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Empresas já perdem competitividade sem transição sustentável, diz diretora da FIA

Segundo Monica Kruglianskas, custo de capital, energia, rastreabilidade e acesso a mercados já pressionam empresas e mudam a lógica da competitividade

Monica Kruglianskas (Foto: Reprodução/FIA)

247 - A sustentabilidade deixou de ser uma agenda de reputação e passou a afetar diretamente custo, risco e acesso a mercados para as empresas, segundo Monica Kruglianskas, diretora do Centro de Inovabilidade e Sustentabilidade da FIA Business School. Para a especialista, essa mudança ficou mais evidente nos últimos anos, à medida que fatores como segurança energética, rastreabilidade de cadeias produtivas e uso de recursos naturais passaram a influenciar decisões de investimento e operação.

“Hoje, não se trata mais de compromisso ou reputação. Trata-se de competitividade”, afirma Monica. Segundo ela, a compreensão dos desafios climáticos, energéticos e sociais deixou de operar em paralelo às estratégias de negócio e passou a ser um pré-requisito para a perenidade das companhias.

Pressão concreta e o fim da margem de erro

De acordo com Monica, a pressão do mercado já é concreta. Empresas mais expostas a riscos climáticos ou com cadeias produtivas pouco rastreáveis enfrentam maior cobrança de investidores e condições de crédito mais restritivas.

Ela afirma que custo e segurança energética se tornaram variáveis centrais para diferentes setores, inclusive para atividades ligadas à transformação digital e ao avanço da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o acesso a mercados, especialmente em segmentos exportadores, passou a depender cada vez mais de comprovação de origem, rastreabilidade e conformidade regulatória.

“Em alguns setores, as empresas já estão perdendo competitividade”, diz. Segundo a diretora, para companhias inseridas em cadeias globais de valor, os efeitos já aparecem em contratos, financiamento e acesso a mercado. “Quem se posiciona antes captura valor. Quem reage depois tende a operar em desvantagem.”

Brasil tem ativos, mas ainda enfrenta falhas de coordenação

Na avaliação de Monica, o Brasil chega a esse cenário com ativos relevantes, como uma matriz energética relativamente mais limpa, bioenergia, base produtiva ampla e potencial em soluções ligadas à natureza. Isso, porém, não garante liderança automática.

“O risco de ficar para trás não está na falta de ativos, mas na capacidade de converter essa vantagem em escala, produtividade, inovação e execução”, afirma.

Para a especialista, o principal gargalo hoje não é a ausência de iniciativas, mas a baixa coordenação entre política pública, financiamento e execução, além da articulação ainda limitada entre os próprios atores privados. “Sem esse alinhamento, o país pode ter vantagem e, ainda assim, não capturar valor.”

Ela cita que modelos como PPPs e concessões mostram que essa coordenação é possível, mas ainda não em escala suficiente para se tornar regra.

Monica afirma que a transição em curso também exige mudanças na governança das organizações. Nesse contexto, áreas como finanças e conselhos de administração passam a incorporar temas ligados a clima, energia e uso de recursos como parte da tomada de decisão econômica.

“O desafio hoje não é entender, é transformar esse entendimento em decisão econômica”, diz.

Segundo ela, a sustentabilidade segue como uma referência importante, mas menos como uma agenda isolada e mais como um arcabouço técnico para leitura de riscos, limites e oportunidades. Na prática, afirma, as decisões passam por investimento, energia, cadeias produtivas e posicionamento competitivo.

Evento em São Paulo vai discutir transição e competitividade

Essa nova abordagem será foco da 3ª edição do Horizons - Inovabilidade em Ação, que será realizada nos dias 6 e 7 de maio de 2026, em São Paulo.

O encontro deve reunir empresas, investidores, setor público e startups para discutir oportunidades em áreas como energia, finanças, infraestrutura, tecnologia e bioeconomia, em um cenário marcado por novas regulações, pressão por eficiência e reconfiguração de cadeias produtivas.

Com participação gratuita, o evento terá debates organizados em torno de três eixos: energia, indústria e infraestruturas do futuro; natureza, recursos e bioeconomias regenerativas; e governança, finanças e tecnologias de transformação. As inscrições podem ser feitas em www.horizons.fia.com.br.

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