Tony Garcia tem rede social suspensa e acusa Moro: “Método mafioso”
O ex-agente infiltrado foi punido depois de publicação que associa o ex-juiz à violação do sigilo fiscal da esposa de Alexandre de Moraes
Desde quarta-feira, o empresário Antônio Celso Garcia, o Tony, não consegue fazer postagens no X, a rede social de Elon Musk. “Minha conta foi temporariamente suspensa. Mas o X não diz por que”, afirma.
Sua última postagem foi sobre o senador Sergio Moro. “O modus operandi da Lava Jato de Sergio Moro e Deltan Dallagnol está de volta em ano eleitoral. Atenção, Polícia Federal e STF: o ex-juiz ladrão Sergio Moro pode estar por trás desse crime”, escreveu.
O crime a que Tony Garcia se refere é o acesso ilegal ao cadastro fiscal de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Tony diz que, quando era agente infiltrado de Moro, ele usava esse mesmo expediente.
O objetivo, segundo ele, era cruzar “dados de pessoas amigas ou parentes de seus presos”. Após a devassa, Moro “chamava os advogados dos presos e forçava a delação, oferecendo, em troca, não investigar parentes, amigos, seus negócios ou empresas”.
Na série de entrevistas que concedeu ao 247, Tony contou que os negócios da família foram investigados informalmente, e um irmão chegou a ser chamado por Sergio Moro. Em um dos casos, a família cedeu e teve de vender um terreno para o Walmart.
Tony expôs a suspeita de que, desta vez, o objetivo seria desmoralizar os ministros do STF, condenando-os perante a opinião pública.
Faz sentido.
O ministro Dias Toffoli, que teve suas relações com Daniel Vorcaro expostas, é quem conduz as investigações dos crimes denunciados por Tony Garcia.
O inquérito começou há quase três anos e ainda não teve desfecho, embora, no curso das apurações, tenha sido realizada uma operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde Moro atuava.
O ex-agente infiltrado de Moro investigou a suspensão de sua conta por meio de um profissional que cuida de suas redes sociais. “Moro e Deltan colocaram mais de 500 robôs para trabalhar contra mim, o que pressionou o X a derrubar minha conta”, disse.
Tony Garcia tem mais de 20 mil seguidores na rede social e repercussão bem acima da média. A postagem sobre Moro foi vista por mais de 11 mil perfis e teve 224 compartilhamentos.
Hoje, o profissional que cuida do marketing de Sergio Moro, Marcelo Cattani, é o mesmo que prestou serviços a Tony Garcia na campanha a prefeito de 1992.
Na época, não havia redes sociais, mas, com a experiência de outras campanhas e também dos bastidores políticos do Paraná, Tony Garcia diz poder afirmar, “categoricamente, que a equipe de marketing de Moro está por trás dessa nova perseguição contra mim”.
Tony Garcia tem sido, efetivamente, um obstáculo na ascendente trajetória política de Moro, que teve início com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, de quem o ex-juiz foi ministro da Justiça.
Apontado como suspeito de associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato em investigação do Conselho Nacional de Justiça e processado por calúnia contra Gilmar Mendes, Moro se mantém impune.
Hoje lidera as pesquisas para o governo do Paraná e pode ser eleito em primeiro turno. Tony Garcia talvez seja o único político no Estado que se apresenta com disposição para barrar os projetos de poder do ex-juiz.
Líderes petistas são adversários de Sergio Moro, mas não têm demonstrado o mesmo ímpeto para enfrentá-lo. Tanto que, surpreendentemente, Moro tem hoje um aliado em órgão criado pelo governo federal.
Trata-se de Ricardo Saadi, delegado da Polícia Federal, escolhido pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com apoio do ministro Fernando Haddad, para presidir o Coaf, órgão responsável por fiscalizar movimentações financeiras.
Os críticos mais severos dizem que existe uma espécie de acordo entre o governo Lula e Moro para que este faça críticas pontuais e não utilize seu arsenal contra personalidades do Planalto.
Pode ser pura maldade, mas é inevitável constatar que Moro foi blindado no julgamento do TSE, com voto de dois ministros indicados por Lula. Nesse julgamento, o presidente foi Alexandre de Moraes — e surge a pergunta que não quer calar:
Moro estaria indo para cima de quem o ajudou no passado (Alexandre de Moraes)?
Tony responde: “Moro não tem amigos ou aliados; o que ele quer é ter informações para chantagear e, por isso, persegue quem conhece seu método mafioso”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



