que Toffoli foi um dos passageiros do jatinho de Pastore em um voo para Lima, no Peru. Na mesma viagem, estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, um dos investigados no caso do Banco Master. O cruzamento dos dados de voo também mostra que, em 7 de março de 2025, às 11h30, a aeronave partiu de Ourinhos com destino a Brasília, período em que havia agentes de segurança em Ribeirão Claro entre os dias 2 e 6 de março. Em outra ocasião, em 1º de agosto, o trajeto foi inverso, de Brasília para Ourinhos, coincidindo com diárias pagas a seguranças entre os dias 1º e 4 daquele mês.

O ministro também utilizou a mesma aeronave no retorno de um evento realizado em Roma, na Itália, em novembro de 2025. Na ocasião, Toffoli afirmou que não cobrava “nenhum tipo de cachê e tem as despesas de passagem e hospedagem pagas pelo evento, sem gasto de dinheiro público”. Sobre Luiz Osvaldo Pastore, declarou tratar-se de seu “amigo pessoal”, acrescentando que “não há conflito de interesses”.

Na quinta-feira (22), um vídeo divulgado pelo portal Metrópoles mostrou Dias Toffoli recebendo, no resort Tayayá, Luiz Osvaldo Pastore e o banqueiro André Esteves. Pastore é um empresário paulista radicado no Espírito Santo, com atuação em áreas como importação, indústria e administração de imóveis.

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