Robôs revolucionam o comércio e os serviços na China
Robôs inteligentes avançam no comércio e nos serviços da China, automatizam atendimentos, preparam bebidas e indicam o futuro da vida urbana no país
Durante a pandemia de Covid-19, a necessidade de reduzir o contato físico entre pessoas para evitar riscos de contaminação acabou impulsionando a indústria de robôs, que se tornaram comuns em hotéis, estações ferroviárias, aeroportos, hospitais, centros de convenções e outros espaços, fazendo tarefas como transporte de objetos, desinfecção, monitoramento e divulgação de informações.
A pandemia passou, mas o desenvolvimento da robótica na China continuou: turistas estrangeiros se surpreendem ao ver robôs andando pelos corredores dos hotéis levando encomendas até os quartos dos hóspedes, e ficam ainda mais surpresos com o fato de os robôs serem capazes de chamar o elevador e informar o andar para onde vão por meio de tecnologia Bluetooth.
Na Noite de Gala de Ano Novo da CCTV, um dos eventos mais importantes da televisão chinesa, um grupo de robôs dançarinos chamou a atenção em 2025, enquanto os robôs lutadores que apareceram no programa deste ano mostraram que a tecnologia evoluiu muito.
Mais recentemente, em diversas cidades chinesas, começaram a aparecer quiosques de venda de alimentos e bebidas com um robô no lugar de um funcionário humano. Em Beijing, onde moro, já vi vários. O robô cumprimenta quem se aproxima e entrega aos clientes os itens que foram comprados.
Para escolher o que comprar, o cliente pode selecionar os itens em uma tela sensível ao toque, instalada no quiosque ou, caso saiba o idioma chinês, simplesmente falar. Os produtos costumam ser alimentos embalados, bebidas engarrafadas e café preparado na hora por uma máquina ou por um robô barista.
Os robôs baristas, aliás, não são novidade na China. Há muitos anos, me surpreendi ao ver pela primeira vez um robô preparar café, mas hoje em dia esses robôs já fazem parte da vida cotidiana, estão em diversas cafeterias espalhadas pelo país.
Mas robôs vendedores são novidade. E, para entender melhor o que está acontecendo, vim para Hefei, um importante polo tecnológico na província de Anhui, visitar a Hefei Zerith Robotics Co., Ltd., uma das principais empresas do setor.
Nascida no laboratório de robôs inteligentes da Universidade de Tsinghua, a Zerith é liderada por uma equipe jovem e talentosa, majoritariamente composta por jovens da geração Z, nascidos após 2000. Em pouco mais de um ano, a empresa conseguiu financiamentos de mais de 100 milhões de yuans, consolidando-se como uma das promessas da robótica no país.
Fundada com o objetivo de desenvolver robôs inteligentes, capazes de interagir com o mundo para realizar tarefas do dia a dia, automatizando serviços e auxiliando os humanos em diversas atividades, a Zerith possui uma linha de produtos que nos dá pistas sobre o que vem por aí no mercado chinês de robôs.
O Zerith-H1, o “robô vendedor”, é justamente aquele com feições humanas que vemos nos quiosques atendendo os clientes que param para comprar alguma coisa. Ele é capaz de operar uma loja 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem intervenção humana, realizando todo o processo de pegar e entregar produtos aos clientes, e já opera comercialmente em grandes cidades chinesas como Beijing, Shanghai e Shenzhen.
No showroom da empresa, o mesmo robô pode ser visto realizando outras atividades, como limpeza e organização de espaços públicos, educação e entretenimento, e preparo de alimentos e bebidas.
Há também o Zerith-Z1, um robô humanoide de uso geral, com pernas e braços, projetado para uma variedade maior de tarefas. Equipado com tecnologia avançada e algoritmos de IA, ele consegue andar em terrenos irregulares, como escadas e rampas, e executar movimentos complexos, com uma série de futuras aplicações previstas em áreas como educação, entretenimento, hotéis e até mesmo residências.
Nos laboratórios da empresa, é possível conhecer muito do que vem sendo desenvolvido. Por exemplo, há robôs capazes de dobrar roupas e colocá-las em um cabide, e também robôs que podem ser operados à distância por humanos por meio de um equipamento de realidade virtual.
Essas novas tecnologias, além de tornar mais conveniente a vida diária das pessoas, prometem reduzir a exposição de trabalhadores a situações de risco e melhorar a padronização de alimentos e bebidas.
Na China, aquele futuro que víamos nos filmes de ficção científica, com robôs e homens convivendo lado a lado, já não está tão distante assim.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




