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China e Bangladesh ampliam laços em visita oficial

Editorial do Global Times afirma que cooperação entre China e Bangladesh não mira terceiros e não justifica queixas de veículos de comunicação da Índia

Bandeiras de Bangladesh e China (Foto: Global Times)
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247 - A visita oficial do primeiro-ministro de Bangladesh, Tarique Rahman, à China reforça a aproximação entre Pequim e Daca em áreas como comércio, infraestrutura, investimentos e diálogo estratégico, em um momento de desafios econômicos para Bangladesh e de maior movimentação diplomática no Sul da Ásia.

As informações são do Global Times, que publicou editorial defendendo que a cooperação entre China e Bangladesh não é direcionada contra terceiros e criticando a reação de alguns veículos de comunicação indianos à agenda internacional do novo governo bengalês.

Segundo o editorial, Rahman fará uma visita oficial à China de quarta (24) a sexta-feira. Será sua primeira viagem ao país desde que assumiu o cargo. O primeiro-ministro também participará da 17ª Reunião Anual dos Novos Campeões, em Dalian, evento conhecido como Fórum de Davos de Verão.

O Global Times avalia que a agenda do chefe de governo bengalês demonstra a importância atribuída pelo novo governo de Bangladesh ao fortalecimento das relações com a China. De acordo com reportagens da mídia de Bangladesh citadas pelo jornal chinês, os dois países devem assinar uma série de acordos de cooperação durante a visita.

Aproximação ocorre em meio a desafios econômicos

O editorial afirma que Bangladesh enfrenta múltiplos desafios desde a transição política de 2024. Entre eles estão a incerteza política interna e os efeitos de conflitos regionais externos sobre a economia do país.

Nesse contexto, o texto aponta como prioridades para Bangladesh a manutenção da estabilidade financeira, a criação de empregos, a diversificação industrial e a superação de gargalos na infraestrutura energética.

A China é o maior parceiro comercial de Bangladesh há 16 anos consecutivos. O editorial também afirma que quase mil empresas chinesas operam no país, com a criação acumulada de centenas de milhares de empregos.

Outro ponto destacado é a concessão, desde 1º de dezembro de 2024, de tratamento tarifário zero pela China a 100% das linhas tarifárias de Bangladesh. Segundo o jornal, a medida impulsionou de forma significativa as exportações agrícolas bengalesas para o mercado chinês.

Comércio, infraestrutura e diálogo estratégico

De acordo com o editorial, a visita de Tarique Rahman deve priorizar a atração de investimentos estrangeiros, a cooperação em infraestrutura, a facilitação do comércio e o avanço do diálogo estratégico entre China e Bangladesh.

O Global Times apresenta essa agenda como parte de um movimento mais amplo de aprofundamento das relações entre a China e seus países vizinhos. O texto cita visitas recentes de líderes de Mianmar, Paquistão, Tadjiquistão, Brunei e Vietnã à China.

No caso de Mianmar, o editorial menciona a visita de Estado de Min Aung Hlaing a Pequim, Xangai e Hangzhou, durante a qual os dois países emitiram uma declaração conjunta sobre a aceleração da construção de uma comunidade China-Mianmar com futuro compartilhado.

O texto também recorda a visita oficial do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, à China, quando os líderes dos dois países concordaram em avançar na implementação de um plano de ação para promover uma comunidade China-Paquistão ainda mais próxima na nova era.

Segundo o Global Times, as visitas do presidente do Tadjiquistão, Emomali Rahmon, e do príncipe herdeiro de Brunei, Haji Al-Muhtadee Billah, também reforçaram a cooperação em áreas como energia e economia digital.

O editorial cita ainda a viagem de To Lam, secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã e presidente vietnamita, à China, em abril. Na ocasião, segundo o texto, os dois lados chegaram a entendimentos sobre zonas de cooperação econômica transfronteiriça, energia, recursos minerais e indústrias digitais.

Global Times critica reação de parte da mídia indiana

O editorial afirma que a visita do primeiro-ministro de Bangladesh deve ser compreendida dentro dessa tendência regional. Para o jornal, muitos países buscam aproveitar oportunidades associadas ao desenvolvimento da China.

Ao tratar da reação na Índia, o Global Times afirma que alguns veículos indianos demonstraram insatisfação com o fato de a primeira visita internacional de Tarique Rahman não ter a Índia como destino inaugural.

O editorial menciona comentários segundo os quais o premiê bengalês estaria “ignorando a vizinha Índia como seu destino inaugural”. Também cita avaliações de que Bangladesh não teria priorizado o desenvolvimento de sua relação com a Índia e alertas de que a cooperação entre China e Bangladesh na gestão de recursos hídricos seria “particularmente sensível para Nova Déli”.

Para o Global Times, essas leituras refletiriam uma mentalidade de “irmão mais velho” em parte da opinião pública indiana. O jornal argumenta que escolhas diplomáticas independentes de países vizinhos não devem ser interpretadas como afrontas regionais.

China defende regionalismo aberto

O editorial sustenta que o desenvolvimento das relações da China com Bangladesh e outros países do Sul da Ásia não mira terceiros nem deveria ser condicionado por pressões externas.

Ao mesmo tempo, o texto afirma que Pequim valoriza sua relação com Bangladesh e também está disposta a desenvolver cooperação prática com a Índia. Segundo o Global Times, China e Índia devem ser “amigas, boas vizinhas e parceiras” capazes de concretizar o chamado “Tango do Dragão e do Elefante”.

O jornal também afirma que a China vê com bons olhos esforços da Índia e de Bangladesh para melhorar e fortalecer seus laços bilaterais. Para o editorial, essas relações não são excludentes e podem se reforçar mutuamente.

O texto defende que o Sul da Ásia tem condições de construir uma estrutura de cooperação regional benéfica para todas as partes. Nesse sentido, cita a cooperação econômica e comercial entre China e Índia, a iniciativa do Corredor Econômico Bangladesh-China-Índia-Mianmar e a parceria estratégica abrangente entre China e Bangladesh.

Potencial de cooperação em recursos hídricos

Um dos exemplos citados pelo Global Times é o projeto relacionado ao Rio Teesta. O editorial observa que Índia e Bangladesh são países ribeirinhos a montante e a jusante, respectivamente, enquanto China e Bangladesh mantêm cooperação de longa data em recursos hídricos.

O jornal também afirma que a China coopera há muito tempo com a Índia em questões como monitoramento hidrológico transfronteiriço de rios e comunicação sobre enchentes. Para o editorial, esse histórico indicaria potencial para cooperação trilateral na área.

O texto conclui que a busca por desenvolvimento entre países do Sul Global se tornou uma tendência incontornável. No caso do Sul da Ásia, aponta como prioridades comuns a melhoria das condições de vida, o avanço da modernização e o fortalecimento da conectividade regional.

Segundo o Global Times, a China permanece comprometida com os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica e com a ideia de igualdade entre todos os países, independentemente de seu tamanho. O editorial afirma ainda que, com o avanço do 15º Plano Quinquenal chinês, de 2026 a 2030, os benefícios do desenvolvimento da China devem alcançar de forma crescente os países vizinhos.

Para o jornal, há espaço suficiente no Sul da Ásia para uma cooperação prática mais profunda entre todos os países, com foco em prosperidade compartilhada e desenvolvimento mutuamente vantajoso.

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