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Fernando Lavieri

Jornalista, com passagens pela IstoÉ e revista Caros Amigos

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Vini Jr brilha com e sem a bola

O protocolo antirracista é insuficiente. A Fifa alterou a regra do futebol para minimizar o racismo, mas tal situação é cultural e supera o esporte

Vinícius Júnior (Foto: Pablo Morano/Reuters)

Muito antes de a bola de futebol ser feita de capotão, e os juízes (não árbitros) de campo perderem a barriga de chope, o racismo ocorria nas sociedades. Ele vige no núcleo familiar, nas relações de trabalho, nos momentos de lazer e no esporte. No futebol, modalidade popular, em que os negros se destacam com louvor, não é diferente, ele sempre esteve presente. E hoje, com a vitalidade das redes sociais, não há caso de racismo que não seja notado, a diferença é que alguns viralizam e outros não. 

Quando o assunto é o campeonato de clubes europeus, o Real Madrid competindo contra o Benfica, dois grandes clubes da Espanha e Portugal, mil holofotes estavam apontados para o confronto. Eis que novamente Vinícius Júnior, jogador brasileiro, do Madrid, é agredido pelo racismo, mas desta vez por um futebolista argentino que joga no Benfica, não por espanhóis. Gianluca Prestianni chamou Vinícius de macaco. O árbitro da partida ergueu os seus braços e cruzou-os a cima de sua cabeça indicando que adotaria o protocolo antirracista da Fifa. O jogo foi paralisado, Vinícius Júnior advertido com cartão amarelo, aparentemente por ter comemorado o seu gol perto da bandeira de escanteio com a sua dança de costume. Por mais inacreditável que possa parecer, a partida continuou sem quaisquer punição ao agressor, Prestianni. 

O protocolo antirracista da Fifa agora prevê paralisação do jogo, retirada dos atletas de campo, suspensão da partida e até a derrota por W.O, punição do autor da agressão e multa ao clube envolvido. Todas essas medidas são positivas contra o racismo, com certeza, mesmo que a Fifa, na figura do seu presidente, Gianni Infantino, apresente comportamento político contrário a seu próprio protocolo, demonstrado em sua bajulação excessiva e aviltante a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, um racista contumaz. Mais: o racismo e a xenofobia estão presentes na Europa, isso é de conhecimento geral e irrestrito, em Portugal e Espanha abundam situações discriminatórias. Em outras palavras, a cultura racista é europeia e dessa região foi disseminada. Não será o protocolo que irá acabar com o racismo na Europa.  

A postura intrépida de Vinícius Júnior dentro e fora de campo contribuiu decisivamente para que a norma fosse fortalecida. Vinícius Júnior continua sendo a principal personalidade brasileira no Velho Continente, ele não se deixa abater. Impressionante! Vinícius Júnior mantém o status de o grande jogador de futebol no continente e também a pessoa que ilumina o mundo contra o racismo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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