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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Relatório do BC joga uma pá de cal nas supostas pressões de Alexandre de Moraes

Os “seis telefonemas” só poderiam ter sido imaginados por um roteirista bêbado

Alexandre de Moraes (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Depois de ler o relatório que o Banco Central enviou ao Ministério Público Federal, sete dias após a liquidação do Banco Master, e anteontem ao TCU, respondendo a um questionamento do ministro Jhonatan de Jesus, fica difícil imaginar que tipo de pressão o ministro Alexandre de Moraes teria feito ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, na reunião e nos tais seis telefonemas, noticiados por O Globo e pelo Estadão.

Diz o relatório que o Master vivia “profunda e crônica crise de liquidez” e praticava “grave e reiterado descumprimento de normas que disciplinam sua atividade”.

Afirma, também, que “havia indícios de gestão fraudulenta”, “operações sem lastro” e “uso de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica”.

Os recursos do Master “foram reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas”, com o objetivo de “dar aparência formal a transações com a mesma origem e o mesmo beneficiário final”.

“Tal dinâmica”, segue o relatório, “além de violar princípios de transparência e segregação fiduciária, pode configurar fraude na gestão e simulação de operações financeiras, nos termos da legislação penal aplicável”.

A liquidação do banco, em novembro, ocorreu após “esgotamento de alternativas, e a reversão acarretaria graves danos ao sistema financeiro”.

“Diante do esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado, a identificação de crítica situação econômico-financeira, que impediria a instituição de honrar suas obrigações, e a verificação de irregularidades graves — com indícios de crimes que afetavam o valor dos ativos do conglomerado e comprometiam sua solvência —, a liquidação foi decretada como medida indispensável para a proteção do sistema financeiro e da poupança popular”.

O robusto relatório ainda lista seis pontos de irregularidades, tais como “atrasos na entrega de documentos regulamentares e contábeis por parte de todas as entidades do Conglomerado Prudential Master, exceto a Will Financeira”; “esgotamento de carteiras de crédito geradoras de fluxo de caixa”; “comprometimento da solvência do conglomerado em razão da necessidade de realização de ajustes contábeis obrigatórios, decorrentes de ativos problemáticos e sem liquidez, com potencial de redução em R$ 20 bilhões no patrimônio”; “incapacidade de recompor minimamente o recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo, em decorrência de estratégias de negócio que, além de inadequadas, foram permeadas por condutas que extrapolaram limites da boa prática bancária”; “realização de operações estruturadas com clientes da linha corporate que não geraram fluxos financeiros relevantes, sem observância dos princípios de garantia, liquidez e diversificação de riscos” e, finalmente, “cessão de carteiras de créditos ao BRB, com operações insubsistentes ou com ativos cuja existência não poderia ser comprovada”.

Diante do exposto, qual teria sido a pressão de Moraes sobre Galípolo nos “seis telefonemas” e “nas reuniões sigilosas”?

Teria sido algo como “ô Galípolo, não quero que você liquide o Master para a minha mulher não perder o contrato milionário que assinou com ele”?

Alguma chance de Moraes, conhecido seu perfil, ter feito isso e, assim, jogar no lixo a reputação que construiu ao longo dos últimos anos?

Alguma chance de Galípolo atender à “pressão”, apesar da coleção de crimes que o diretor de fiscalização do BC já tinha apontado no banco de Daniel Vorcaro, com buraco de R$ 20 bilhões, e assim encerrar seu futuro promissor?

Alguém consegue imaginar que Galípolo mandaria brecar a liquidação do banco bandido, que poderia afetar todo o sistema financeiro, para salvar o contrato da mulher de Moraes?

Somente o roteirista bêbado de um documentário da Netflix “baseado em fatos reais”.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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