BNDES libera R$ 40 milhões para restaurar Mata Atlântica no RJ
Recursos do Fundo Clima vão recuperar 15 mil hectares no norte fluminense, gerar empregos e ampliar captura de carbono com espécies nativas
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou a primeira parcela de R$ 40 milhões para a Tree Agroflorestal S.A. (Tree+), destinada à restauração ecológica de áreas degradadas da Mata Atlântica no Norte Fluminense. As informações foram divulgadas pela Agência de Notícias do BNDES.
O valor faz parte de um financiamento total de R$ 151,8 milhões, aprovado em outubro do ano passado com recursos do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A operação conta com fiança bancária do Bradesco e marca o início de um projeto que prevê intervenções em 15 mil hectares nos municípios de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Quissamã.
A iniciativa será executada em áreas de preservação permanente (APPs), reservas legais (RLs) e também em áreas adicionais, respeitando as diretrizes do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica. A Tree+ atua no setor de bioeconomia, com foco em reflorestamento, restauração ecológica e geração de créditos de carbono.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto tem papel estratégico diante dos desafios ambientais do país. “A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais degradados do país, por isso apoiar projetos de recuperação em escala, como esse da Tree+, é essencial para proteger a biodiversidade, enfrentar eventos climáticos extremos e gerar emprego e renda nos territórios”, afirmou. Ele acrescentou: “O restauro desses 15 mil hectares no Norte Fluminense é uma evidência prática de que o governo do presidente Lula não atua apenas na Amazônia, mas também na recuperação da Mata Atlântica e outros biomas, como Caatinga e Cerrado. É o Brasil mostrando que é possível restaurar o planeta e desenvolver a economia verde”.
Impactos ambientais e climáticos
O projeto integra a estratégia do BNDES Florestas, que reúne instrumentos financeiros e técnicos para fortalecer o setor de restauração e bioeconomia florestal no Brasil. Entre 2023 e 2025, a iniciativa já mobilizou cerca de R$ 7 bilhões, com potencial para viabilizar o plantio de 280 milhões de árvores, gerar 70 mil empregos e capturar 54 milhões de toneladas de carbono.
As ações previstas incluem o uso exclusivo de espécies nativas, com o objetivo de recompor a cobertura vegetal, reconectar fragmentos florestais e estimular o retorno da fauna silvestre. Em 2025, a Tree+ já iniciou atividades de recuperação em aproximadamente 2 mil hectares na região.
Além da recomposição ambiental, o projeto adota práticas avançadas de conservação do solo e manejo hídrico, como aumento da matéria orgânica, controle de erosão e melhoria da infiltração de água. Esses processos contribuem para a recarga de aquíferos, preservação de nascentes e redução de alagamentos, ampliando a resiliência climática no território.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou a importância do Fundo Clima para a agenda ambiental brasileira. “O Fundo Clima é uma das mais eficientes ferramentas de financiamento do BNDES para tornar o Brasil um dos líderes globais na agenda de restauro florestal com espécies nativas e queremos ter isso como marca do BNDES: um banco verde, um banco azul, um banco inclusivo”, disse. Ela completou: “Muito importante o financiamento à Tree+, que inaugura nosso apoio em restauração ecológica no Rio de Janeiro”.
Geração de emprego e desenvolvimento local
O impacto socioeconômico também é um dos pilares da iniciativa. A estimativa é de geração de mais de 800 empregos diretos e indiretos, envolvendo atividades como viveiros, coleta de sementes, manutenção florestal e serviços técnicos. O projeto inclui ainda ações voltadas à inclusão de mulheres, com programas de capacitação e incentivo ao empreendedorismo local.
A estruturação segue metodologias internacionais de integridade, com previsão de certificação de créditos de carbono, associando a recuperação ambiental à remoção de gases de efeito estufa e à criação de novas fontes de receita por serviços ambientais. A iniciativa também contribui para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os relacionados à água, ação climática e vida terrestre.
Para a diretora de ESG da Tree+, Adauta Braga, o apoio do banco reforça a relevância da agenda ambiental no país. “O apoio do BNDES representa um valor que vai além do econômico: é um indicativo de que a recuperação de áreas degradadas se tornou uma prioridade nacional, estimulando também o engajamento do capital privado nesse propósito”, afirmou. Segundo ela, “essa parceria, além de promover ganhos ambientais por meio do restabelecimento de habitats, cria um verdadeiro hub de serviços florestais e ecossistêmicos que expressam a vocação natural do Brasil e do Norte fluminense, gerando emprego e renda a partir de seus recursos renováveis”.
Operado pelo BNDES, o Fundo Clima é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e apoia projetos voltados à mitigação e adaptação climática, conservação de florestas, proteção da biodiversidade e segurança hídrica. Já a Tree+ desenvolve projetos de restauração ecológica e manejo sustentável, com previsão de investimentos superiores a R$ 800 milhões até 2031 e foco na recuperação de paisagens degradadas e na conectividade ecológica no Sudeste brasileiro.



