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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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Trump abre a porta da Casa Branca e Lula ocupa o Salão Oval

As trocas de sorrisos deram a oportunidade para Lula aproveitar os holofotes da entrevista coletiva para desfilar suas ideias para o Brasil e para o mundo

Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O day after da visita de Lula a Trump na Casa Branca ainda repercute no Brasil. Jornalistas e especialistas em relações internacionais seguem comentando o feito de o presidente Lula ter sido recebido por Trump com sorrisos e amabilidades. Mais do que isso: a reunião, inicialmente prevista para ter 30 minutos, durou quase três horas. A cordialidade dedicada por Trump ao chefe de Estado brasileiro correu o mundo, deixando, como diria o ex-presidente Fernando Collor de Mello, “a direita indignada e a esquerda perplexa”. 

Todos ainda tentam entender o motivo que levou o presidente dos Estados Unidos a mudar radicalmente de postura. Vale lembrar as hostilidades disparadas pelo governo Trump no início de seu segundo mandato contra o Brasil, todas articuladas em parceria com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, neto do último ditador militar do país. A lista de agressões é extensa: agentes da imigração americana prenderam e algemaram famílias brasileiras deportadas dos Estados Unidos de maneira considerada humilhante; Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil; aplicou a Lei Magnitsky contra ministros do governo Lula e magistrados do STF; além de dar abrigo a foragidos da lei condenados pela participação na tentativa de golpe no Brasil. 

O caso mais recente envolve o ex-chefe da ABIN do governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem. Fora tudo isso, os Estados Unidos, permanecem sem um embaixador oficial nomeado desde a posse de Trump. Pasmem, a embaixada dos EUA em Brasília é chefiada por um simples encarregado. Na realidade, Trump não mudou de opinião, continua sendo um líder de extrema-direita que despreza os imigrantes do chamado terceiro mundo. 

Derrotado na guerra contra o Irã e com sua popularidade despencando dentro dos Estados Unidos, ele tenta remodelar sua imagem, principalmente, para os eleitores Latinos que terão um peso importante nas eleições de meio de mandato em novembro. E para isso nada melhor que posar para fotos ao lado de um líder mundial e popular como Lula. Essa mudança na imagem leva tempo, e talvez isso explique a pressa da Casa Branca em agendar esse encontro. As trocas de sorrisos, falsos ou não, deram a oportunidade para Lula aproveitar os holofotes da entrevista coletiva para desfilar suas ideias para o Brasil e para o mundo. Reforçando a imagem de ser um dos mais importantes estadistas do ocidente. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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