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“Cheguei condenado”, diz Renato Freitas sobre processo no Conselho de Ética

Deputado estadual afirma que sofre perseguição política articulada por setores conservadores e relaciona ataques ao racismo estrutural

“Cheguei condenado”, diz Renato Freitas sobre processo no Conselho de Ética (Foto: Divulgação)
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247 - O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) afirmou que a nova tentativa de cassação de seu mandato na Assembleia Legislativa do Paraná está diretamente ligada ao fortalecimento da extrema direita no estado. Em entrevista concedida ao programa Brasil Agora, da TV 247, o parlamentar associou os ataques que vem sofrendo à atuação de grupos conservadores e ao racismo estrutural.

Durante a conversa, realizada no dia 13 de maio — data que marca a abolição formal da escravização no Brasil — Renato afirmou que sua presença nos espaços institucionais incomoda setores tradicionais da política paranaense.

“Quando a gente fala, a gente fala dos crimes que a classe política dominante brasileira cometeu contra nós”, declarou o deputado. Segundo Renato Freitas, o atual processo de cassação é resultado de uma campanha contínua de desgaste político e midiático conduzida pela extrema direita local.

“É produto de uma campanha de difamação permanente, orquestrada pela extrema-direita aqui no Paraná”, afirmou o parlamentar, que também direcionou críticas ao governador Ratinho Junior e ao grupo político ligado à família do apresentador Ratinho. Segundo ele, existe uma estrutura de comunicação consolidada para atacar adversários políticos no estado.

“Eles monopolizam a mídia. Eles têm centenas de canais de comunicação”, enfatizou.

O novo pedido de cassação contra Renato Freitas foi aprovado no Conselho de Ética da assembleia e agora seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de eventual votação em plenário.

O caso envolve um episódio ocorrido em Curitiba, no qual o deputado reagiu a uma provocação e agressão física.

“Ele jogou o carro sobre mim”, afirmou Renato. “Depois me deu um primeiro golpe, um soco no rosto. O vídeo mostra isso”, completou, destacando que considera o processo político e afirmou ter chegado “condenado” ao Conselho de Ética.

Racismo estrutural e violência política

Ao longo da entrevista, Renato Freitas relacionou as tentativas de cassação à dificuldade histórica de aceitação de lideranças negras em espaços de poder.

“Nós nos vemos desertos, conquistando”, afirmou ao comentar os obstáculos enfrentados pela população negra desde o período pós-abolição.Segundo o deputado, a reação contra sua atuação política ocorre porque ele denuncia estruturas tradicionais de poder.

“Eu denunciei os esquemas da Casa Grande, denunciei o patrimonialismo, o coronelismo, a corrupção”, frisou.

Renato Freitas cita crescimento de células nazistas no Sul

Denise Assis indagou o parlamentar sobre pesquisa da antropóloga Adriana Dias sobre a presença de células neonazistas no Brasil, especialmente na região Sul.

Renato destacou que Curitiba teve forte presença integralista e chegou a abrigar uma das maiores sedes do Partido Nazista fora da Alemanha. Ele relembrou o caso de Quintino Corrêa, imigrante da Guiné-Bissau assassinado em Curitiba após ataque atribuído a um grupo neonazista.

“Curitiba é uma das cidades que também tem os maiores números de células nazistas”, afirmou

Pré-candidatura à Câmara dos Deputados

Renato Freitas confirmou ainda que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Segundo ele, sua candidatura já vinha sendo construída antes mesmo do novo processo disciplinar.

“A população está tendo uma adesão muito grande ao nosso projeto político”, afirmou.

Apesar disso, o parlamentar admitiu dificuldades para barrar o avanço do pedido de cassação dentro da Assembleia Legislativa do Paraná

“Muito difícil”, respondeu ao ser questionado sobre a possibilidade de conseguir votos suficientes no plenário da Alep para impedir a perda do mandato. Ele disse contar com a pressão popular e política para mudar esse cenário.

Na entrevista, Renato também destacou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo Periférico, projeto social criado há cerca de 13 anos em Curitiba.

Segundo ele, a iniciativa atua com população em situação de rua, imigrantes, jovens periféricos, egressos do sistema prisional e mulheres vítimas de violência. O projeto também mantém uma escola popular de cinema e atividades ligadas ao hip-hop e à cultura periférica.

“É um trabalho muito importante, muito bonito, esse que a gente faz”, declarou o deputado.

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