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Heba Ayyad

Jornalista internacional e escritora palestina-brasileira

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Venezuela e Gaza: o retorno da era dos impérios

A remoção de um líder não extingue a resistência quando a intervenção é amplamente percebida como dominação

Protesto contra ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, de bloquear a entrada e saída de petroleiros sancionados da Venezuela - 17 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS)

 O sequestro, pelos EUA, do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, em 3 de janeiro de 2016, após ataques noturnos contra Caracas e o corredor costeiro, não foi apenas uma escalada em um conflito de longa data. Foi uma demonstração de arrogância imposta pela força, que afirma que o conceito de soberania no Hemisfério Ocidental é uma ilusão, sujeita à intervenção dos EUA, e que o direito internacional não vincula impérios ou superpotências, sendo apenas uma ferramenta a ser usada contra adversários e Estados fracos.

Os EUA descreveram a operação como “aplicação da lei”, mas, na realidade, tratou-se de uma incursão militar, fato confirmado pela própria Casa Branca. Donald Trump classificou a operação como “muito bem-sucedida” e declarou que os EUA “assumiriam a administração do país” até que uma “transição segura, sólida e racional” pudesse ser alcançada. Ele também alertou os líderes venezuelanos de que “o que aconteceu com Maduro poderia acontecer com eles”, acrescentando que não tinha receio de enviar “tropas em solo”.

Talvez o indício mais revelador do verdadeiro objetivo dessa operação seja a ligação direta que Trump fez com o petróleo. Ele prometeu que empresas estadunidenses entrariam na Venezuela “para reparar a infraestrutura gravemente danificada” e “começar a lucrar”, alegando que o país havia “roubado” petróleo “produzido” pelos Estados Unidos com “talento, mão de obra e habilidade estadunidenses”, descrevendo o episódio como “um dos maiores roubos de suas propriedades” na história dos EUA.

Essa linguagem, extraída diretamente da própria caracterização da operação feita por Trump, pertence ao léxico arrogante da invasão e da dominação, e não à linguagem da legitimidade e da justiça. O que Washington demonstrou não é apenas que as sanções causam danos, mas que sanções, bloqueios, apreensões e narrativas de “aplicação da lei” estão sendo utilizados como um prelúdio grosseiro para a mudança de regime.

O Império e a Doutrina Monroe como sistema operacional de controle: para entender as ações de Trump na Venezuela, é necessário situá-las em um contexto mais amplo, relacionado à compreensão da mentalidade imperial. A Doutrina Monroe foi proclamada em 1823 pelo quinto presidente dos EUA, James Monroe, com o objetivo de estabelecer o Hemisfério Ocidental como esfera de influência estadunidense.

Inicialmente, foi apresentada como um aviso às potências europeias para que encerrassem sua presença militar na região, consolidando, assim, a sua hegemonia. Com o tempo, evoluiu para uma doutrina estratégica hemisférica, na qual os Estados Unidos decidem quais governos consideram “legítimos”, quais rotulam como “perigosos” e sujeitos a sanções ou derrubada, e quais recursos são considerados “estratégicos” e, portanto, passíveis de serem tomados por quaisquer meios. A lista de países visados é familiar porque o padrão é consistente: Irã (1953), Guatemala (1954), Brasil (1964), Chile (1973), Granada (1983), Nicarágua durante a era Contra (na década de 1980), Haiti (1994) e até mesmo a própria Venezuela, na tentativa fracassada de golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez em 2002, não são eventos isolados. Todos seguem a mesma lógica: quando um governo ou país obstrui a hegemonia estadunidense ou suas prioridades estratégicas e econômicas, desestabilizá-lo torna-se uma política estabelecida, e slogans como “democracia”, “anticomunismo”, “contraterrorismo” ou “guerra às drogas” são transformados em ferramentas para justificar pressão, sanções, mudanças forçadas de regime e derrubadas.

O que é novo desta vez não é a intenção, mas a audácia. Intervenções anteriores baseavam-se na negação, no uso de intermediários, em financiamentos secretos e em “conselheiros”. Agora, o presidente dos EUA assumiu abertamente a lógica do controle e da dominação, presumindo que o mundo se sentirá intimidado e chocado pela demonstração pública do poder bruto estadunidense.

Petróleo, sanções e a economia da mudança de regime - A Venezuela possui mais de 300 bilhões de barris de petróleo, o que a torna o país com as maiores reservas comprovadas do mundo. Esse fato nunca foi moralmente neutro em um sistema imperial que trata a energia como poder.

Mas não se trata apenas de petróleo. O cinturão minerador do sul da Venezuela, particularmente na região do Orinoco, é rico em ouro e outros metais preciosos. Com mais de 8.000 toneladas de reservas, o país está entre os maiores produtores de ouro do mundo.

