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Fundo Clima bate recorde e prevê orçamento de R$ 27 bilhões em 2026

Mecanismo já mobilizou R$ 52,4 bi para projetos de energia limpa, florestas e adaptação climática

Reunião ordinária do Comitê Gestor do Fundo Clima em Brasília (DF) (Foto: Fernando Donasci/MMA)

247 - O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima, firmou-se como o maior instrumento de financiamento da agenda ambiental brasileira. Os números que comprovam essa trajetória foram apresentados durante a 38ª reunião ordinária do Comitê Gestor do fundo, realizada no dia 12 de março, e divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que opera o mecanismo.

Segundo os dados divulgados pelas instituições gestoras, o fundo acumulou R$ 52,4 bilhões em recursos mobilizados desde 2023, combinando investimentos públicos e aportes do setor privado em iniciativas que abrangem transição energética, indústria verde, mobilidade sustentável, florestas nativas, recursos hídricos e inovação verde. Somente em 2025, o mecanismo alavancou R$ 34,6 bilhões a partir de R$ 12,5 bilhões aprovados em projetos.

O salto em relação ao passado recente é expressivo. Entre 2009, quando o fundo foi criado, e 2022, o orçamento médio anual girava em torno de R$ 400 milhões. Em 2025, esse valor chegou a R$ 14 bilhões — crescimento de 34% em relação a 2024. Para 2026, o orçamento aprovado é de R$ 27 bilhões, o maior da história do mecanismo.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou o significado político e econômico dos investimentos. "Os valores de R$ 27 bilhões em orçamento público para o Fundo Clima em 2026 e de R$ 52,4 bilhões mobilizados em 2023 dão a dimensão do compromisso do governo do presidente Lula com a agenda de enfrentamento à mudança do clima, na direção de um novo ciclo de prosperidade. Trata-se de um esforço fundamental para redirecionar a economia brasileira a um modelo de desenvolvimento sustentável com base em soluções inovadoras e envolvimento não apenas do governo, mas também do setor privado e sociedade civil", afirmou.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reforçou a dimensão prática dos investimentos. "Ao ampliar os recursos aprovados para projetos no âmbito do Fundo Clima, o BNDES contribui para fortalecer a capacidade do país de enfrentar a emergência climática com soluções concretas. Mais investimentos significam mais projetos de energia limpa, infraestrutura resiliente, restauração florestal e inovação sustentável, gerando empregos, reduzindo emissões e preparando a economia brasileira para um futuro de baixo carbono", declarou.

Para o secretário-executivo do MMA e presidente do Comitê Gestor, João Paulo Capobianco, os resultados refletem uma construção coletiva dentro do governo. "Os resultados expressivos apresentados na reunião do Comitê Gestor são fruto da transversalidade que a agenda climática alcançou no governo Lula, com base em parceria de sucesso entre MMA, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Essa transversalidade se traduziu não apenas no aumento do orçamento, mas num significativo volume de contratações por meio do setor privado, que realizou seus próprios aportes nas iniciativas, contribuindo para alavancar volume inédito de recursos voltados à transformação ecológica", pontuou.

Além do crescimento financeiro, o fundo avançou em eficiência ambiental. Os projetos aprovados em 2025 devem evitar a emissão anual de 7,5 milhões de toneladas de CO2 equivalentes — resultado 88% superior ao registrado em 2024, quando as iniciativas apoiadas impediram a liberação de 4 milhões de toneladas. O dado é ainda mais significativo considerando que o aumento de recursos destinados a projetos de mitigação foi de apenas 18% no período, o que indica ganho real de eficiência.

Entre as áreas que mais cresceram, os projetos florestais se destacam: a aprovação saltou de R$ 105 milhões em 2024 para R$ 1,4 bilhão em 2025 — multiplicação de 13 vezes. Os projetos de adaptação climática também tiveram expansão expressiva, crescendo 438%, de R$ 547 milhões para R$ 2,4 bilhões. A área de transição energética liderou o volume total de investimentos, com R$ 5,8 bilhões aprovados, seguida por indústria verde (R$ 1,6 bilhão) e desenvolvimento urbano resiliente (R$ 1,37 bilhão).

Outro avanço relevante em 2025 foi a expansão geográfica do fundo. Os recursos destinados às regiões Norte e Nordeste saltaram de R$ 2,3 bilhões para R$ 3,7 bilhões, crescimento de 60%, corrigindo uma distorção histórica que concentrava os investimentos climáticos nas regiões mais desenvolvidas do país.

Para 2026, o Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR) estabelece metas ambiciosas: destinar 25% do orçamento ao Norte e Nordeste, aplicar 20% em projetos de adaptação climática e garantir que cada financiamento aprovado esteja alinhado ao Plano Clima — documento que orienta as ações brasileiras de enfrentamento à crise climática até 2035 e incorpora a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris.

O PAAR 2026 também prevê a aplicação piloto da Taxonomia Sustentável Brasileira, a inclusão de setores cobertos pelo mercado regulado de carbono entre os elegíveis a financiamento e a exigência de aderência aos princípios de justiça climática e combate ao racismo ambiental, conforme a Resolução CONAMA nº 511/2025.

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