BNDES e Heineken destinam R$ 10 milhões à recuperação do Aquífero Beberibe
Iniciativa apoiará projetos de restauração em 35 municípios de Pernambuco e busca reforçar segurança hídrica e resiliência climática no Nordeste
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken vão investir até R$ 10 milhões em ações de restauração florestal na área de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco. A medida contempla 35 municípios estratégicos para a preservação de uma das principais reservas subterrâneas de água do Nordeste.
De acordo com o banco, será lançada uma chamada pública, aberta até as 19h do dia 6 de março, para selecionar até três projetos apresentados por instituições sem fins lucrativos com pelo menos dois anos de atuação, como associações civis, fundações privadas e cooperativas.
A iniciativa integra o programa Floresta Viva, voltado à restauração ecológica em biomas brasileiros. A gestão ficará a cargo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com recursos estruturados a partir da parceria entre o BNDES e o Grupo Heineken.
O Aquífero Beberibe exerce papel estratégico no abastecimento urbano. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a reserva é responsável, sobretudo, pelo fornecimento de água às regiões metropolitanas do Recife (PE) e de João Pessoa (PB), atendendo milhões de pessoas.
Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o edital fortalece a atuação da instituição na agenda de segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas. “Proteger aquíferos é proteger o futuro das cidades e das pessoas. Ao investir na restauração da área de recarga do Aquífero Beberibe, fortalecemos a resiliência climática do Nordeste e garantimos serviços ecossistêmicos essenciais ao abastecimento.”
Ela também destacou o potencial econômico do modelo adotado. “Nossa estratégia inova ao fortalecer cadeias produtivas da restauração, gerando empregos verdes, qualificação profissional e renda local. Estamos estruturando uma economia da restauração, capaz de combinar conservação ambiental com dinamismo econômico”, afirmou Tereza Campello.
A área contemplada pelo edital está situada em uma faixa de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, região que enfrenta pressão crescente sobre os recursos hídricos. Estudos técnicos desenvolvidos pelo Grupo Heineken apontam níveis críticos de escassez de água nesse território.
O gerente de Sustentabilidade do Grupo Heineken, Breno Aguiar de Paula, ressaltou que a iniciativa alia preservação ambiental e fortalecimento produtivo. Igarassu abriga o principal polo industrial da companhia no Nordeste e recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos recentes. “Sabemos que a água é um recurso essencial e valioso. A restauração das áreas de floresta é fundamental para garantir disponibilidade hídrica no futuro. A vegetação nativa favorece a infiltração da água no solo, reduz a erosão e diminui a contaminação dos rios. Em parceria com o BNDES e o Funbio, queremos contribuir para a melhoria da disponibilidade hídrica na região, ao mesmo tempo em que estruturamos a cadeia local da restauração, gerando renda e benefícios ambientais”, afirmou o executivo.
Expansão do programa Floresta Viva
O Floresta Viva estrutura parcerias para apoiar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais em diferentes biomas do país. Até o momento, foram lançados 15 editais, com a participação de 14 doadores, resultando em 53 projetos apoiados.
As ações já alcançam 8.649 hectares em processo de restauração, abrangendo 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, distribuídas em 17 estados, no Distrito Federal e em 128 municípios. O volume mobilizado soma cerca de R$ 425 milhões, com participação do BNDES limitada a até 50% dos recursos.
Em 2025, o programa avançou para uma nova etapa, denominada Floresta Viva 2. Além de ampliar a restauração florestal, a iniciativa passou a incorporar mecanismos para apuração de créditos de biodiversidade e intensificou investimentos na capacitação de trabalhadores vinculados aos chamados empregos verdes, consolidando a estratégia de aliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável no país.


