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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Renato Fica leva 2 mil a ato contra cassação

Manifestação transformou o processo de cassação contra o petista em disputa pública sobre voto popular, racismo, segurança pública e representação política

Gleisi Hoffmann e Renato Freitas durante ato contra cassação do mandato do parlamentar (Foto: Reprodução)
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O deputado estadual Renato Freitas (PT) levou cerca de 2 mil apoiadores à Praça Santos Andrade, em Curitiba, neste sábado (6), em um ato pela preservação de seu mandato na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A manifestação Renato Fica transformou o processo de cassação contra o petista em disputa pública sobre voto popular, racismo, segurança pública e representação política.

O protesto ocorreu depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep manter o parecer do Conselho de Ética pela perda do mandato de Renato. A decisão final ainda depende do plenário da Assembleia, onde a cassação precisa de maioria absoluta para ser confirmada.

Na praça, o eixo político do ato foi direto: os apoiadores trataram o processo como tentativa de calar um parlamentar negro, de esquerda e ligado às periferias. Renato, que já teve sua trajetória registrada pelo Blog do Esmael, enfrenta a etapa mais grave desde que o Conselho de Ética recomendou a punição máxima.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) foi uma das principais lideranças presentes. Em discurso, ela afirmou que o mandato de Renato “foi concedido pelo povo do Estado do Paraná” e disse que a defesa do deputado ultrapassa a situação individual do parlamentar.

“Se agridem Renato, agridem essa luta e essa causa”, disse Gleisi, ao vincular o processo à luta contra o racismo, a exclusão e o preconceito. A parlamentar afirmou que Renato deu voz “a quem não tinha voz” e comparou a ofensiva contra ele a uma reação histórica das elites brasileiras contra avanços sociais.

Gleisi também conectou o ato à memória da escravidão no Brasil, às políticas sociais dos governos Lula e à adoção de cotas em universidades públicas e concursos. Para ela, a reação contra Renato dialoga com a mesma resistência enfrentada por políticas de inclusão racial e social desde 2003.

A fala da deputada levou Lula para o centro simbólico do protesto. Gleisi lembrou viagens do presidente ao continente africano, a criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e as políticas de afirmação racial dos governos petistas. O recado político foi claro: a cassação de Renato é lida pelo PT como ataque a uma causa, não apenas a um mandato.

Gleisi também comparou a origem social de Renato à de Lula. Ela citou a mãe do deputado, a vida marcada por dificuldades, a formação em Direito e a chegada dele ao Legislativo. “É uma agressão política sem precedentes a Assembleia Legislativa tirar o mandato conferido pelo voto popular”, afirmou.

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente do PT do Paraná, também participou da manifestação. Na CCJ, Arilson e a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) votaram contra a admissibilidade do parecer pela perda do mandato e defenderam o acolhimento do recurso de Renato.

Renato Freitas fez do palco uma resposta direta à Alep. Em trecho de sua fala, ele disse que o ato reivindicava não apenas o mandato, mas também a memória de pessoas mortas por “políticas de abandono, de miséria, de embrutecimento e de letalidade policial”. O deputado levou para o centro do discurso mães que denunciam violência policial e cobram câmeras nas fardas.

Uma dessas vozes foi a de Eliane Pereira da Costa, apresentada no ato como mãe e apoiadora da luta de Renato. Ela afirmou que o deputado é “o único” que entra na favela para ajudar famílias atingidas por falsos confrontos e cobrou respostas sobre letalidade policial. A fala deslocou a manifestação para um ponto sensível da política paranaense: a relação entre periferia, polícia e governo Ratinho Junior.

Renato também criticou as redes sociais. Segundo ele, plataformas que prometeram diálogo acabaram aprisionando parte da população em correntes de WhatsApp e bolhas de algoritmo. O deputado afirmou que a mentira passou a ser fabricada em “ritmo industrial” e associou esse ambiente ao linchamento moral e ao assassinato de reputações.

A manifestação teve ainda presença de militantes, movimentos sociais e apoiadores que tratam o processo como perseguição política. O ato não anulou o rito interno da Alep, mas levou a disputa para fora do plenário e colocou deputados estaduais diante de uma cobrança pública: se a maioria parlamentar pode retirar, por decisão política, um mandato escolhido nas urnas.

O caso agora volta ao centro da Assembleia. Para Renato e seus aliados, a votação será teste de democracia e de tolerância institucional com uma voz negra, periférica e de oposição. Para a maioria da Alep, será o momento de sustentar, diante da praça e das urnas de 2026, se a punição máxima é decoro ou recado político.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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