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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Toffoli virou “um puta problema” para o STF

Tal como a mulher de César, ele tem que parecer honesto

Toffoli virou “um puta problema” para o STF (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Embora os vazamentos nunca sejam motivo para comemoração, pois são ilegais, o trecho do relatório da Polícia Federal em que Daniel Vorcaro diz ao cunhado Fabiano Zettel que o atraso no pagamento dos R$35 milhões à empresa Maridt, da qual Toffoli era o sócio oculto, está dando “um puta problema” é bem vinda, por mostrar o que estava acontecendo nos bastidores da pirâmide do Banco Master, e os problemas que o “faraó” enfrentava. Nem tudo era um mar de rosas. Apesar dos bilhões na conta, ele sofria pressões. 

O desabafo embute ao menos duas questões.

Por que o atraso era “um puta problema”? 

Quem o estava pressionando para resolver rapidamente esse “puta problema”?

Talvez as respostas estejam em outro trecho do relatório de 200 páginas, que ainda não foi vazado.

Talvez não saberemos nunca quem é o sujeito oculto.

O fato é que a situação de Toffoli se agrava a cada vazamento.    

É verdade que a nota de seus colegas, elogiando sua atuação, o livrou de “um puta problema”, pois, caso contrário, ele seria alvo quase certo de impeachment. 

No entanto, ela não apaga o fato de que ele, e não apenas seus irmãos, estava envolvido com negócios muito suspeitos, sobretudo para alguém na sua posição e que não terminaram em 2021, como se supunha antes do vazamento. O desabafo do “faraó” é de 2025.

Também não apaga as suas conversas com o banqueiro-bandido que a PF garante que existiram - e não há porque duvidar da PF - mas ainda não foram vazadas.

Como na conhecida frase atribuída ao imperador Júlio César para justificar seu divórcio de Pompéia Sula, embora sem provas concretas de infidelidade, não basta a um ministro do STF ser honesto; ele tem que parecer honesto.

Os seus argumentos de que estava a anos-luz distante do Master não se sustentam, mas ele não pode nem pensar em abandonar a toga. Embora seja óbvio que não sairá do radar da imprensa, ele não perde a imunidade garantida a todos os ministros. Fica mais difícil ser investigado, o que a PF só pode fazer se autorizada pela PGR.   

Para o STF, no entanto, sua renúncia seria a melhor saída. Ele virou “um puta problema” para a mais alta corte do país.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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