A importância disso reside no fato de que intervenções apresentadas sob o pretexto de “combate ao narcotráfico” ou “anticorrupção” muitas vezes mascaram outro objetivo: conceder a Trump e aos chefes de corporações multinacionais o poder de decidir quem controla as concessões, quem dita as rotas comerciais e quem extrai e explora os recursos do país.

A Venezuela também possui bilhões de toneladas de minério de ferro, além de vastas quantidades de elementos de terras raras, níquel, cobre e fosfatos. Esses recursos são insumos essenciais para a tecnologia moderna e para a produção industrial, incluindo a indústria siderúrgica, crucial para a fabricação de equipamentos militares. Na competição geopolítica, o controle dos recursos da indústria pesada muitas vezes determina o equilíbrio de poder entre as grandes potências.

Nas semanas e meses que antecederam o ataque, os Estados Unidos intensificaram seu controle de maneiras que revelaram seus objetivos estratégicos. Em dezembro de 2025, impuseram um bloqueio naval que interrompeu o tráfego de petroleiros, apreenderam carregamentos de petróleo e reduziram pela metade as exportações venezuelanas de petróleo, de aproximadamente 900 mil barris por dia em novembro. Naquele mesmo mês, um ataque cibernético paralisou a empresa petrolífera estatal venezuelana, a PDVSA, forçando-a a retornar a operações manuais e rudimentares. O que Washington demonstrou não foi apenas que as sanções causam danos, mas que sanções, bloqueios, apreensões e narrativas de “aplicação da lei” estão sendo utilizados como um prelúdio grosseiro para a mudança de regime.

Nesse contexto, a China entrou na disputa à medida que as exportações de petróleo venezuelano se deslocavam cada vez mais para mercados asiáticos fora do controle de Washington. Em novembro de 2025, a China respondia por aproximadamente 80% das exportações de petróleo da Venezuela — cerca de 746 mil barris por dia — enquanto os embarques para os Estados Unidos, por meio de canais ligados à Chevron, subiram para cerca de 150 mil barris por dia. Em outras palavras, o petróleo venezuelano não estava mais simplesmente “sob Maduro”, mas passava a ser cada vez mais direcionado para a Ásia — uma mudança que Washington, nesta era de competição estratégica, tratou como um crime geopolítico.

O que Washington buscava reverter não era apenas a direção dos fluxos de petróleo venezuelano, mas também a forma como esses recursos estavam sendo utilizados para o desenvolvimento interno. A trajetória política que os Estados Unidos tentaram alterar desde o final da década de 1990 não pode ser compreendida sem considerar a Revolução Bolivariana e as transformações sociais que ela desencadeou.

Após a eleição de Hugo Chávez, em 1998, a Venezuela redirecionou suas receitas petrolíferas para programas sociais de grande escala, voltados para o combate a décadas de extrema desigualdade de renda. Entre 2003 e 2012, os índices de pobreza foram reduzidos em mais da metade, e a pobreza extrema diminuiu significativamente.

O acesso à saúde, educação, moradia e subsídios alimentares também se expandiu, particularmente em comunidades historicamente marginalizadas. Milhões de venezuelanos passaram a receber atendimento primário de saúde gratuito por meio do programa Barrio Adentro; as taxas de analfabetismo caíram para quase zero, segundo os parâmetros da UNESCO; e a matrícula em universidades públicas dobrou. Todas essas conquistas foram financiadas principalmente pelo controle estatal do setor petrolífero e por uma redistribuição cuidadosamente planejada de recursos públicos.

Foi justamente esse modelo que a política dos EUA buscou desmantelar. Desde meados dos anos 2000, com a escalada das sanções financeiras direcionadas a diversos setores — especialmente após 2015 — sanções abrangentes foram impostas ao petróleo, ao setor bancário e ao comércio. Essas medidas coercitivas restringiram severamente a capacidade da Venezuela de importar alimentos, medicamentos, peças de reposição e equipamentos de refino, além de privá-la do acesso aos mercados internacionais de crédito. Até mesmo o Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA (GAO), órgão de fiscalização do governo estadunidense, reconheceu que as sanções ao petróleo, particularmente as direcionadas à PDVSA (a estatal petrolífera), aceleraram a contração econômica ao cortar a principal fonte de receita do país.

