Quaest abre novo rombo em Flávio "Titanic"
Quaest mostra Flávio em queda contra Lula e avanço da rejeição entre eleitores independentes após caso Master
Se a censura do ministro Kassio Nunes Marques à AtlasIntel pretendia conter a entrada de água, o efeito político pode ter sido o contrário. A decisão suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel registrada no TSE, sob suspeita de indução ao eleitor, com restrição também a impulsionamento e republicação do levantamento.
A Folha registrou que o TSE adiou a análise do caso depois de Kassio votar para manter a censura pedida por Flávio Bolsonaro. O mesmo texto informou que a Atlas/Bloomberg apontava queda de seis pontos de Flávio no segundo turno contra Lula após o caso “Dark Horse”, com áudios ligados a Daniel Vorcaro.
Agora, veio a Quaest. E a nova rodada não tampa o furo. Abre outro no casco.
Não dá para saber se é só o caso Vorcaro. Pode ser também a dificuldade de parecer moderado, a aproximação com o núcleo mais tóxico do bolsonarismo, ou simplesmente a força eleitoral de Lula.
O fato é que Flávio perdeu terreno onde mais precisava ganhar. Não é apenas uma fotografia ruim, é uma sequência.
No segundo turno contra Lula, Flávio aparecia na frente em abril, por 42% a 40%. Em maio, Lula virou por 42% a 41%.
Em junho, a Quaest mostra Lula com 44% e Flávio com 38%. A margem Lula menos Flávio saiu de menos 2 para mais 6 pontos em dois meses.
Esse é o primeiro rombo. O segundo é mais fundo, porque aparece entre independentes.
Nesse grupo, Lula saiu de 26% em abril para 29% em maio e chegou a 37% em junho. Flávio fez o caminho inverso, caiu de 33% para 31% e depois despencou para 24%.
A margem entre independentes saiu de 7 pontos a favor de Flávio para 13 pontos a favor de Lula. É uma virada de 20 pontos de margem no eleitorado menos alinhado.
Isso muda a natureza da disputa. Flávio ainda tem base, mas começa a perder o miolo.
No primeiro turno, a curva repete o alerta. Em abril, Lula tinha 37% e Flávio, 32%.
No arquivo de maio, os dois aparecem empatados em 33%. Em junho, a disputa vira 39% a 29% para Lula, uma vantagem de 10 pontos.
O detalhe mais interessante está nos recortes. O Nordeste segue forte para Lula, mas a novidade não está só no território mais previsível.
No Sudeste, Lula saiu de 31% contra 36% de Flávio em abril para 37% contra 28% em junho. A margem mudou de menos 5 para mais 9.
No Centro-Oeste e Norte, Lula foi de 26% contra 36% para 32% contra 30%. A margem saiu de menos 10 para mais 2.
Também há deslocamento social. Na renda de 2 a 5 salários mínimos, Lula foi de 31% contra 36% para 39% contra 28%.
No ensino médio, Lula saiu de 30% contra 37% para 34% contra 32%. São recortes de meio do eleitorado, não apenas redutos naturais do lulismo.
A rejeição também piora o diagnóstico. Flávio fica travado em 39% no grupo que o conhece e votaria nele.
Ao mesmo tempo, o grupo que conhece e não votaria sobe de 52% em abril para 54% em maio e 56% em junho. O desconhecimento cai de 9% para 5%. Mais exposição, mesmo teto.
A imagem de moderação também sangra. Em abril e maio, 39% diziam que Flávio era mais moderado que a família Bolsonaro, mas esse número cai para 33% em junho.
No mesmo período, os que dizem que ele não é mais moderado sobem para 50%. O figurino de bolsonarismo palatável está rasgando antes de a campanha começar.
Então, chega o caso Master. A Quaest mostra que 55% dizem já saber das conversas e negociações de Flávio com Vorcaro.
Os números seguintes são devastadores. Para 65%, Flávio errou ao pedir financiamento a Vorcaro, 60% dizem que as conversas levantaram suspeitas e 58% consideram que ele pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso do Banco Master.
A pesquisa ainda mostra 62% dizendo acreditar que Flávio sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção. São percepções do eleitorado, não sentença judicial, mas, em eleição, percepção afunda casco.
Entre independentes, o quadro é ainda mais perigoso para ele. São 67% dizendo que Flávio errou, 63% vendo suspeitas nas conversas e 64% dizendo que ele pode estar escondendo envolvimento ilegal.
As notícias sobre Flávio e Vorcaro não destroem sua base dura. Mas endurecem seu teto.
No total, 50% dizem que continuam sem votar em Flávio e 12% afirmam que a vontade de votar nele diminuiu. Apenas 6% dizem que a vontade aumentou.
Entre independentes, 57% dizem que continuam sem votar nele e 15% dizem que a vontade diminuiu. Esse é o mesmo grupo em que Lula abriu 13 pontos no segundo turno.
Os outros cenários de segundo turno dizem menos neste momento. Zema, Caiado e Renan aparecem mais como nomes de prateleira do que como alternativas reais na disputa.
A disputa central continua sendo Lula contra Flávio. E, nesse confronto, a Quaest não entregou uma boia ao senador.
Entregou mais água. Flávio ainda flutua porque o bolsonarismo é grande, mas o centro já começa a se afastar do convés.
Base fiel mantém navio visível. Eleitor independente decide se ele chega ao porto.






* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




