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Marconi Moura de Lima Burum

Mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela UnB, abraçado às epistemologias do Direito Achado na Rua; pós-graduado em Direito Público e graduado em Letras. Foi Secretário de Educação e Cultura em Cidade Ocidental. No Brasil 247, inscreve questões ao debate de uma nova estética civilizatória

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Um nome possível para o STF

Alcolumbre ficaria emparedado

Randolfe Rodrigues (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Lula precisa indicar para ministro do STF, imediatamente, o senador Randolfe Rodrigues. Ele é um dos poucos nomes no Brasil que, nesta quadra histórica, possui o gabarito jurídico e político que poderia se articular para ser aprovado dentro do Senado, a se alçar ao Supremo. Alcolumbre não teria coragem de operar seu poder para rejeitar seu colega; (passemos a explicar todo o contexto para este fundamento).

Deixemos bem claro: se Lula aceitar um indicado do Alcolumbre para o STF, Bolsonaro venceu. Alcolumbre é igual a Bolsonaro, que tem uma ligeira diferença, porque este último, além de fisiologista, é também um fascista atitudinal.

Lula tem como princípio máximo de sua existência (política) o chamado republicanismo. Mas, quando ele quiser – e se quiser –, também tem toda a máquina da Polícia Federal para encontrar os crimes de até a quinta geração dos fisiologistas do Congresso. E, se não quiser usar todo este recorte temporal, ao menos que coloque a Polícia Federal para descobrir onde estão os podres de Alcolumbre (e ele os tem). Após, edite alguns vídeos para jogar nas redes sociais, a fim de o Brasil descobrir quem é o verdadeiro senhor todo-poderoso do Senado.

Fique claro: seja o Rodrigo Pacheco, ou qualquer outro nome que o Alcolumbre indicar para o Lula indicar ao STF, a verdade é que, senão o Lula, mas a sua neta, Bia Lula, e a minha neta, e a neta de vários companheiros do Lula, lá na frente, vão pagar um preço muito alto do Lawfare que essa gente fisiologista – e seus magistrados indicados – praticam em relação ao nosso campo político. Afinal, com gente como Alcolumbre e seu antigo “patrão”, o Bolsonaro, não existe a piedade que existe em Lula.

É fundamental que lembremos que Alcolumbre era um nada até poucos anos. Um parlamentar do baixo clero, até ser alçado presidente do Senado pela primeira vez (vencendo o Renan Calheiros em 2019), a partir do interesse de manipulação do então Presidente da República, Jair Bolsonaro. Logo, qualquer acordo estrutural e estruturante com Alcolumbre é uma dupla tragédia (uma roleta russa republicana), que carrega as dívidas com um fisiologista clássico e as agruras de ser aliado de um fascista de temporada.

Lula precisa fazer acordos meramente pontuais, de governabilidade básica, com esses monstros que habitam o poder temporário no Congresso Nacional. Não há mais que indicar ao STF, ou fazer qualquer tipo de acordo que vislumbre tragédia futura e intergeracional com Alcolumbre e certos atores do Centrão. Acordos válidos são aqueles que tenham consequências tão duradouras quanto o tempo investido na partilha de uma dose de uísque; aí sim, estes não têm como evitar. Os acordos estruturais-estruturantes: é suicídio lógico.

Lula precisa, portanto, dobrar a aposta. Indicar ao STF um nome que reúna três características fundamentais, além de outras: i) ser integralmente fiel ao nosso campo político, mitigado ao máximo o risco de traição futura; ii) ser querido o quanto possível por 41 senadores da República (ou seja: o número mínimo para a aprovação), com isso, alguém que tenha uma entrada histórica junto àquela caserna; e iii) ser o quanto possível preocupado com a dor dos mais pobres, porque, apesar de um ministro do STF não governar diretamente, é ele, por exemplo, quem autoriza fracionar a venda da Petrobras e acontecer – o caso concreto – que acontece agora: gás e gasolina aumentando porque não temos mais, por exemplo, a BR Distribuidora (que o STF foi fiador da venda); (reitero: o Randolfe, neste caldeirão fervente e sem tempo, é a única carta na manga com estes critérios).

Lula não pode ter medo, nem cautela demais. O Messias não foi derrotado. Lula não foi derrotado. O povo brasileiro, sim, foi derrotado. A vergonha histórica é para o Alcolumbre e para o Congresso inimigo do povo.

É verdade que o indicado pelo Lula, neste dia em que escrevo, corre o risco de não ser sabatinado este ano (os ventos do Alcolumbre têm dito isto). Todavia, pouco importa. O Lula é o dono da caneta que tem a competência da indicação. Deixa que o próprio STF ou decida pela justiça, pela Constituição e por este direito da indicação no tempo do mandato, ou que afunde em sua própria incapacidade de fazer a verdadeira justiça. Aliás, o STF, assim como os empresários brasileiros, tantas vezes flertam com o fascismo e, portanto, com o risco de perderem – no médio prazo – seus próprios privilégios, porque quem os persegue nunca é o Lula; quem os persegue é gente que tem o DNA de Bolsonaro e do golpismo (doença crônica) do Brasil.

Então, Lula, deixa que todos eles que queiram trair o povo brasileiro, a Constituição e o respeito às suas competências como Presidente, se enforquem na corda que estão a criar. A história: ela nunca erra; apenas vai comportando os fatos. E a história, além de ir consertando as tragédias causadas por gente como Alcolumbre e Bolsonaro, ela ainda faz sempre a gentileza de jogar na lata do lixo estes sujeitos: os ratos cheios de lepra da República; e, aos justos, a história tão bondosamente enfeita em busto projetado ao céu, contido no imaginário de nossa memória coletiva, enquanto nação.

Portanto, se Lula aceitar ficar nas cordas de Alcolumbre, um tutelado de Flávio Bolsonaro, de Daniel Vorcaro, da Faria Lima, da Rede Globo e de tudo que não presta, lá do cárcere, Bolsonaro terá vencido; e, lá do túmulo, gente como Anhanguera, Ernesto Geisel continuarão nos torturando até a morte – que é lenta e dolorosa.

Lula, contamos com a sua habilidade em dar tapa nos ombros de Alcolumbre e todos estes monstros do Centrão (faz parte do jogo), entretanto, contamos com a sua história de luta e coragem para também guerrear a boa luta em defesa de um outro Brasil – de justiça social.

Peço, finalmente, Lula: jogue a batata quente nas mãos do atual presidente do Senado (indicando o Randolfe) e deixe que o Alcolumbre se afogue na baba de sua própria arrogância, caso não aceite seu colega. Precisamos de alguém realmente preocupado com as urgências do povo, e não alguém chancelado pelo preposto de Bolsonaro – este que lutaremos para que não vença a eleição e jogue novamente nosso País na miséria...

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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