A consequente deterioração humanitária não foi a causa das sanções, mas sim a sua consequência: uma reversão deliberada das conquistas sociais por meio de um estrangulamento econômico imposto externamente — não com o objetivo de reformar a governança, mas de levar o regime ao colapso, tornando sua sobrevivência economicamente inviável. O colapso da justificativa de legitimidade

Após o sequestro bem-sucedido, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que vinha pressionando consistentemente por uma mudança de regime na Venezuela há meses, descreveu o ataque como uma “operação policial”. Trump então afirmou que Rubio havia conversado com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e que ela apoiaria os esforços dos EUA, segundo sua surpreendente declaração.

Do lado venezuelano, a primeira resposta oficial foi uma simples exigência que revelou a natureza ilegal do ato. Rodríguez confirmou que o paradeiro de Maduro era desconhecido e exigiu que os EUA fornecessem provas de que ele ainda estava vivo. Em seguida, declarou estado de emergência e divulgou um comunicado delineando o objetivo estratégico do ataque ilegal dos EUA: “apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente petróleo e minerais” e “quebrar à força a independência política da nação”.

Em âmbito regional e internacional, diversos países condenaram a operação dos EUA, incluindo México, Brasil e Colômbia, no Hemisfério Ocidental. O presidente brasileiro alertou, em uma publicação na plataforma X, que “atacar outros países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo rumo a um mundo de violência, caos e instabilidade, onde prevalece a lei do mais forte em detrimento do multilateralismo”.

Ele também pediu à comunidade internacional que “responda com firmeza” às ações dos EUA por meio das Nações Unidas.

A China, cujo enviado especial para a América Latina estava em Caracas para reuniões com Maduro, afirmou estar “profundamente chocada e condena veementemente os Estados Unidos pelo uso imprudente da força contra um Estado soberano e por ter como alvo seu presidente. Portanto, a insistência dos EUA em descrever o sequestro como mera ação policial” não só é pouco convincente, como também revela muito, do ponto de vista político. A acusação formal contra Maduro pelos EUA, divulgada após a operação militar, não constitui prova de crime, mas sim um selo de aprovação retroativo usado para normalizar as ações do império estadunidense.

Em um paradoxo gritante, enquanto Trump afirmava que os EUA governariam a Venezuela, seu Departamento de Estado emitiu um alerta informando que não poderia auxiliar cidadãos estadunidenses que estivessem retidos no país.

Gaza, Ucrânia e a legitimidade seletiva como doutrina - A Venezuela não pode ser compreendida isoladamente de Gaza, que se tornou um teste global de respeito ao direito internacional na política. Enquanto Washington apresentava suas ações contra Caracas como “ação policial”, passou os últimos dois anos oferecendo cobertura política à entidade sionista, armando-a militarmente e minando qualquer tentativa de responsabilizá-la por seus inúmeros crimes.

No caso da África do Sul, no âmbito da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, a Corte Internacional de Justiça emitiu medidas provisórias em janeiro de 2024, reafirmadas em março e maio do mesmo ano.

Contudo, a situação humanitária em Gaza, como repetidamente documentado por órgãos da ONU, permaneceu catastrófica, com assassinatos e deslocamentos em massa continuando mesmo durante os chamados acordos de cessar-fogo. No campo da responsabilização criminal, um mandado de prisão foi emitido e reafirmado contra Benjamin Netanyahu em casos submetidos ao Tribunal Penal Internacional.

Eis o paradoxo gritante: Maduro está detido sem julgamento e seu país encontra-se sob administração “transitória” estrangeira, enquanto Netanyahu é tratado como parceiro estratégico.

Um sistema que reivindica legitimidade global mina-se por meio de seu próprio regime de exceções. Na Ucrânia, o Ocidente insiste que as fronteiras são invioláveis e que a agressão é um crime. Em Gaza e na Venezuela, justifica o oposto. Para ele, é o poder e não o princípio que determina quando a soberania importa. Por que isso não pode acontecer com a Coreia do Norte, e o que isso significa para o Irã?

A principal lição que a Venezuela oferece ao mundo é sombria, mas clara: os Estados Unidos não podem fazer com a Coreia do Norte o que fizeram com a Venezuela porque Pyongyang possui uma dissuasão nuclear comprovada. A Venezuela, não.

O próprio histórico de Trump confirma essa lógica. No caso da Coreia do Norte, Washington foi forçado a administrar a dissuasão e a entrar em negociações porque o custo de qualquer ataque ou cenário de ocupação aumentaria a ponto de representar uma ameaça existencial.

Assim, a Venezuela se torna um estudo de caso que reforça o argumento, em todo o Sul Global, de que a capacidade nuclear serve como garantia de sobrevivência do regime. Esta não é uma justificativa moral para a proliferação nuclear, mas sim uma leitura empírica do comportamento imperial baseada na lógica da realpolitik.

