China reage a lista discriminatória dos EUA e impõe restrições a 56 empresas americanas
China restringe 56 empresas dos EUA com controle de exportações e veto a compras públicas após nova lista americana contra companhias chinesas
247 - A China restringiu 56 empresas dos EUA com controle de exportações e veto a compras públicas, em uma nova resposta às medidas de Washington contra companhias chinesas dos setores de tecnologia, indústria e manufatura, as informações são do Global Times.
Segundo o jornal chinês, as medidas foram anunciadas pelo Ministério do Comércio da China e pelo Ministério das Finanças no primeiro dia útil após o feriado do Festival do Barco do Dragão. Pequim afirma que a iniciativa responde à inclusão de novas empresas chinesas em listas restritivas dos Estados Unidos, prática que o governo chinês classifica como arbitrária e politicamente motivada.
O Ministério do Comércio incluiu dez entidades americanas em sua lista de controle de exportações. A decisão foi tomada com base na lei chinesa de controle de exportações e nas normas relacionadas a itens de dupla utilização, aqueles que podem ter aplicações civis e militares.
Com a medida, exportadores ficam proibidos de vender itens de dupla utilização às empresas listadas. Instituições e indivíduos de qualquer país ou região também não poderão transferir ou fornecer produtos de origem chinesa enquadrados nessa categoria às entidades atingidas. Qualquer exceção dependerá de aprovação prévia do Ministério do Comércio.
As empresas americanas incluídas na lista são Aveox, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies Corp, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services, MP Materials Corp e USA Rare Earth. Elas atuam em setores como aeroespacial, defesa, robótica, serviços marítimos e terras raras.
Em comunicado separado, um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que a decisão foi adotada em resposta à prática “maliciosa” do governo dos Estados Unidos de incluir mais companhias chinesas em uma lista de empresas supostamente ligadas às forças armadas chinesas. De acordo com o ministério, a medida busca proteger a segurança nacional, os interesses do país e obrigações internacionais, como a não proliferação.
Veto a compras públicas atinge 46 empresas americanas
Além das restrições de exportação, o Ministério das Finanças da China anunciou medidas contra 46 empresas americanas em atividades de compras governamentais. Pela decisão, órgãos contratantes do governo chinês ficam proibidos de adquirir produtos fabricados por essas companhias.
A restrição, no entanto, não se aplica a produtos fabricados por empresas financiadas pelos Estados Unidos que operam dentro da China. Entre as companhias atingidas estão Lockheed Martin Corporation, Raytheon Missiles & Defense, Boeing Defense e Space & Security.
O Ministério das Finanças informou que o aviso entrou em vigor na data de sua emissão. A medida foi apresentada como parte da resposta chinesa ao uso, por Washington, de sanções unilaterais e listas restritivas contra empresas do país asiático.
O especialista Li Yong, membro do conselho executivo da Sociedade Chinesa para Estudos da OMC, afirmou ao Global Times que as medidas chinesas têm limites definidos e miram itens relacionados ao fornecimento e à fabricação militar.
“As medidas de controle da China apresentam limites bem definidos, visando apenas itens ligados a suprimentos e fabricação militar. Em nítido contraste, os EUA ampliam arbitrariamente o escopo de sua repressão, fabricando vínculos militares fictícios para empresas sem qualquer relevância militar como desculpa para atingir o setor de alta tecnologia da China”, disse Li Yong.
Nova lista dos EUA elevou tensão entre os dois países
As decisões chinesas foram anunciadas após o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ampliar sua lista de empresas classificadas como militares chinesas sob a Seção 1260H da Lei de Autorização de Defesa Nacional. Entre as companhias chinesas adicionadas estão Alibaba, BYD, Nio, CALB Group e Unitree Robotics.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que Pequim se opõe à ampliação do conceito de segurança nacional pelos Estados Unidos, ao abuso de listas de entidades e aos controles de exportação usados para pressionar empresas chinesas.
Segundo Lin Jian, Washington deve parar de politizar, instrumentalizar e transformar em arma as questões comerciais e tecnológicas. O Ministério do Comércio da China também afirmou anteriormente que se opõe firmemente à decisão americana de incluir companhias chinesas na lista de “empresas militares”.
