Glauber Braga defende mobilização nacional contra tentativa de cassação de Renato Freitas
Deputado do PSOL também cobra eleições diretas no Rio e diz que o estado precisa de uma “ação de ruptura”
247 - Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) saiu em defesa do deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), alvo de um processo de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná. Para Glauber, a ofensiva contra Renato representa um ataque mais amplo contra mandatos de esquerda ligados aos movimentos sociais e às pautas populares.
Durante a conversa, o parlamentar associou o caso à própria experiência recente de perseguição política. O mandato de Glauber foi suspenso por seis meses pela Câmara dos Deputados em 10 de dezembro de 2025, após sucessivos conflitos políticos envolvendo sua atuação parlamentar.
Ao comentar a situação de Renato Freitas, Glauber afirmou que o deputado paranaense enfrenta perseguições desde o período em que era vereador em Curitiba. Segundo ele, o parlamentar é alvo por sua postura de enfrentamento e pelas denúncias que leva ao espaço institucional.
“O que está em jogo é uma tentativa de calar um mandato que incomoda os poderosos”, afirmou. “Atacar o Renato hoje é atacar todos os mandatos de lutadores e lutadoras espalhados pelo Brasil.”
Renato Freitas teve a cassação recomendada pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná após um episódio envolvendo uma reação a um motorista que teria avançado com um carro em sua direção. Para Glauber, o episódio vem sendo utilizado apenas como justificativa política para afastar um parlamentar considerado incômodo pelas elites locais.
O deputado do PSOL defendeu uma ampla mobilização nacional em solidariedade ao parlamentar paranaense. “Eles querem usar os conselhos de ética como instrumentos de intimidação para que a esquerda fique calada”, declarou. “Nós não podemos permitir isso.”
Críticas ao cenário político do Rio
Na entrevista ao Bom Dia 247, Glauber também abordou a crise política no Rio de Janeiro e voltou a defender eleições diretas para o governo do estado. Segundo ele, apesar das medidas adotadas pelo comando interino do Executivo fluminense, a solução mais legítima seria a consulta popular.
“Perigoso é não ouvir o povo”, disse. “Quem deve decidir o futuro do Rio de Janeiro é a população.”
O parlamentar afirmou ainda que o estado vive um processo de esgotamento político e defendeu uma ruptura com grupos tradicionais que dominam o cenário fluminense há décadas.
“Nós temos que ter uma ação de ruptura no Rio de Janeiro”, afirmou. “Se não houver uma alternativa claramente diferente dessas estruturas políticas apodrecidas, não adianta depois responsabilizar o povo pelas escolhas eleitorais.”
Glauber confirmou que será candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, embora tenha defendido internamente uma candidatura mais combativa ao governo estadual dentro do PSOL.
Defesa da responsabilização dos golpistas
Ao final da entrevista, o deputado comentou as ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal contra a chamada lei da dosimetria e afirmou que a definição das penas relacionadas aos atos golpistas deve permanecer sob responsabilidade do Judiciário.
“Dosimetria é prerrogativa de juiz ou de parlamentar?”, questionou. Para ele, os responsáveis pelos ataques golpistas devem ser punidos, incluindo financiadores e articuladores políticos.

