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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Primeiras respostas ao sequestro de Maduro pelos EUA

A estratégia americana, querendo sequestrar o petróleo mundial para voltar a ter o dólar como moeda fracassou

Nicolás Maduro (Foto: Reuters/Adam Gray)

Após o bombardeio na Venezuela, que matou quase 100 venezuelanos, o Partido Republicano deveria se lembrar das palavras da plataforma do partido Democrata de 1900, após a invasão das Filipinas: “Nenhuma nação pode suportar por muito tempo meio república e meio império. O imperialismo no exterior levará rápida e inevitavelmente ao despotismo em casa.” Isso porque Trump segue a cartilha do presidente William McKinley (1897-1901), que representou o imperialismo mais cru, com a vitória na guerra Hispano-Americana, tarifas protecionistas e fortalecimento da indústria, o que caracterizou uma prosperidade econômica para o país. Mas o presidente americano é um jogador, sendo muitas vezes chamado de "jogador de pôquer" ou "truco" para descrever seu estilo de negociação e blefe. 

O mundo inteiro rechaçou a invasão, menos Argentina e Trinidad e Tobago, que não teve legalidade pela ONU e nem no próprio país. Entendam que mesmo alguém odiando o Maduro, a invasão é ilegal à luz do direito internacional.  Violação do artigo 2º da Carta da ONU, que diz: "Todos os Membros deverão abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado." A perspectiva de condenação de todos os países é clara e abre precedentes para os países mais fortes atuarem da mesma forma, deixando a ONU sem legitimidade, apenas um palco para discursos. Lembrando que em Outubro de 1938, Adolf Hitler anexou os Sudetos, com muitos recursos naturais e indústrias. O resto do mundo discutiu polidamente sobre o tema. Em 39 Hitler anexou toda Tchecoslováquia e começou a II Guerra Mundial.

Lembrando que as petroleiras americanas ficavam com 85% do valor da receita e a Venezuela com 15%. Hugo Chávez entra e inverte a lógica e a Venezuela passa a ficar com 85% do valor e as petroleiras americanas com 15%. Por isso, o ódio americano ao regime Chavista e de Maduro. Com isso, a Venezuela passa a crescer em média 10% ao ano e o processo acaba zerando o analfabetismo e melhorando as bases sociais. Os Estados Unidos tentou implementar apoiando os golpes através do judiciário em vários países da América Latina para retomar as “posses” do seu quintal, mas não conseguiu na Venezuela. Com os embargos e sanções econômicas contra a Venezuela, em 2012, indústrias são fechadas, aumentam o desemprego, o bloqueio acaba com programas sociais e sob um ataque da mídia paga pelas petroleiras. A precarização aumenta a chance da extrema direita atacar sob esse viés.

A primeira resposta já chegou. O petróleo venezuelano é importante, sendo a maior produtora do mundo. O refino sempre foi feito nos Estados Unidos, mas agora eles querem inverter novamente a lógica, além de tentar manter o dólar como moeda oficial nas relações internacionais. Xi Jinping  e Vladimir Putin aceleram agora a construção financeira multilateral. Pequim retira 500 bilhões de títulos do tesouro americano e converteu em ouro e reservas energéticas venezuelanas. Desde 1971 não havia uma liquidação de ativos desse porte. As negociações serão em Petroyuan. A Rússia vai exportar em Rublos ou Iuanes. Na Venezuela os sistemas de pagamentos foram transferidos para bancos chineses e russos. A estratégia americana, querendo sequestrar o petróleo mundial para voltar a ter o dólar como moeda fracassou. O ódio aos Brics que já estavam tentando usar moedas diferentes em negociações internacionais, agora se fortalece.

Outra resposta é a legitimação da lei do mais forte. Enquanto os EUA ficam com a Venezuela, Rússia poderá ficar com a Ucrânia e China com Taiwan. Trump ainda fala em entrar na Colômbia, anexar a Groenlândia, anexar o México e Canadá, mudar o nome do Golfo do México para Golfo das Américas. Só que temos a reação, além desses países, o Irã falou que a Venezuela é um parceiro estratégico que estará sob a proteção da República Islâmica e que qualquer novo ataque, será respondido por Teerã. E já levaram armamentos para Venezuela em 48 horas, ameaçando os EUA em zonas do Caribe. O anti-americanismo cresceu rapidamente em progressão geométrica. O tiro americano saiu pela culatra.

E pensar que tudo começou quando as fotos comprometedoras das relações de Trump com Jeffrey Epstein Iriam a público. No final, tudo é sobre sexo e poder.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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