Tariflávio é o retrato do bolsonarismo: antipatriota e entreguista
O Tariflávio não é apenas uma crise comercial. É a fotografia do bolsonarismo em sua forma mais pura
Primeiro foi Eduardo. Agora é Flávio. A família que passou anos gritando “Brasil acima de tudo” parece ter encontrado sua verdadeira vocação política, atravessar a fronteira, bater continência para Donald Trump e trazer de volta ameaças de tarifa, pressão contra o Pix e prejuízo para o povo brasileiro.
E Tariflávio já pegou. Afinal, a ameaça de taxação tem pai. Um senador da República, pré-candidato à Presidência, viaja aos Estados Unidos para se aproximar do trumpismo e, logo depois, o Brasil passa a ser alvo de uma nova intimidação comercial – de novo. Nem adianta negar, Flávio. Cria que esse filho é seu.
O Tariflávio não é apenas uma crise comercial. É a fotografia do bolsonarismo em sua forma mais pura. Quando perde força aqui, corre abanando o rabo para buscar apoio fora. Quando não vence no voto, tenta vencer pela chantagem externa ou através de golpe. Quando não consegue ludibriar a população, aposta no prejuízo nacional para criar palanque eleitoral.
A extrema-direita brasileira sempre falou grosso contra “inimigos imaginários”, mas fala fino diante de Washington. Bate no peito para defender uma pátria abstrata, mas se ajoelha diante dos interesses concretos dos Estados Unidos. Usa camiseta verde e amarela, mas trabalha politicamente para que o Brasil seja pressionado, constrangido e punido por uma potência estrangeira. Isso não é patriotismo. É submissão.
O governo Trump propôs uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros sob a justificativa de supostas práticas comerciais desleais. A lista de argumentos inclui temas como comércio digital, propriedade intelectual, meio ambiente, serviços de pagamento e até o Pix. O detalhe que desmonta a narrativa norte-americana é evidente, os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil. Ou seja, vendem mais para nós do que compram de nós. Mesmo assim, ameaçam nos punir.
A pergunta que precisa ser feita é simples. Se a relação comercial favorece os Estados Unidos, por que atacar o Brasil agora? Seriam eles os maiores prejudicados.
A resposta parece estar menos na economia e mais na política. Nosso país se tornou alvo porque faz valer sua soberania, não somente no discurso, mas na postura política mantida perante o mundo. O Brasil é respeitado lá fora, busca sempre ampliar suas relações internacionais e possui instrumentos próprios, como o Pix, que incomodam interesses privados poderosos.
O Pix, aliás, é um dos símbolos mais claros dessa disputa. Um sistema público, eficiente, gratuito e usado diariamente por milhões de brasileiros e brasileiras passou a ser tratado como ameaça por setores ligados ao mercado financeiro internacional. O que para o povo brasileiro é inclusão, rapidez e economia, para grandes corporações pode significar perda de controle e de lucro.
E onde está o bolsonarismo nessa disputa? Do lado do Brasil? Do lado do povo? Do lado da soberania nacional?
Não. Mais uma vez, aparece alinhado ao trumpismo.
Flávio Bolsonaro tenta negar responsabilidade política pelo desgaste. Diz que a tarifa seria contra Lula, não contra o Brasil. Mas essa justificativa é uma afronta à inteligência da população. Tarifa contra produto brasileiro não atinge apenas o presidente da República. Atinge empresas, trabalhadores, trabalhadoras, exportadores, pequenos negócios, cadeias produtivas e famílias que dependem da atividade econômica.
Quando uma tarifa encarece ou dificulta a venda de produtos brasileiros, quem paga a conta não é Lula. Quem paga é o país.
Esse é o cinismo do bolsonarismo. Transformam ataque ao Brasil em ataques ao governo. Transformam prejuízo econômico em arma eleitoral. Transformam soberania nacional em peça de propaganda. E, no fim, esperam que o povo acredite que tudo isso é normal. Só que não é.
O Tariflávio é o retrato do cinismo. O clã Bolsonaro ataca as instituições brasileiras, alimentam narrativas contra o país, estimulam pressão internacional e, depois, fingem surpresa quando a ameaça chega. É a velha tática do incendiário que aparece com um copo d’água para posar de salvador.
Sim, Eduardo é um pulha. Mas com Flávio Bolsonaro o problema é mais grave. Afinal, ele não é somente um agitador da extrema-direita, ele é senador da República e tenta se apresentar como presidenciável. Quem pretende governar o Brasil não pode agir como representante político de Donald Trump. Quem quer ocupar a Presidência não pode tratar a soberania nacional como moeda de troca. Quem diz amar o Brasil não pode comemorar quando uma potência estrangeira pressiona nossa economia.
A crítica aqui não é contra o direito de oposição. Oposição é legítima, necessária e faz parte da democracia. O problema é outro. Uma coisa é disputar projetos dentro do Brasil, com debate público, voto popular e confronto de ideias. Outra coisa, completamente diferente, é buscar apoio em potência estrangeira para enfraquecer o próprio país. Isso não é oposição. É entreguismo.
Patriotismo não é camiseta. Não é slogan. Não é foto ao lado de Trump. Patriotismo é defender o emprego brasileiro. É proteger o Pix. É preservar a soberania nacional. É impedir que interesses estrangeiros passem por cima da vontade da nossa população.
Por isso, o Tariflávio precisa ser denunciado com firmeza. O Tariflávio não é um acidente. É consequência de uma estratégia mesquinha e perigosa que coloca interesses pessoais acima da segurança da nação.
Para governar o Brasil, é preciso amar o Brasil. E não é nem preciso dizer que “quem ama cuida”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




