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Drone do Irã atinge base aérea britânica no Chipre

Ataque com equipamento do tipo Shahed provoca danos limitados em Akrotiri, sem vítimas, e amplia preocupação da União Europeia

Entrada da RAF Akrotiri, base soberana britânica no Chipre (Foto: Reuters/Yiannis Kourtoglou)

247 - Um ataque com drone atingiu na madrugada desta segunda-feira (2) a base aérea britânica de Akrotiri, no Chipre, provocando danos limitados e sem registro de vítimas, segundo autoridades cipriotas e britânicas. O episódio marca uma escalada significativa nas tensões envolvendo o Irã e ocorre em território de um Estado-membro da União Europeia, destaca a agência Reuters.

O impacto ocorreu na pista da base da Royal Air Force (RAF) em Akrotiri, sendo o primeiro ataque contra a instalação militar desde um atentado com foguete reivindicado por militantes líbios em 1986. O caso repercutiu na ilha do Mediterrâneo oriental, conhecida como destino turístico e sede de milhares de empresas estrangeiras.

O presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou em pronunciamento que o veículo aéreo não tripulado, do tipo Shahed — modelo de fabricação iraniana — caiu nas instalações militares às 0h03, causando danos considerados leves. “Todos os serviços competentes da república estão em alerta e em plena prontidão operacional”, declarou.

Não ficou imediatamente claro de onde o drone teria sido lançado. Duas fontes ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, informaram inicialmente que uma segunda aeronave não tripulada havia sido interceptada pelas bases britânicas. Posteriormente, uma das fontes afirmou que se tratava de “um drone”.

A base de Akrotiri, situada ao sudoeste da cidade costeira de Limassol, é uma das duas áreas que o Reino Unido manteve sob soberania após a independência do Chipre, em 1960. Além das instalações militares, o local abriga familiares de militares britânicos. Embora os territórios das bases sejam considerados áreas soberanas do Reino Unido, o Chipre integra a União Europeia e atualmente exerce a presidência rotativa do bloco.

Christodoulides enfatizou que o país não participa de ações militares. “Quero ser claro: Nosso país não participa de nenhuma forma e não pretende fazer parte de qualquer operação militar”, afirmou.

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse que não poderia divulgar detalhes adicionais sobre o ataque. “Todas as medidas de precaução estão sendo tomadas em torno da base”, declarou à Sky News. Ela também afirmou que os Estados Unidos não solicitaram acesso à base aérea de Akrotiri.

No domingo (1º), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, informou que o Reino Unido havia aceitado um pedido dos Estados Unidos para utilizar suas bases em ações defensivas contra mísseis iranianos armazenados ou posicionados em lançadores. Já o secretário de Defesa britânico, John Healey, declarou que o país interceptou dois mísseis disparados na direção do Chipre, acrescentando que não acreditava que o território cipriota tenha sido alvo deliberado.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou apoio ao Estado-membro do bloco. “Embora a República do Chipre não tenha sido o alvo, quero ser clara: estamos coletivamente, firmemente e inequivocamente ao lado de nossos Estados-membros diante de qualquer ameaça”, escreveu em publicação na rede social X.

Um funcionário da União Europeia, também sob anonimato, disse à Reuters que há a avaliação de que o Irã estaria tentando ampliar o conflito e envolver países europeus.

Moradores da vila civil de Akrotiri deixaram suas casas durante a madrugada. Parte da população buscou abrigo em quartéis do Exército cipriota em Limassol, segundo informou o prefeito local, Pantelis Georgiou, à agência de notícias do Chipre.

Um residente identificado como Theodoros relatou à emissora estatal CyBC: “Eu estava assistindo TV e ouvi uma grande explosão. Liguei para a SBA (polícia das bases) perguntando o que estava acontecendo, disseram que não podiam dizer nada. Levei minha esposa e meus sogros para Limassol”. Ele acrescentou: “Alguém deveria ter nos informado”.

As autoridades da base orientaram os moradores da região a permanecerem abrigados até novo aviso após o “impacto suspeito de drone”. Posteriormente, informaram que pessoal não essencial seria transferido, enquanto outras instalações britânicas continuariam operando normalmente.

Akrotiri já foi utilizada em operações militares no Iraque, na Síria e no Iêmen. O Reino Unido mantém cerca de 7 mil militares e dependentes no Chipre. As áreas sob soberania britânica ocupam aproximadamente 99 milhas quadradas — pouco menos de 3% do território da ilha — e incluem ainda uma importante estação de escuta da Joint Service Signal Unit em Ayios Nicolaos, na parte oriental do país.

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