Sou petista e sou lulista!
É o grande partido da esquerda brasileira
Eu ainda estava fora do Brasil, no exílio, quando Luís Eduardo Greenhalgh me falou do surgimento do PT e da liderança do Lula. Quando eu cheguei de volta ao Brasil, o Caio Graco, que dirigia a Editora Brasiliense, me deu uma ficha de membro do PT, que eu preenchi.
Desde então, nunca tive nenhuma dúvida sobre o partido a que eu deveria pertencer, mesmo com divergências às vezes, descontentamento e insatisfação em outros momentos. Antes de tudo, porque é o partido do Lula, a quem eu associo ao destino do Brasil, sempre me pareceu o maior líder que o país já teve. Por isso, me sinto petista e lulista, coerente com minha trajetória militante, que começou aos meus 15 anos – isto é, há 65 anos – coincidindo com a vitória da Revolução Cubana, a revolução da minha geração.
É o grande partido da esquerda brasileira. Mesmo vivendo 13 anos no exílio, pertencendo ao MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria), do Chile, nunca deixei de me sentir brasileiro.
Vivi vários golpes militares. Não apenas o brasileiro, mas também o chileno e o argentino. Sempre dolorosamente, pelo que representava de derrota da esquerda e de retrocessos. Vivi sob ditaduras militares nesses três países, na clandestinidade, com as dificuldades e o sofrimento da prisão e da morte de tantos amigos e companheiros.
Mas nunca concebi a minha vida sem militância política, fora da militância. Ela faz parte da minha vida, intrinsecamente. Sempre fui militante, desde a Liga Socialista Independente, passando pela Polop, depois no MIR e agora no PT.
Faz parte da minha vida – de tanta gente – a luta pela transformação revolucionária do mundo. Depois da Revolução Cubana, vieram muitas derrotas das guerrilhas latino-americanas, que eram a forma de luta predominante da esquerda naquele tempo.
Até que, dez anos depois da vitória cubana, chegou a Revolução Sandinista na Nicarágua, da qual eu participei e pude ver, finalmente, uma vitória revolucionária. 3 a 1 naquele momento, um placar ainda negativo, mas com uma perspectiva de um futuro mais favorável.
Desde então, a história mudou muito, com o surgimento do neoliberalismo. Passamos a viver um período novo, desconhecido para nós, com uma euforia da direita, que aparecia como “renovadora”, buscando caracterizar a esquerda como “conservadora”, porque defendia o Estado, considerado relíquia pelo neoliberalismo.
Conviver com a hegemonia política e ideológica neoliberal foi uma experiência nova. Resistir de novo, desta vez sem ditadura.
Até que chego aos dias de hoje. Muito contente com os avanços obtidos no Brasil, com o Lula e o PT, mesmo sem maioria no Congresso e sofrendo duras campanhas da mídia contra nós.
Otimista, como parte integrante de ser militante. Tentando sempre combinar o trabalho teórico e a militância política.
Petista e lulista, com muito orgulho e com muito amor!
É o grande partido da esquerda brasileira.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