Para Pequim, os Estados Unidos ignoraram o consenso alcançado em reunião entre os chefes de Estado dos dois países em Pequim, além de desconsiderarem os interesses gerais das relações econômicas e comerciais bilaterais. O governo chinês sustenta que as ações americanas prejudicam a ordem econômica internacional, afetam as cadeias globais de produção e violam direitos legítimos de empresas chinesas.
Zhou Mi, pesquisador sênior da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, afirmou que a China defende a resolução de divergências por meio de diálogo e consulta, mas disse que as medidas recentes dos Estados Unidos aumentam a incerteza para empresas e parceiros comerciais.
“Tais ações contrariam o consenso, não são propícias ao desenvolvimento estável das relações econômicas e comerciais entre a China e os EUA e enfraquecem a base dos mecanismos de cooperação entre os dois lados”, disse Zhou.
Especialistas chineses veem base legal nas medidas
Analistas ouvidos pelo Global Times afirmaram que os Estados Unidos vêm ampliando o uso do argumento de segurança nacional para atingir empresas e produtos chineses, o que, segundo eles, prejudica a ordem econômica e comercial internacional e também afeta fabricantes e comerciantes americanos.
Zhou Mi declarou que as medidas restritivas chinesas contra empresas dos Estados Unidos têm fundamentos factuais e legais claros.
“Empresas incluídas em listas de controle de exportação ou restrições de compras governamentais podem estar envolvidas em questões que afetam a segurança nacional da China, obrigações internacionais de não proliferação ou descumprimento de requisitos políticos chineses relevantes”, afirmou.
As dez entidades americanas sujeitas ao controle de exportação incluem companhias ligadas ao desenvolvimento de drones, sistemas de aviação, radares, veículos subaquáticos autônomos, monitoramento marítimo, defesa e reconhecimento. A Red Cat Holdings e sua subsidiária Teal Drones, por exemplo, atuam na produção de drones autônomos militares e comerciais. A IMSAR é especializada em sistemas de radar de abertura sintética utilizados em reconhecimento e vigilância militar.
Taiwan aparece no centro das preocupações chinesas
O Global Times informou que, de acordo com a Agência Central de Notícias de Taiwan, mais de 20 fabricantes americanos de drones, sistemas antidrones e veículos subaquáticos não tripulados visitaram a ilha em setembro de 2024, em uma delegação comercial organizada pelo Instituto Americano em Taiwan. A Jaia Robotics participou de encontros empresariais do setor de defesa.
Em setembro de 2025, equipes da L3Harris Maritime Services e da Red Cat Holdings também participaram da Exposição de Tecnologia Aeroespacial e de Defesa de Taipei. Embora o documento do Ministério do Comércio não cite diretamente atividades relacionadas a Taiwan, especialistas chineses associam parte das restrições ao envolvimento dessas empresas com a ilha.
Zhang Junshe, especialista chinês em assuntos militares, disse ao Global Times que as companhias atingidas têm papel relevante na cadeia de vendas de armas dos Estados Unidos para Taiwan e em cooperações militares com a ilha.
Segundo Zhang, essas empresas não apenas forneceram drones militares e outros equipamentos a Taiwan, como também participaram de iniciativas envolvendo transferência de tecnologias de produção de equipamentos militares.
Na avaliação do especialista, essas atividades afetaram a segurança nacional e os interesses fundamentais da China, além de incentivarem forças separatistas pró-independência de Taiwan. Ele argumentou que as medidas são justificadas e necessárias para restringir o apoio material e tecnológico de forças externas a esses grupos.
Política busca preservar previsibilidade, diz especialista
Em relação às restrições do Ministério das Finanças nas compras governamentais, He Weiwen, pesquisador sênior do Centro para a China e a Globalização, afirmou que a diferenciação entre empresas financiadas pelos Estados Unidos que operam na China e companhias americanas sediadas fora do país representa uma decisão prudente.
Para He, a política chinesa foi desenhada com limites claros e foco em entidades específicas, em vez de atingir todas as empresas com investimento americano.
“Essa abordagem ajuda a manter a transparência, a consistência e a previsibilidade das políticas, ao mesmo tempo que demonstra os esforços da China para equilibrar a salvaguarda dos interesses nacionais com a manutenção de um alto nível de abertura”, disse He, acrescentando que esse tipo de certeza política contribui para estabilizar as expectativas dos investidores estrangeiros.




