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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Toffoli estava atrasando as investigações

Apenas um perito para examinar 100 celulares

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Agora está dando para entender por que Toffoli caiu em desgraça com a PF. A sua determinação de que as investigações sobre o Master tinham que respeitar o sigilo 4 foi vista como interferência que prejudicava o trabalho policial.

Esse tipo de sigilo significa que um número restrito de policiais poderia examinar os celulares apreendidos. De acordo com fontes, Toffoli havia autorizado apenas um perito. Como há 100 aparelhos para examinar, o trabalho levaria aproximadamente 20 semanas, ou cinco meses.

André Mendonça autorizou o sigilo 3, ou seja, a PF agora pode escalar quantos peritos forem necessários e, assim, acelerar os trabalhos. Ele também deixou explícito que os peritos não podem revelar suas descobertas nem para seus colegas, nem para seus superiores, seja da PF ou de fora, o que inclui autoridades como o presidente da República.

É óbvio que investigações mais lentas são de interesse do acusado. O que ele e a defesa almejam é atrasar o máximo possível o trânsito em julgado, quando ele deve começar a cumprir a pena que, ao que tudo indica, será longa.

O histórico de outros processos que envolveram banqueiros mostra que o prazo pode se estender por até sete anos e que as condenações nunca foram cumpridas integralmente.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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