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Ecora abre consulta pública para aprimorar certificação de créditos de carbono

Iniciativa visa aumentar a transparência e a governança no mercado brasileiro de créditos de carbono

Situação dos rios na Mata Atlântica é preocupante, aponta pesquisa (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A Ecora, certificadora brasileira de créditos de carbono, iniciou uma consulta pública para desenvolver seu padrão técnico e a metodologia de certificação. A ação, que conta com apoio técnico da Aecom, busca promover maior transparência, consistência metodológica e governança na certificação de créditos no Brasil. O processo foi anunciado no contexto da COP30, com apoio de grandes instituições como Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Ecogreen.

A consulta pública foi aberta a uma ampla gama de interessados, incluindo desenvolvedores de projetos, empresas de validação e verificação, instituições financeiras, investidores, bem como companhias compradoras ou financiadoras de créditos de carbono. Também são convidados representantes da sociedade civil, organizações não governamentais, órgãos públicos e entidades de controle, com o objetivo de fortalecer a credibilidade e o escrutínio do programa.

Nesta fase inicial, a Ecora disponibilizou documentos essenciais para a construção do seu programa de certificação, como o padrão normativo da certificadora e ferramentas metodológicas para avaliação de adicionalidade, análise de risco de não permanência e diretrizes regulatórias aplicáveis ao contexto brasileiro. A metodologia proposta está alinhada ao Artigo 6 do Acordo de Paris e com iniciativas internacionais que buscam garantir a integridade do mercado voluntário de créditos de carbono.

Especificamente, esta consulta pública trata da metodologia de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), voltada para projetos florestais no setor de Agricultura, Florestas e Uso da Terra (AFOLU). Este é um tema particularmente relevante para o Brasil, devido à importância dos biomas nacionais na mitigação das mudanças climáticas.

Para Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, a confiança no mercado de créditos de carbono está diretamente ligada à robustez metodológica. "Para investidores e financiadores, a robustez metodológica é decisiva para dar escala ao mercado com confiança. A abertura da consulta pública contribui para fortalecer critérios técnicos, transparência e governança — pilares para reduzir riscos e aumentar a segurança de quem financia e de quem compra créditos", afirmou.

Hélio Barbosa Júnior, diretor do Fundo Ecogreen, também destacou a importância da consulta pública para o fortalecimento do mercado brasileiro de créditos de carbono. "A Ecora nasce com o propósito de colocar o Brasil no centro da nova economia verde, com protagonismo e credibilidade", disse.

As contribuições para a consulta pública poderão ser enviadas até 23 de maio por meio da plataforma digital no site da Ecora. Após o encerramento do prazo, os comentários serão analisados e poderão ser incorporados às versões finais do padrão de certificação. A Ecora anunciou que realizará uma segunda rodada de consulta pública, com novos módulos metodológicos e diretrizes complementares.

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