Essa lógica de dissuasão aplica-se ainda mais fortemente ao Irã, o que explica por que uma operação nos moldes da realizada na Venezuela provavelmente fracassaria, embora alguns, em Washington e Tel Aviv, ainda a vislumbrem. Qualquer ataque semelhante ao Irã provavelmente falharia devido a restrições estruturais que os Estados Unidos não podem superar pela força. O Irã demonstrou sua capacidade de retaliação durante a guerra de 12 dias, em junho passado. Com um vasto arsenal de mísseis e drones, instalações fortificadas e a capacidade de atacar bases regionais e infraestrutura crítica, o país pode infligir danos significativos a seus adversários.

Além disso, qualquer escalada não se limitará ao nível local. O Estreito de Ormuz é uma artéria vital para a economia global. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA, o petróleo que atravessou o estreito em 2024 e 2025 representou mais de um quarto do comércio mundial de petróleo por via marítima e cerca de um quinto do consumo global de petróleo e derivados.

Com uma população de 92 milhões de habitantes e uma área de 1,7 milhão de quilômetros quadrados, o Irã não é demográfica nem geograficamente viável para ocupação. As experiências estadunidenses no Iraque e no Afeganistão mostraram que a força esmagadora pode derrubar um Estado, mas não consegue governar uma sociedade que rejeita o ocupante. O Irã passou duas décadas estudando esses fracassos e desenvolvendo ferramentas de resposta assimétricas, incluindo a exploração de sua profundidade regional.

Resistência e os limites do poder na Venezuela - O governo Maduro há muito alerta sobre o uso de operações secretas de inteligência para minar a soberania da Venezuela, acusando os Estados Unidos de enviarem agentes da CIA para o país sob o pretexto de combater o narcotráfico e a imigração, muito antes da operação de janeiro de 2026.

As consequências do sequestro de Maduro ilustram por que a operação provavelmente não alcançará os resultados políticos esperados por Washington. O aparato de defesa e segurança da Venezuela permaneceu coeso. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, rejeitou publicamente a presença de tropas estrangeiras no país, declarando que as Forças Armadas resistiriam a qualquer tentativa de controle externo e caracterizando a operação como um ato de agressão, e não como uma transição política. A vice-presidente Rodríguez condenou a operação e apelou à unidade nacional em defesa da soberania, enquanto o Supremo Tribunal de Justiça reafirmou a continuidade da autoridade constitucional.

Rodríguez também convocou as Forças Armadas, as forças de reserva civil da milícia bolivariana e as organizações populares a se mobilizarem em defesa da soberania nacional. Em entrevista por telefone à emissora venezuelana VTV, declarou: “O povo deve agir em defesa de seus recursos naturais, de seu direito à independência, à paz, ao desenvolvimento e ao futuro. Uma pátria livre, sem qualquer tutela estrangeira — nunca mais seremos escravos.”

Essas respostas destacam uma lição que a liderança bolivariana há muito enfatiza: a mudança de regime depende menos do apoio popular e mais da infiltração de serviços de inteligência, deserções e traições internas.

A operação de janeiro de 2026 provavelmente intensificará os esforços dentro da Venezuela para desmantelar redes de inteligência estrangeiras e impedir novas infiltrações, conclusão extraída de experiências passadas, incluindo a tentativa fracassada de golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002.

Em nível social, a ampla mobilização pró-governo — incluindo apelos às forças de reserva e às estruturas de defesa popular para combater a intervenção estrangeira — reflete um padrão que Washington interpretou repetidamente de forma equivocada no Iraque e no Afeganistão.

A remoção de um líder não extingue a resistência quando a intervenção é amplamente percebida como dominação estrangeira ligada à apropriação de recursos nacionais. Assim, a Venezuela apresenta aos Estados Unidos um dilema conhecido: as sanções podem enfraquecer o Estado, mas a sociedade permanece politicamente coesa sob cerco, enquanto a coerção externa apenas fortalece a oposição interna.

Gaza expôs a fragilidade das alegações ocidentais de universalidade, liberalismo e globalização. A Venezuela transmite essa lição ao Hemisfério Ocidental com uma clareza que nem mesmo os aliados podem ignorar. Quando a lei é aplicada apenas a adversários, como Gaza e a Venezuela demonstram hoje, ela deixa de ser lei e passa a ser instrumento de poder e dominação. Quando a agressão está explicitamente ligada ao petróleo, o império deixa de fingir ser qualquer outra coisa.

Há mais de dois mil anos, o imperador romano Marco Aurélio ofereceu um aviso simples aos governantes: “Considerem o passado, com seus impérios que ascenderam e caíram, e vocês também poderão prever o futuro.” Mas Trump jamais foi acusado de seguir tal conselho.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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