PT propõe fortalecimento do BRICS e integração latino-americana como resposta à crise do multilateralismo
O tema foi alvo de debate durante o 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores
247 - O fortalecimento do BRICS e a integração da América Latina foram apontados como alternativas estratégicas diante da crise do multilateralismo e das transformações da ordem global. O tema dominou os debates do segundo dia do 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), neste sábado (25), reunindo lideranças políticas e representantes internacionais em torno de soluções para os desafios geopolíticos atuais.
De acordo com informações divulgadas pelo site oficial do Partido dos Trabalhadores, o seminário internacional organizado pela Secretaria de Relações Internacionais da legenda reafirmou o compromisso da sigla com uma ordem mundial multipolar, baseada na cooperação entre países, na paz e na reforma das instituições globais.
Ao abrir as discussões, o senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT, destacou o papel central do BRICS no cenário global contemporâneo. Segundo ele, o bloco deixou de ser apenas uma articulação econômica para se consolidar como um ator político relevante. “O BRICS se ampliou para admitir estados associados e observadores, mostrando o caminho para uma instituição que hoje representa 40% da população mundial e 35% do PIB global. Não se trata apenas de economia, mas de soberania, com discussões sobre o uso de moedas locais e a consolidação de um grande banco internacional de desenvolvimento”, afirmou.
Costa também ressaltou a retomada de mecanismos de integração regional na América Latina, mencionando a revitalização da Unasul e o fortalecimento do Mercosul. Segundo ele, o bloco sul-americano tem ampliado sua atuação ao incorporar novos membros, como a Bolívia, além de buscar acordos estratégicos com a União Europeia voltados ao desenvolvimento industrial e tecnológico.
A secretária executiva de Relações Internacionais do PT, Misiara Oliveira, abordou a crise do multilateralismo sob a perspectiva do avanço de forças conservadoras no cenário internacional. “O avanço das forças de extrema-direita tem fragilizado o sistema internacional, ao centrar-se na defesa da soberania nacional em oposição aos organismos multilaterais, criticando o que chamam de globalismo e rejeitando as agendas progressistas e liberais”, analisou.
Ela também destacou o papel de alguns atores globais na defesa do sistema multilateral, mencionando a atuação da China e do Brasil. “O governo brasileiro além de lutar contra o avanço da extrema-direita dentro de nosso país, aparece com um persistente defensor de um sistema internacional equilibrado e com uma representatividade igualitária de todas as regiões do mundo”, acrescentou.
O ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Munhoz, participou do seminário e fez um diagnóstico crítico sobre o cenário global, que classificou como marcado por “caos e desregramento”. Ele apontou impactos de políticas unilaterais, especialmente aquelas associadas ao período do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alertou para o enfraquecimento das normas internacionais.
Munhoz defendeu a reconstrução de uma ordem global baseada em regras e criticou o afastamento de grandes potências de organismos multilaterais. Durante sua fala, também destacou a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da ONU. “Ela pode ser a primeira mulher latino-americana a ocupar o cargo estratégico global”, disse, ressaltando o apoio do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Representando o continente africano, o deputado angolano Mario Pinto de Andrade enfatizou o papel crescente da África no cenário internacional. Segundo ele, o continente vive um momento de transformação e busca maior protagonismo global. “África já foi uma voz morna quando fomos colonizados, mas queremos ser uma voz ativa nesse cenário complexo”, afirmou.
O evento contou ainda com a participação de delegações de países como China, Vietnã, Alemanha, Portugal e Israel, além de lideranças indígenas brasileiras, ampliando o debate sobre os caminhos para a reconstrução do multilateralismo e o fortalecimento das relações internacionais em um mundo em transformação.


