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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Tensão no Oriente Médio e uma semana decisiva para Brasil e EUA

Escalada no Oriente Médio e dados econômicos decisivos elevam a cautela dos mercados e reforçam a volatilidade no Brasil e nos Estados Unidos

Notas de real e dólar (Foto: Reuters/Amanda Perobelli)

Foi divulgado o Relatório Focus, sem mudanças relevantes nas expectativas. A inflação projetada permanece em 3,91% para este ano e 3,79% para 2027, com leve recuo para 3,5% em 2028. O crescimento do PIB segue estimado em 1,82% para este ano e 1,80% para o próximo.

No câmbio, houve pequeno ajuste nas projeções: o mercado espera o dólar em R$ 5,42 ao fim deste ano e em R$ 5,50 no próximo.

Temos uma semana particularmente importante em termos de dados. No Brasil, serão divulgados os números fechados do PIB do quarto trimestre e do ano. Nos Estados Unidos, na sexta-feira, saem os dados do mercado de trabalho. Trata-se, portanto, de uma semana crucial para compreender melhor a dinâmica das duas economias.

No cenário internacional, a principal preocupação neste momento é o conflito no Oriente Médio. Os ataques envolvendo o Irã e as respostas subsequentes elevaram significativamente a tensão geopolítica. O preço do petróleo chegou a subir cerca de 8%, estabilizando-se nesse patamar. Já a taxa dos Treasuries de 10 anos recuou para a casa dos 4%, refletindo a busca por segurança em meio à incerteza.

Há grande apreensão quanto aos desdobramentos do conflito e à capacidade militar do Irã. A tensão permanece elevada e ainda não está totalmente precificada pelos mercados. Um ponto central é o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo — uma região estratégica entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, historicamente sensível do ponto de vista geopolítico e logístico. Qualquer interrupção ali teria impacto direto sobre os preços da energia.

No Brasil, o reflexo imediato foi de estresse nos mercados. A curva de juros abriu, os contratos de dólar futuro subiram para a região de R$ 5,25, a bolsa futura recuou perto de 1% e o real se desvalorizou aproximadamente 1,5% frente ao dólar.

É verdade que o Brasil hoje é exportador líquido de petróleo, o que pode, em tese, gerar algum benefício com preços mais altos da commodity. No entanto, no curto prazo, o efeito predominante é de aversão ao risco e volatilidade nos ativos.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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