Tarcísio jogou Kassab no colo de Lula
E Leite virou favorito
Ao tirar Kassab do governo, Tarcísio o joga no colo de Lula. O presidente do PSD tinha um pé na canoa do governador e outro na do presidente. Ontem, ele ficou com um pé só, ao deixar o governo de São Paulo.
É claro que ele foi forçado a sair. Esperou pacientemente Tarcísio atender seu pleito de colocá-lo como seu vice na reeleição. Mas, para atender a Bolsonaro, o governador o vetou, num ato que fortalece tanto Lula quanto Haddad.
É público e notório que, se Tarcísio era um poste eleito pelo bolsonarismo, seu mentor político foi, desde o início, o presidente do PSD. Também não é exagero atribuir a Kassab a eleição de mais de 70% dos prefeitos do estado de São Paulo, fiéis a Tarcísio, na última eleição.
Tarcísio parece estar seguro de que as alianças que teceu serão suficientes para garantir sua reeleição, mas não é impossível que os prefeitos do PSD pulem fora do barco do governador, em homenagem a Kassab.
Agora que só tem uma canoa para os dois pés, a estratégia da escolha do presidenciável também muda. Escolher Caiado seria ajudar o bolsonarismo a eleger Flávio, o que não interessa a Kassab. Por esse motivo, o lógico seria optar por Eduardo Leite, que, se não se alinha com Lula, também não se alinha a Bolsonaro.
Nem Caiado nem Leite têm votos para chegar ao segundo turno, ao menos por ora, mas optar por Caiado é a pior opção para Kassab, que não goza de simpatia na extrema-direita e não terá nada a ganhar caso Flávio tire Lula da presidência.
A vitória de Lula vai implicar na conservação dos ministérios no próximo governo; a de Flávio deixará Kassab órfão de ministérios.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



