Um ano de governo imperial
O mundo ainda não encontrou o combustível ou a arma eficaz para frear a máquina de guerra e de expansionismo de Donald Trump
A multiplicação da força pela velocidade (\(P=F\cdot v\)) gera Potência. É a fórmula que faz o mundo tremer. Pois, força os Estados Unidos da América do Norte têm, e o trumpismo é a velocidade acelerada.
A lei do mais poderoso é a lógica implementada pelo imperialismo fascista do Trump. O teatro de faz de contas das regras internacionais e a peça bufa da ONU acabaram. A hipocrisia e o cinismo foram desmoralizados. A equação é simples: força mais velocidade, igual a potência
O ególatra narcisista completou um aninho no comando da plutocracia estadunidense.
Mereceria, no rigor simbólico, um bolo de enxofre e um espumante de sangue para compor a mesa que foi este um ano de barbárie projetada sobre o mundo.
A verdade cruel é de que, quem cede, se flopa. Quem resiste, negocia. Esta é a lição que a realidade vem impondo diante da megalomania fascista do autocrata que se assenhoreou do Salão Oval.
O primeiro ano de seu segundo mandato consolida uma administração de agressão contínua, onde a diplomacia tradicional é desprezada em favor da força bruta e
de rituais de humilhação imposto às nações alheias.
Isto ficou escancarado no episódio do sequestro do presidente Nicolás Maduro, um ato de agressão gravíssimo contra a soberania de um Estado. As grandes potências limitaram-se a declarações tímidas, sem contundência.
O mundo ainda não encontrou o combustível ou a arma eficaz para frear a máquina de guerra e de expansionismo de Donald Trump, seja para negociar com ele, seja para detê-lo antes de novos sequestros ou anexações, como as propostas abertamente feitas sobre a Groenlândia e a Venezuela.
Sua proposta de um "Fórum da Paz" é, na verdade, mais uma etapa do seu projeto de domínio global unilateral. Em vez de reformar e fortalecer a Organização das Nações Unidas, organismo que, como qualquer ser vivo, precisa de fortalecimento quando enfermo, a estratégia é matá-la por asfixia.
É uma jogada calculada para desmantelar o multilateralismo e conter, sobretudo, o avanço econômico e político da China.
O simbolismo degradante desse poder foi exposto cruamente na reunião de agosto passado, quando diversos líderes mundiais foram postados à mesa como subordinados, não como chefes de Estado, ouvindo "orientações" do autoproclamado chefe maior – Heil Trump!
A Europa ajoelhava-se aos seus pés. A imagem de presidentes e chanceleres enfileirados na Sala Oval foi humilhação pública para agradar o ego de Trump.
Aproveitando-se da inoperância da ONU, Trump manipulou uma resolução do Conselho de Segurança para criar um protetorado pessoal sobre Gaza, a ser chefiado por ele até 2027. Esse foi o pretexto para oficializar seu "Conselho de Paz", um órgão destinado a substituir as Nações Unidas e institucionalizar a “moralidade” estadunidense como lei global.
A gestão trumpista está forçando ao mundo a sua “lei do mais forte”.
Este conselho, cujas regras internas são secretas, já conta com a adesão de mais de vinte países. As principais potências, até então, resistem. O Brasil declinou do pedido e não participará, diminuindo a naturalização desse esdrúxulo grupo.
O desafio que se coloca para o mundo é justamente como construir um sistema de cooperação capaz de fazer frente a essa força bruta fascista institucionalizada, enquanto os governos hesitam entre a repulsa e o medo das retaliações.
Por outro lado, dentro dos próprios Estados Unidos, o descontentamento fermenta e explode para as ruas. O primeiro ano deste mandato tem sido marcado por políticas de perseguição a imigrantes e de desmonte social, que gerou uma onda de protestos, cuja atuação das policiais mais e mais se assemelham as milicias nazistas.
Mobilizações como a "Liberdade para a América" e os históricos "No Kings" são a resposta civil à ascensão da barbárie institucional. O assassinato de cidadãos como Renee Good por agentes do ICE é a materialização do intuito destrutivo e assassino da política da gestão Trump.
Pesquisas indicam que 59% da população desaprova o seu governo, sentindo o agravamento concreto de suas condições de vida.
Ameaças vagas de invocar a Lei de Insurreição contra manifestantes mostram até onde pode ir a escalada autoritária. Mas Trump esquece que no momento que o povo decidir dar o basta final, a guerra civil pode vir a ser vai ser instaurada nas terras estadunidenses, guerra essa que a sua ignorância não o permite enxergar que, cedo ou tarde, irá perder.
O mundo está diante de um paradoxo perigoso.
Enquanto as lideranças globais se mostram incapazes de construir freios efetivos ao projeto hegemônico e predatório de Trump, cedendo à teatralidade da submissão, a resistência popular ganha corpo. Ainda é incipiente e não deveria se restringir aos estadunidenses, a juventude e os amantes da paz carecem de formar uma corrente contra o imperialismo fascista do trumpismo.
Em 1968 conseguimos um feito internacionalista, oxalá em 2026 a juventude de hoje com a de ontem consiga novo feito.
Quanto ainda da soberania dos povos e da paz mundial precisarão ser sacrificadas no altar desse imperialismo narcisístico antes que uma reação multilateral, verdadeiramente forte e coordenada, surja?
Quem pode parar o Trump?
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



