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José Dirceu alerta: tirar o Alckmin da chapa irá custar a eleição

Ex-ministro defende manutenção da aliança com Lula para 2026 e expõe divergências internas do PT sobre estratégia eleitoral

José Dirceu alerta: tirar o Alckmin da chapa irá custar a eleição (Foto: ABR)

247 – A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniu nesta segunda-feira (23), na sede do diretório estadual, na Lapa, em São Paulo, para discutir a estratégia eleitoral da legenda para 2026. O principal ponto de tensão foi a manutenção da chapa presidencial com o presidente Lula e Geraldo Alckmin, tema que revelou divergências internas sobre os rumos da aliança nacional.

As informações foram reveladas pelo jornal O Globo, que teve acesso aos principais pontos debatidos no encontro. Participaram da reunião lideranças como o ex-ministro José Dirceu, o presidente do partido, Edinho Silva, o vice-presidente Jilmar Tatto e o deputado Carlos Zarattini.

Defesa enfática da chapa Lula-Alckmin

O momento mais marcante da reunião foi a intervenção de José Dirceu, que fez um alerta direto sobre os riscos de alterar a composição da chapa presidencial.

“Tirar o Alckmin da chapa do Lula irá custar a eleição!”, afirmou Dirceu, segundo o relato do encontro.

A declaração reforça a posição de setores do PT que consideram estratégica a manutenção da aliança com Alckmin para 2026. Para essa ala, a composição atual amplia o espectro político da candidatura do presidente Lula e reduz resistências em segmentos mais amplos do eleitorado.

Embora existam correntes internas que defendam reavaliações, o tom da reunião indicou predominância da cautela. A avaliação de parte da direção é que mudanças abruptas na engenharia da aliança poderiam gerar instabilidade política e custo eleitoral elevado.

São Paulo no centro do tabuleiro

Outro eixo central do encontro foi a disputa ao Senado em São Paulo, considerada peça-chave para o desempenho nacional do partido. Edinho Silva informou que as articulações estão em andamento e mencionou as ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) como nomes influentes no cenário eleitoral paulista.

A definição, no entanto, depende de pesquisas e, sobretudo, da decisão do ministro Fernando Haddad sobre seu futuro político. O impasse foi tratado como estratégico para o desenho da candidatura em São Paulo.

“Haddad precisa resolver se será ou não candidato urgente”, declarou Jilmar Tatto, explicitando a pressão para que o ministro anuncie sua posição até 10 de março.

A leitura interna é que a indefinição compromete a organização das alianças e a consolidação de uma narrativa competitiva no estado, atualmente governado por Tarcísio de Freitas.

Federação com o PSOL divide opiniões

A possibilidade de formação de uma federação com o PSOL também gerou debate intenso. Jilmar Tatto classificou a proposta como um “sonho”, defendendo que a união poderia ampliar a bancada e fortalecer o campo progressista no Congresso.

Já Carlos Zarattini apresentou reservas, lembrando críticas recentes do PSOL ao PT em disputas regionais, como no caso da Hidrovia do Tapajós. José Dirceu também apontou resistências internas no PSOL, citando o grupo de Valério Arcary como possível foco de tensão e avaliando que pode “atrapalhar mais do que ajudar”.

Edinho Silva confirmou que novas reuniões com o PSOL devem ocorrer ainda nesta semana para tratar da formação do bloco e minimizou divergências internas da legenda aliada, que enfrenta desafios para superar a cláusula de barreira.

O debate revelou uma divisão entre a busca por maior musculatura parlamentar e o receio de conflitos políticos regionais que possam fragilizar a estratégia nacional.

Autocrítica e comunicação das entregas

A reunião também incluiu uma análise crítica do desempenho do PT em São Paulo. Edinho reconheceu perda de base social na Região Metropolitana desde 2024 e avaliou que o partido não tem capitalizado adequadamente as ações do governo federal.

“É um erro primário não mencionar o governo Lula nas entregas”, afirmou, citando obras do programa Minha Casa, Minha Vida e financiamentos do BNDES.

A avaliação interna é que o partido precisa reforçar a associação entre políticas públicas federais e seus resultados concretos na vida da população, especialmente nas grandes massas urbanas paulistas.

Pauta social e renovação política

Questões econômicas e sociais também entraram na pauta, incluindo o debate sobre a jornada de trabalho 6 por 1. Segundo o que foi discutido, a legenda busca equilibrar o discurso sobre produtividade e tecnologia sem afastar o pequeno comércio, além de dialogar com trabalhadores e juventudes.

A renovação de lideranças com foco em recortes geracionais, raciais e de gênero foi apontada como prioridade para ampliar representatividade e atualizar a identidade partidária.

Alianças regionais e meta de definições até março

No plano regional, a Executiva discutiu alianças no Rio de Janeiro, Espírito Santo e estados do Norte. No Rio, a orientação debatida é apoiar Eduardo Paes ao governo estadual, mesmo com a presença de uma vice ligada ao bolsonarismo, Jane Reis, além de lançar Benedita da Silva ao Senado.

No Espírito Santo, há expectativa positiva em torno das candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato. Já na região Norte, lideranças alertaram para o “esfacelamento” da estrutura partidária, o que poderia comprometer a pauta ambiental defendida pela legenda.

Ao final do encontro, ficou estabelecida a meta de apresentar definições mais claras até o início de março. A reunião evidenciou que o PT busca combinar unidade nacional, reorganização em São Paulo e articulações regionais para enfrentar o cenário político de 2026, mantendo a aliança Lula-Alckmin como eixo central da estratégia eleitoral.

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