Pré-sal vai ajudar a conter alta do preço do petróleo, diz ANP
Escalada no Oriente Médio eleva preço do Brent; especialistas citam produção brasileira como amortecedor de impacto nos mercados mundiais
247 - O cenário global de energia foi sacudido pela recente intensificação de ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, situação que impulsionou o preço do petróleo e reacendeu debates sobre a segurança das rotas de exportação e oferta de petróleo. A cotação do barril de Brent chegou a ser negociada em US$ 78,33, refletindo uma alta de 7,49% nos mercados internacionais nesta segunda-feira. As informações são do jornal O Globo.
Apesar do aumento no preço da commodity, analistas veem o Brasil e sua produção no pré-sal como um fator estabilizador para o mercado global de petróleo, em meio às tensões no Estreito de Ormuz, passagem responsável por cerca de 20% a 25% do petróleo e gás natural transportados mundialmente.
Para o engenheiro Décio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o impacto do conflito no preço do óleo será mitigado pela maior produção em países fora do Oriente Médio, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil. “Agora, o efeito é bem menor porque houve um grande aumento na produção fora do Oriente Médio, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil”, afirmou Oddone, como registrado pela reportagem. Ainda segundo ele, “o pré-sal vai ajudar a estabilizar o preço mundial do petróleo.”
Oddone também chama atenção para os custos de transporte, que “têm subido muito” devido à distância entre as áreas de maior demanda no Oriente e a produção concentrada na Bacia do Atlântico. “O preço não subiu tanto, mas o custo de transporte, sim. Isso tem diminuído as margens dos vendedores, como nós”, explicou o engenheiro.
A crise no Estreito de Ormuz, desencadeada pelos ataques, resultou em uma paralisação significativa do tráfego marítimo na região, com o trânsito de petroleiros caindo cerca de 70% enquanto embarcações evitam a área por motivos de segurança. Essa redução no fluxo de embarque pressiona ainda mais os mercados, uma vez que a passagem é estratégica para a exportação de petróleo e gás natural.
Especialistas em energia destacam que a robustez da produção brasileira no pré-sal e o crescimento da extração fora do Oriente Médio ajudam a amortecer os impactos de tensões geopolíticas na formação de preços, em um momento em que o mercado global enfrenta desafios associados à oferta e demanda.


