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Marco Damiani

Marco Damiani é jornalista e diretor da sucursal do Brasil 247 no Rio de Janeiro. Já foi editor de Istoé, Istoé Dinheiro e atuou em Veja e Estado de S. Paulo.

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Wagner deixa a liderança no tempo certo

Saída negociada com Lula preserva o senador, reduz desgaste para o governo e abre espaço para sua defesa no caso Banco Master, analisa o colunista Marco Damiani

Senador Jaques Wagner (PT-BA). (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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Nos tempos diferenciados em que a política se move, bem outros em relação às 24 horas do ciclo de dias e noites, o ex-governador Jaques Wagner deixa a liderança do governo no Senado no momento certo. Com seu passado de cerca de 40 anos de bons serviços prestados ao PT, especialmente no diálogo com setores da sociedade em que o partido tem trânsito restrito, ele não poderia ser, simplesmente, defenestrado à primeira suspeita. Também não seria adequado que permanecesse em seu cargo de destaque por mais tempo, fornecendo combustível aos adversários em um momento de definição de tendências da eleição presidencial.

A solução encontrada na reunião com o presidente Lula nesta quarta-feira, 24, em Brasília, é a saída possível para uma situação com potencial explosivo. O passo atrás em relação à sua presença no governo, em função parlamentar, corresponde a uma satisfação à opinião pública, que tem consumido todas as notícias sobre o escândalo do Banco Master. Ao mesmo tempo, libera o senador para articular a sua própria defesa quanto ao que sugere favorecimento praticado por Daniel Vorcaro e seu esquema de apoios políticos.

Wagner, conta-se nos bastidores de Brasília, gostaria de permanecer até o recesso parlamentar. O fato é que ele saiu do encontro com Lula atendendo aos apelos de chefes partidários do PT por sua saída estratégica imediata. Conseguirá, desse modo, manter seu prestígio de homem de partido que, nessa condição, respeita os desígnios da agremiação. O contrário seria trombar com o desejo partidário, em prejuízo do esforço maior de seus companheiros — a reeleição de Lula.

De modo paradoxal, Wagner consegue, ainda, melhores condições para tocar a sua própria campanha de reeleição ao Senado Federal. Ele não estará amarrado à agenda brasiliense, de alta exigência, para buscar aprovação política entre os eleitores da Bahia. Tem a chance, pela via eleitoral, de um resgate político com o respaldo do voto.

É exatamente o que tem feito, do outro lado da ponta de estragos que o caso Master vem fazendo, o também senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Em cenas para o TikTok e outras redes sociais, ele tem surgido em franca pré-campanha, sendo chamado pelo nome, abraçado e cortejado pelo público. Trata-se do melhor que Wagner pode fazer agora: dar prioridade zero para estender o seu mandato por mais oito anos. Da maneira como acordou com Lula, ele manteve o apoio de seus correligionários. Se forçasse uma posição de permanência, o desgaste, inclusive interno, seria crescente e acelerado.

Para Lula, é uma crise resolvida. O presidente fez o que tinha de fazer, convencendo o aliado a dar espaço para que a sua caravana de reeleição prossiga rodando pelo país sem o peso extra de responder, a cada parada, por que, afinal, não tomou uma atitude em relação ao senador envolvido no indigesto noticiário do Master.

No folclore político de Brasília, é famosa a passagem de dois políticos que, diante de uma manifestação de um grupo de oposicionistas, acharam por bem não andar tão depressa que parecesse receio, nem tão devagar que parecesse provocação. Conta-se que, desse modo, eles conseguiram superar a barreira. Essa situação pode ter servido de inspiração para o acordo político firmado pelo presidente e pelo senador. Eles não romperam, não trocaram críticas e permanecem jogando no mesmo time, apenas com Wagner indo para o banco de reservas, mas com altas chances de voltar à titularidade se conseguir esclarecer o imbróglio.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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