Fertilizantes e defensivos biológicos lideram patentes verdes no agro brasileiro
Relatório do INPI aponta que insumos sustentáveis concentram cerca de 70% das invenções nacionais voltadas à agricultura sustentável entre 2012 e 2025
247 - A pesquisa científica brasileira voltada à agricultura sustentável tem direcionado esforços majoritariamente para o desenvolvimento de insumos menos agressivos ao meio ambiente e à saúde humana. Dados recentes mostram que fertilizantes e defensivos agrícolas de base biológica ocupam posição central entre as inovações tecnológicas do setor, refletindo uma mudança de paradigma em relação ao modelo químico tradicional que dominou a produção agrícola por décadas. A informação consta em levantamento divulgado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com base em pedidos de patentes registrados entre 2012 e 2025.
O relatório do INPI revela que cerca de 70% dos pedidos brasileiros de patentes em tecnologias agrícolas verdes nesse período estão relacionados a biofertilizantes e biodefensivos, classificados como insumos sustentáveis por utilizarem princípios biológicos em sua composição. Ao todo, foram identificados 1.205 pedidos de registro de patentes de origem brasileira nesse segmento específico, indicando forte engajamento nacional na busca por soluções que reduzam os impactos ambientais da atividade agropecuária.
Do total de pedidos nacionais analisados, 465 foram apresentados por empresas com participação de ao menos um titular brasileiro, enquanto 435 partiram de pessoas físicas. As instituições públicas de pesquisa responderam por 389 registros, e entidades da sociedade civil sem fins lucrativos somaram 41 pedidos. Esse panorama evidencia o papel relevante do setor público e de pesquisadores independentes na produção de conhecimento aplicado à sustentabilidade agrícola.
Entre as instituições públicas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se destaca como a principal depositante de patentes verdes no país, com 34 projetos registrados no período analisado. Universidades e outros centros de pesquisa públicos também aparecem de forma expressiva entre as organizações que mais contribuíram para o desenvolvimento de tecnologias agrícolas sustentáveis.
Quando considerados todos os pedidos de patentes em tecnologias agrícolas verdes, incluindo os de origem estrangeira, a predominância dos insumos biológicos se mantém. Segundo o INPI, 73% das chamadas “invenções verdes” submetidas ao instituto estão relacionadas a defensivos sustentáveis e biofertilizantes. Os defensivos agrícolas de base sustentável somam 3.282 pedidos de registro, enquanto os biofertilizantes alcançam 2.597, totalizando 5.879 solicitações.
Esse volume supera com folga o terceiro maior grupo de pedidos no segmento, o da agricultura digital, que contabiliza 2.132 registros no mesmo intervalo de tempo. No ranking geral de países, o Brasil ocupa a segunda posição em número de pedidos de patentes em tecnologias agrícolas verdes, atrás apenas dos Estados Unidos, com 2.515 registros. A Alemanha aparece em terceiro lugar, com 509 pedidos.
O levantamento também aponta que, entre as 17 organizações brasileiras que registraram ao menos dez pedidos de patentes cada, a maioria é formada por entidades públicas, reforçando o protagonismo do Estado e das universidades na inovação voltada à sustentabilidade no campo. Apenas uma instituição privada integra esse grupo, o que evidencia o caráter ainda concentrado da pesquisa verde em organismos públicos no Brasil.


