Irã diz ter atacado gabinete de Netanyahu
Teerã afirma que não negociará com Washington, enquanto Trump promete ampliar ofensiva militar no Oriente Médio
247 - O Irã anunciou que atacou o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em meio à escalada militar no Oriente Médio, ampliando a tensão após os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, segundo a agência AFP.
Até a última atualização o governo israelense ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o suposto ataque. A declaração iraniana ocorre em um cenário de confrontos diretos e troca de ameaças entre Teerã, Tel Aviv e Washington.
Irã descarta negociação com os Estados Unidos
O chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou nesta segunda-feira (2) que o país não retomará negociações com os Estados Unidos, mesmo diante das tentativas de mediação. Em publicação na rede social X, ele foi categórico: "Não negociaremos com os Estados Unidos".
Larijani também criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, "Trump mergulhou a região no caos com suas 'fantasias delirantes' e agora teme mais baixas entre as tropas americanas".
Em outra mensagem, o dirigente iraniano declarou: "Com suas ações delirantes, ele transformou seu slogan 'América Primeiro', criado por ele mesmo, em 'Israel Primeiro', sacrificou soldados americanos pelas ambições de poder de Israel. E, com novas invenções, está mais uma vez impondo o custo de assassinar seu próprio caráter aos soldados e famílias americanas. Hoje, a nação iraniana está se defendendo. As forças armadas do Irã não iniciaram a agressão".
A negativa pública ocorre após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ter sinalizado ao chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que Teerã estaria aberta a “esforços sérios” para reduzir a tensão. A conversa foi relatada pelo Ministério das Relações Exteriores de Omã, que atua como mediador nas negociações nucleares entre os dois países.
Segundo Albusaidi, a proposta envolve um cessar-fogo e a retomada do diálogo “de maneira que atenda às demandas legítimas de todas as partes”.
Trump promete ampliar campanha militar
No domingo (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva militar continuará até que todos os objetivos estratégicos sejam alcançados. Em pronunciamento publicado em suas redes sociais, ele declarou que o país vai retaliar a morte de três militares americanos atingidos na resposta iraniana.
Em tom de ameaça, Trump afirmou: "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa".
Ao jornal britânico Daily Mail, o presidente norte-americano afirmou que o conflito pode durar cerca de quatro semanas. "Sempre foi um processo de quatro semanas. Calculamos que levaria cerca de quatro semanas. Sempre foi um processo de cerca de quatro semanas, então – por mais forte que seja, é um país grande, levará quatro semanas – ou menos", disse.
Questionado sobre a possibilidade de diálogo, Trump declarou: "Eles querem conversar, mas eu disse que deveríamos ter conversado na semana passada, não nesta semana".
Em outro momento, acrescentou: "Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou falar com eles. Deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter oferecido algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais".
Ao ser perguntado quando o contato ocorreria, respondeu: "Não posso dizer isso".
Trump também afirmou que parte dos negociadores iranianos envolvidos em tratativas anteriores morreu nos ataques. "A maioria dessas pessoas se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos lidando se foram, porque aquilo foi um grande — foi um grande golpe", declarou.
O presidente dos Estados Unidos ainda mencionou a possibilidade de mudanças internas no Irã, citando relatos de manifestações. "Sabendo que é muito perigoso, sabendo que eu disse a todos para permanecerem onde estão — acho que é um lugar muito perigoso agora", afirmou. "As pessoas lá estão gritando nas ruas de felicidade, mas, ao mesmo tempo, há muitas bombas caindo".
Escalada militar e impacto regional
Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva contra o Irã no sábado (28). Segundo a imprensa iraniana, com base em dados da rede humanitária Crescente Vermelho, os ataques deixaram 201 mortos e 747 feridos. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio. O Exército dos Estados Unidos informou que não houve militares americanos feridos, e o governo norte-americano classificou como “mínimos” os danos às instalações atingidas.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, foi fechado por razões de segurança, segundo a agência estatal iraniana Tasnim.
Em pronunciamento, Netanyahu afirmou que a operação militar eliminou comandantes da Guarda Revolucionária e autoridades ligadas ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, "milhares de alvos" serão atingidos nos próximos dias.
O premiê israelense também dirigiu um apelo à população iraniana: "Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração".
Em inglês, acrescentou: "A ajuda chegou", em referência a uma publicação anterior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O confronto amplia o risco de instabilidade regional, envolvendo diretamente Teerã, Tel Aviv e Washington, enquanto tentativas de mediação seguem incertas em meio à intensificação dos ataques e ameaças públicas entre as lideranças envolvidas.


