Ao levar Maduro a julgamento, os EUA passam a ser julgados pelo mundo, diz Global Times
Editorial aponta reação internacional na ONU e critica ações militares dos EUA contra a Venezuela
247 - Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas e um julgamento de grande repercussão ocorreram no mesmo dia em Nova York, revelando a escalada das tensões internacionais envolvendo a Venezuela. No centro do debate esteve a reação global às ações militares dos Estados Unidos contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, tema que mobilizou diplomatas e representantes de diversos países na sede da ONU, em Nova York.
O episódio e suas implicações foram analisados em editorial do Global Times, que destacou a forte convergência entre membros do Conselho de Segurança e representantes internacionais em defesa da Carta das Nações Unidas e da rejeição ao uso da força como meio de resolução de disputas internacionais. Segundo o texto, esse posicionamento coletivo evidencia que a defesa do direito internacional não atende a interesses isolados, mas constitui um consenso básico da comunidade global.
Durante a reunião, o secretário-geral da ONU e representantes de diferentes regiões enfatizaram que ações unilaterais, sem autorização do Conselho de Segurança e fora das condições de legítima defesa, violam princípios fundamentais do sistema internacional. O editorial sustenta que o uso da força militar contra um Estado-membro soberano, incluindo o sequestro de seu chefe de Estado, configura uma agressão aberta e carece de legitimidade jurídica.
O texto também critica as justificativas apresentadas por Washington, classificando-as como tentativas de sobrepor acusações internas ao direito internacional e de substituir mecanismos diplomáticos multilaterais por decisões unilaterais. Para o Global Times, esse comportamento representa uma prática hegemônica que enfraquece a força vinculante universal das normas internacionais e compromete o próprio arcabouço institucional que sustenta a ordem mundial do pós-Segunda Guerra.
Segundo o editorial, princípios como igualdade soberana, não interferência em assuntos internos e a proibição do uso ou da ameaça de força são pilares da estabilidade global. Permitir que um país decida sozinho “quem é culpado, quem deve ser punido e como a punição deve ser aplicada” reduziria o direito internacional a um instrumento de aplicação seletiva, esvaziando o sistema de segurança coletiva da ONU.
A análise ressalta ainda que experiências históricas demonstram que a substituição de regras por puro poder não gera estabilidade duradoura. Desde o fim da Guerra Fria, intervenções unilaterais e o desrespeito às Nações Unidas têm resultado em crises prolongadas, colapsos institucionais e graves consequências humanitárias, com custos elevados para toda a comunidade internacional.
No caso específico da América Latina e do Caribe, o editorial alerta que o ambiente de paz construído ao longo de décadas não deve ser comprometido por políticas de poder. As ações militares dos Estados Unidos contra a Venezuela, seguidas por ameaças dirigidas a países como Colômbia e Cuba, são apontadas como sinais de que práticas hegemônicas continuam a representar riscos à estabilidade regional e global.
O Global Times conclui que, ao levar Nicolás Maduro a julgamento, os Estados Unidos também se colocaram sob o escrutínio da comunidade internacional. Qualquer iniciativa que enfraqueça a autoridade das Nações Unidas ou negue a força do direito internacional tende a se voltar contra a própria potência que a promove. Para o editorial, nenhum país pode se arrogar o papel de polícia ou juiz do mundo, e somente o compromisso com o multilateralismo, o diálogo e os princípios da Carta da ONU poderá conduzir o sistema internacional a uma ordem mais estável e justa.




