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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Petróleo recua com expectativa de acordo EUA-Irã, mas estrago da inflação mantém Copom em alerta

Petróleo em queda alivia mercados, mas inflação persistente mantém pressão sobre o Copom às vésperas da decisão sobre a Selic

Banco Central (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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O preço do petróleo desabou na manhã desta segunda-feira, recuando para abaixo dos US$ 90 por barril e atingindo a mínima de dois meses. O movimento responde à expectativa de que Estados Unidos e Irã assinem, na próxima sexta-feira, um acordo que destravaria a passagem pelo Estreito de Ormuz. É o primeiro avanço significativo no tema depois de semanas de tensão — embora reste a dúvida, sempre presente, sobre se o entendimento se concretizará de fato.

Por ora, a notícia bastou para acalmar os mercados. O real opera em forte valorização, com o dólar abaixo de R$ 5,05; os juros futuros longos recuam para a casa dos 14%; e as bolsas sobem. É um começo de semana bem mais tranquilo do que o pico de estresse da semana passada, quando o dólar disparou. O alívio, porém, chega tarde para apagar o estrago já causado nos preços.

O Relatório Focus divulgado nesta manhã trouxe nova piora nas expectativas de inflação: 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027 — ambas muito acima da meta de 3%. O dado reforça o quadro desenhado pelo IPCA de maio, conhecido na sexta-feira: alta de 0,58%, o pior resultado para o mês desde 2021. Em 12 meses, o índice já corre a 4,72%, acima do teto da meta, e, no acumulado do ano, soma 3,20% — ou seja, em apenas cinco meses, a inflação já superou o centro da meta fixada para todo o exercício.

A deterioração foi puxada pela volta da pressão em alimentação, grupo que avança 1,33% no mês, e por vestuário, em meio à desvalorização cambial que marcou maio. O índice de difusão recuou marginalmente, de 65,3% para 65%, mas, excluído o grupo de alimentos, subiu para 67,9% — sinal de que a inflação se dissemina para além dos alimentos.

Nesse contexto, a reversão no preço do petróleo é peça essencial para a política monetária, às vésperas das reuniões do Fed e do Copom, ambas na quarta-feira. Nos Estados Unidos, a leitura predominante é de que o banco central manterá os juros parados e endurecerá o discurso, diante de indicadores de inflação ruins tanto ao consumidor (CPI) quanto ao produtor (PPI).

No Brasil, a grande dúvida é se o ciclo de cortes chega ao fim. Com a Selic em 14,50%, o mercado se divide entre quem ainda aposta em um corte de 0,25 ponto e quem acredita que o ciclo já se encerrou. São três os cenários sobre a mesa: manter a taxa em 14,50% e dar o ciclo por encerrado; cortar 0,25 ponto, para 14,25%, encerrando o ciclo; ou cortar 0,25 ponto, mantendo a porta aberta para novos passos — a alternativa mais branda.

A decisão é espinhosa. De um lado, o juro está em patamar muito restritivo: a conta de juro real de equilíbrio do próprio BC é de 5%, o que, somado à inflação, apontaria para algo próximo de 10% — bem abaixo dos atuais 14,50%. De outro, as expectativas se deterioram com rapidez e os indicadores correntes seguem ruins. O Copom mira o fim de 2027, seis trimestres à frente, mas a inflação já tem cara de 4,10% para o fim do ano que vem. Resta acompanhar os dados e as decisões dos bancos centrais ao longo da semana.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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