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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Ratinho joga a toalha na disputa pelo Planalto para controlar a sucessão no PR

A leitura política é simples: Ratinho trocou a aventura nacional pelo comando do próprio quintal

Ratinho Junior (Foto: Agência Estadual de Notícias do Paraná)

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistiu nesta segunda-feira (23) de disputar a Presidência da República em 2026, decidiu permanecer no Palácio Iguaçu até dezembro e saiu da disputa interna do PSD para a escolha do nome ao Planalto. A decisão foi comunicada ao partido em nota oficial divulgada após conversa com a família e com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Na versão distribuída por sua assessoria, Ratinho sustenta que vai concluir o compromisso assumido com o eleitorado paranaense e manter o foco na gestão estadual. O comunicado também afirma que, encerrado o mandato, ele pretende voltar ao setor privado e assumir o grupo de comunicação criado por seu pai.

Politicamente, a escolha encerra a pressão imediata sobre o governador. O calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixa o dia 4 de abril como marco de seis meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. É justamente essa a data-limite para quem ocupa mandato executivo e pretende disputar outro cargo deixar a função atual.

No Paraná, o efeito é direto. Ao jogar a toalha e ficar no cargo, Ratinho preserva a caneta, o palanque e a capacidade de comandar pessoalmente a própria sucessão. Só que o governismo segue sem martelo batido. O entorno do Palácio Iguaçu vinha trabalhando o nome do secretário Guto Silva, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), continuava à espera de uma definição, com ponte aberta no Republicanos.

Em Brasília, o recuo muda a correlação dentro do PSD. Sem Ratinho, o partido fica mais pressionado a resolver a disputa entre Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Eduardo Leite (PSD-RS). O noticiário desta segunda já aponta Caiado como favorito na corrida interna, num momento em que Ratinho era tratado como um dos nomes mais competitivos fora da polarização nacional.

A leitura política é simples: Ratinho trocou a aventura nacional pelo comando do próprio quintal. Evitou uma renúncia arriscada, manteve o governo nas mãos e chega à campanha como fiador do candidato que escolher. O problema é que, sem a perspectiva do Planalto para manter o grupo unido, a disputa pela herança política no Paraná tende a ficar mais áspera já nos próximos dias.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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