Diárias para seguranças do STF somam 128 dias em cidade de resort associado à família de Toffoli
Registros do TRT-2 indicam gastos de R$ 460 mil entre 2022 e 2025 para “apoio à segurança de autoridades"
247 – Pagamentos de diárias a agentes de segurança que atuam em apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam 128 dias de deslocamentos, entre 2022 e 2025, concentrados em feriados, fins de semana prolongados e períodos de recesso do Judiciário, para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, frequentemente visitado pelo ministro Dias Toffoli. O custo total apurado é de R$ 460 mil, segundo registros do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), responsável pelos lançamentos das viagens solicitadas pelo STF.
A apuração foi publicada por O Globo, com base em registros do TRT-2, que apontam que os deslocamentos tiveram como finalidade “apoio à segurança de autoridades da Corte”, embora o tribunal não informe qual ministro foi atendido em cada ocasião. As informações sobre os deslocamentos, segundo a reportagem, foram antecipadas pelo Metrópoles.
O que mostram os registros: recesso concentra a maior parte das diárias
De acordo com os dados citados na reportagem, a maior parte dos dias de viagens (75) ocorreu durante o recesso do Judiciário, que se dá em janeiro, julho ou dezembro. Outros 37 dias incluem, ao menos parcialmente, fins de semana. E 16 dias correspondem a períodos que abrangem feriados nacionais, como Carnaval e Corpus Christi.
O ponto sensível, ressaltado na reportagem, é o destino recorrente: a região onde está localizado o resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. O empreendimento já pertenceu a familiares do ministro Dias Toffoli e, mesmo sem participação direta atribuída ao magistrado, ele é descrito como frequentador do local.
O TRT-2, por sua vez, não detalha publicamente a autoridade específica acompanhada em cada viagem, limitando-se ao registro de que a missão se deu por solicitação do STF, no contexto de proteção institucional.
O STF se pronuncia e defende o protocolo de proteção a ministros
Procurado, o Supremo declarou, em nota, que a Secretaria de Polícia Judicial é responsável por zelar pela segurança dos ministros e que o dimensionamento da equipe varia conforme a avaliação de risco. A Corte enfatizou que a proteção pode ocorrer em agendas institucionais ou não.
Em trecho da nota, o STF afirmou: "Assim, é definida a quantidade de agentes que acompanhará determinado ministro em quaisquer agendas. Destaca-se que os ministros são protegidos, caso necessário, em agendas institucionais ou não, porque o risco não ocorre somente na agenda institucional. Tal procedimento é mundial para as autoridades públicas".
O ministro Dias Toffoli, segundo a reportagem, não se manifestou sobre os pagamentos de diárias, nem sobre a recorrência do destino apontado pelos registros.
Resort Tayayá vira epicentro de crise em meio ao caso Banco Master
A reportagem situa o resort Tayayá no centro de uma crise interna no Supremo ligada à atuação de Toffoli nas investigações que envolvem o Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é relator do caso, que atinge diretamente Daniel Vorcaro, dono do banco, e que se tornou foco de questionamentos dentro e fora do Judiciário.
O tensionamento cresceu após reportagens da Folha de S.Paulo e do jornal Estado de S. Paulo apontarem conexões societárias envolvendo o resort e personagens citados em investigações. Conforme descrito, o pastor e empresário Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, na semana anterior à publicação de O Globo — estaria ligado a uma rede de fundos de investimento geridos pela Reag, gestora investigada por fraudes no âmbito da mesma operação e posteriormente liquidada.
Segundo as publicações mencionadas, por meio de um desses fundos, Zettel teria comprado, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no Tayayá, em uma transação avaliada em R$ 6,6 milhões à época. A Maridt, empresa dos irmãos do ministro, teria passado a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos do magistrado administrava o resort naquele período, de acordo com a reportagem.
Esse conjunto de relações empresariais e familiares, ainda que não atribua participação direta ao ministro no empreendimento, alimenta suspeitas e amplia o desgaste institucional, especialmente porque o Tayayá segue associado a encontros familiares e visitas do magistrado, conforme relatado.


